quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Há quem saiba viver vivido.

Coisas inusitadas acontecem, pessoas que não deveríamos acabamos conhecendo, situações mais bonitas impossíveis.
Viver faz bem!
Ter tudo que um ser humano necessita pra ser feliz, apesar de refletir um pouco a mais, um pouco às lágrimas.
Chegar a conclusão que até o choro é necessário pra felicidade e não o de alegria, chorar de tristeza sem por quê é bom e todo mundo faz, chorar deixa mais dócil.
Quem não chora é amargo, quem não chora é frio, quem não chora não sabe o que está perdendo..
Eu tenho uma amiga, ela tem cílios longos e voz meiga.
Tenho outra que tem a pele mais alva que já vi e as melhores lembranças guardo nela.
Eu tenho um amor platônico declarado, que tem olhos azuis como o céu da manhã de Atibaia, ele mora na minha cidade e o sorriso dele tem o poder de renovar minha vontade de viver.
Tenho uma amiga dos cabelos cacheados, casa florida e os melhores idiomas, além de ser minha compositora preferida.
Tenho um amigo que é muito bom pra mim, porque ele acha que eu sou boa com o mundo, ele fala de uma máfia comigo e está sempre a me fazer rir de gargalhar.
Eu tenho um pequeno irmão que eu amo até não poder mais, porque ele tem cabelo de cogumelo e olhar de quem sabe das coisas e me entende.
Eu tenho um professor que é muito mais que isso, ele é amigo, conselheiro, ele é um sábio e eu jamais vou esquecer o exemplo disciplinado e descontraido como ele sempre obtem bom resultados, a admiração por ele é de piscar os olhos e suspirar quando ele passa, ele sabe.
Eu tenho uma memória muito boa e gosto de lavar meu cabelos.
Quando criança meus cabelos eram tão alvos quanto minha pele, porém minha antipatia assustava as pessoas, prefiro meu eu de hoje em dia, apesar de às vezes ainda machucar boa parte delas, por não conseguir esconder nenhum pouco da verdade.
Eu continuo a assustar, geralmente me acham estranha, mas estão a me procurar..
Minhas bandas são minhas pelo direito de apropriação que o amor dá.
Posso dizer que Aninha é minha, Marininha, Dimi, Jenny Jen, Frango, irmãozinho, Rafa e todos mais que eu amo são meus, porque eu posso tê-los sempre que eu quiser, na memória e coração, na lembrança do abraço e do sorriso, no primeiro olhar, eu lembro de cada um deles..
Eu tenho lugares eternizados, bem como coleciono os instantes das bolhas de sabão.
Eu tenho flores pra sempre que já morreram a mais tempo que eu.
É fácil dormir quando se morre ou eu penso que deve ser..
As pessoas deviam olhar mais pro céu.
Você viu o céu de hoje?
Estava lindo e eu fotografei, como sempre faço.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Sinto muito a covardia.

Marininha, tenho que te pedir muitas e muitas desculpas, confesso que meus planos eram ser covarde e omitir a verdade de você, digo não contar sobre se você não perguntasse, só porque te amo demais pra te decepcionar. Antes de mais nada quero que você saiba que tudo que estou fazendo é muito bem pensado, eu não perdi a cabeça, na verdade foi a melhor coisa que fiz na minha vida. Mas, bem, acontece que hoje quando você me perguntou eu menti e isso não se faz, muito menos com nossa melhor amiga, eu sei que você vai entender, mas não consegui falar na sua frente porque sabia do seu olhar de decepção e aquilo me mataria, sabe? Enfim, eu sai da ETE e até segunda ordem estou fazendo só teatro. Tomei essa decisão por mil fatores, o principal é que eu precisava ser feliz de alguma forma e me sentia sempre em uma prisão social, triste e depressiva, pequena e covarde, queria morrer de verdade, até que tomei coragem e contei pra minha mãe meus planos: Fazer teatro. Ela que confia em mim e ouviu toda minha explicação me apoiou. Desculpa não ter contado antes, eu tenho muito medo sempre de fazer algo que te desaponte de alguma forma. Eu tenho enfrentado o mundo pelo meu sonho, você foi a única pessoa que não tive coragem de contar, eu sei o quanto é importante o ensino médio e claro que vou concluí-lo em breve, mas eu realmente estava precisando dar um tempo, as coisas estavam muito pesadas em casa na questão meu progenitor, eu me sentia perdendo cada vez mais amigos e precisava me profisionalizar. Você me entende? Desculpa mesmo não ter contado antes e tudo que eu te disse hoje sobre a ETE é verdade, só que em um passado não muito distante, poxa, eu fiquei sem reação, eu sei que deveria ter te dito, foi pura insegurança e medo. É que sua opinião vale demais pra mim, acho que o que você pensa de mim é sempre uma preocupação, quando na maioria das vezes não me importo com o que o mundo pensa. Enfim, sinto muito e de coração espero que você me perdoe.

Não te apóio, mas é claro que eu te desculpo.

Você tem que fazer o que voce acha melhor pra sua vida, já que voce escolheu isso então faça bem feito, só por favor não deixe de terminar de verdade o ensino médio!

Eu espero que voce tenha muita sorte na sua carreira, mas infelizmente a sociedade pede que voce tenha o grau completo até pra ser lixeiro.

Não que isso queira dizer alguma coisa, porque tem gente com muito mais formação que nós duas juntas e tem menos cultura que você sozinha.

Enfim, não se preocupe com que eu possa pensar da sua vida afinal meu lema tem sido: faça o que tu queres pois é tudo da lei. (:

Te gosto muito muito muito. :D

E isso se chama amizade, compreensão e realismo. Eu sempre vou te admirar!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Quão cruel o ser humano pode ser?

Das maldades de larga a pequena escala. O holocausto, a heroína, sequestros, chacinas. Traições, abandonos, humilhação, o magoar proposital. E de que nos serve? Ainda hoje a população sofre verdadeira tortura psicológica se começa a pensar que é tão humana quanto os alemães, que matavam com prazer, de bebês a idosos judeus e simplesmente porque eles eram.. judeus. Nossas mães perdem o sono se pensam na possibilidade de entrarmos pro mundo sem saída que é o da droga, droga essa que existe desde os primórdios, mas que o homem, com sua implacável tecnologia fez questão de "aperfeiçoar" pra que, uma vez que você entrou, jamais possa sair. É lucrativo, dinheiro fácil. E em alguns países essa degradação é até legal. Jóia. Eu não tenho dinheiro, mas ele tem. Se eu roubá-lo eu terei e ele não, mas.. se eu enclausurá-lo e pedir pra família muito rica dele um pedaço de sua fortuna, nunca mais terei que trabalhar, perfeito! E acho que tortura não vai mal, esse burguês filho da puta que nasceu em berço de ouro e nunca teve que trabalhar pra nada. Esse escroto de merda. Ele merece ser sequestrado, eu não estou fazendo nada de mau, sou um instrumento de Deus fazendo justiça. Eu quero matar aquele cara, tem esse monte de gente na frente. Filhos da puta, que que estão fazendo aí? Vão morrer também.. E lá se vão 10 ou 15 inocentes [?] que estavam no lugar errado na hora errada. E em "pequena escala" vão os crimes sentimentais. Você já sentiu a dor de uma traição, seja ela da procedência que for? Já te abandonaram sem dar sequer uma explicação logo depois de te fazer juras de amor ou amizade eternas? Alguém já te humilhou (ou tentou) na frente de terceiros só pra parecer mais bacana que você? Já te magoaram sabendo que assim o faziam porque acharam que ficariam mais feliz dessa forma? Não acredito que a crueldade seja natural do ser humano. Não acredito que sejamos podres nas mesmas proporções. Não acho que nenhuma dessas maldades possam ser justificadas. Justificar, tornar justo. Não, não vejo justiça em nada disso. E deito minha consciência tranqüila ainda indagando como podem dormir pessoas que executam conscientes maldades, não me parece justo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Reabilitação de coração.

A verdade é que ando pensando em tanta coisa que no meu turbilhão de pensamentos tudo fica meio vago, muito complexo, tão cheio que não consigo me concentrar em nada em especial.

Me sinto quase vazia, de tão cheia.

E me sinto sozinha, muito sozinha, o que é estranho, já que tenho amigos ótimos e presentes, está certo que não tanto quanto eu gostaria, às vezes até pela minha falta de tempo, eu sei, mas na medida do possível eles querem e estão sempre por perto, mesmo assim me sinto uma ilha.

Talvez seja a adaptação de um estado plenamente apaixonado pra um alguém que agora só ama.

Em mim não existe mais perna bamba, não existe gagueira ou exasperação, só amor tranqüilo e não-romântico, só uma amizade pelas coisas e pessoas, nada de paixão, nadinha. Talvez por isso esse sentimento de solidão..

A gente demora a se desintoxicar de vícios que eram definições:

- Quem é você?

- Eu sou uma menina que é sempre muito, muito apaixonada por tudo.

Hoje passeando na rua quase me apaixono pela imagem de um avião passando bem perto da lua já da manhã, logo depois vi uma nuvem atrás de uma árvore florida e foi por pouco, depois meu professor me sorriu aquele sorriso debochado e.. quase.

Sorte que agora eu consigo me controlar e nunca mais vou ter que me aborrecer com as incertezas e desesperanças ou passar pelo ridículo que é a paixão, ufa!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Abandono de palavras.

Ver blogs morrendo me deixa tão chateada, de verdade. Estou dizendo isso porque agora mesmo li um post excelente sobre um livro que meu professor mais lindo, amado e, nossa, é muito amado, não tem dimensão, enfim.. Um livro que aquela pessoa disse ser a minha cara. Aí quando eu fui ver a atualização mais recente do blog estava datada em 2006. O que significa que "O Fantástico Mundo de Gabriel" provavelmente caiu no esquecimento há um tempo e isso é tão.. tão triste. É como largar um amigo, abandonar pra sempre um caderno, coisa assim. Não abandonem seus blogs, por favor.. Eu só vim aqui mesmo pra pedir isso e dizer o quanto me afeta alguém parar de sentar e expressar seus sentimentos, idéias e reflexões em seus blogs. Eu não sei explicar, é fisiológico. Digo, se você for um sociopata, doente e cretino eu não me importo que você abandone o seu, mas, pelas palavras daquele menino, aposto que Gabriel é um alguém muito especial, assim como vocês.. É como perder um Holden ou um Pequeno Príncipe, sabe? Então.. bem, fica o pedido encarecido, com carinha de súplica. E "Meus Sinais", eu nunca mais vou te abandonar, prometo.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Vl. Marlene, eu te amo!

Eu devo estar me mexendo mais do que o normal e falando mais alto do que imagino, porque já estão olhando, deve ser o mp3, tira toda minha noção de volume.

Eu adoro estar aqui, viu?

Adoro ficar esperando 3 horas por um ônibus, é tão gratificante. Obrigada por existir, Vl. Marlene, obrigada por parar na frente do meu prédio e obrigada mais ainda por demorar tanto.

O que mais se pode querer de um ônibus?

Ele pára na frente do meu apartamento, quase entra e me deixa no sofá, o que me impossibilita de pensar em pegar outros ônibus e demora mil anos há passar, que bênção!

Eu gosto tanto, mas TANTO de esperar ônibus que se o mundo fosse justo isso seria a única coisa que faria da vida.

Se as pessoas só fizessem o que gostassem eu passaria a vida ali, vendo os carros passarem, sentindo frio, vendo a chuva cair e casais felizes se agarrarem, sabe?

Se eu pudesse ficaria lá e esperaria o ônibus pro mundo inteiro, assim, quando pessoas que gostam de ler, fazer contas ou tocar piano tivessem que pegar um ônibus seria só entrar nele, porque eu já teria esperado, por todos eles.

Perfeito, não? Pena que o mundo é injusto e eu só posso esperar por mim.

CHEGA VL. MARLENE, eu vou respirar fundo, vou sim.

Pronto, estou respirando fundo, bem devagar, isso, estou legal.

Escutei um barulho de tiro, senti o mesmo passando por dentro da minha barriga, olhei o sangue jorrando, todo mundo saindo dos caros (o farol estava fechado), minhas pernas tremeram e quando eu ia cair morta percebi que tinha inventado essa história pra acabar com meu tédio. Que morbidez!

Mas tudo bem, eu vou aguardar tranqüilamente, viu? Porque eu te amo, Vl. Marlene, eu te amo.

Olha, acabei de assistir um filme angustiante, ontem vi o pior filme da minha vida, estou há dois dias sem teatro e você demora tudo isso por quê? O que eu te fiz? E por que o ônibus da Jenny teve que chegar tão rápido?

Porque, olha, eu poderia estar conversando agora, mas estou aqui. Você é tão injusto.

Por favor Vilinha, por favor, apareça.

APAREÇA!

Por Peter Pan, eu sempre sou paciente, você sabe, por que justo hoje? Eu vou chorar..

Ai, obrigada, obrigada, Vl. Marlene, eu te amo, eu te amo, ok?

Te amo muito:

- Boa noite.

- Boa noite.

Por que o motorista não me dá o troco? Aliás.. que motorista é esse? Eu conheço todos os motoristas do Vl., somos quase amigos, digo, quase conhecidos, se vise-os na rua sem ser a trabalho quase os cumprimentaria e aposto que eles fariam o mesmo. Que esse stranger está fazendo te conduzindo, Vl.?

Aimee Mann é um máximo mesmo, pelo menos tenho ela.

Eu devo estar parecendo deprimida pra caramba. Estou? É que, sei lá, você sabe que às vezes nem quero chegar em casa, que gosto do caminho de casa, mas hoje estou com uma angústia, talvez esse filme, sei lá.. Quero chegar em casa e justo hoje está demorando mais que o normal. O motorista novo não deve saber o caminho direito.

Estranho, essa menina parece conhecê-lo.

Free? Quê? Meu Zeus, como assim? Que liberdade é essa?

Então quer dizer que a última viagem é sem radinho? É "Free"?

Ele pode nos levar pra onde quiser? Pode acionar o botão secreto de vôo do ônibus e nos levar pra um laboratório secreto da NASA que fica no espaço? Ele pode se jogar da ribanceira com a gente no ônibus? ELE PODE NÃO PARAR QUANDO EU DER SINAL?

Céus, que medonho dar liberdade assim pra outro alguém. Eu não quero que ninguém seja tão livre, chega, casinha, chega..

- Moço, logo que virar a esquina da Margarida Gonçalves você pode parar por favor?

- Anh?

- Logo que virar você..

- Ah, paro sim.

- Obrigada, boa noite.

- Boa noite!

Ufa..

É quase tudo continuação..

Eis que um casal senta ao meu lado, um casal bonito, que parecia se dar bem e ressaltou mais do que nunca minha vontade de continuar sempre sozinha nessa questão.

Apesar de invejar o toque de mãos, o olhar de carinho, os abraços.. são as satisfações, as explicações, as tentativas patéticas de causar ciúme e a não-liberdade que me mantêm plenamente confiante.

O anel do meu irmãozinho, que eu achava que ficava perfeito no "seu vizinho", quando dele tirado deixou uma marca, um inchaço, uma dor, quase uma cicatriz, ainda bem que não chegou a tanto. Relacionamentos românticos são como anéis, relacionamentos e anéis.. Deve ser justamente por isso que um é símbolo do outro, deve ser..

Deu vontade de falar que também estou "me sentindo viajante" e que queria brigadeiro, sai da casa da Fê querendo, mas são tudo continuações..

Primeiro filme: Rumba, estou com vontade do meu Talento verde que está me chamando da mochila.

No mínimo do mínimo o filme é sádico. O tempo todo nos faz rir, fato. Mas de coisas tão absurdas que a gente até se sente meio mal. Ótimo, recomendo, mas não pra personas sensíveis demais.

Segundo filme: Um dia de Rainha.

Não entendi a relação do filme com o nome, mas é bem legal anyway. Várias histórias que se entrelaçam, com muita decadência, imoralidade, temas polêmicos e humor francês. Muito bom, recomendo, mas não pra quem está acostumado com romance bobo.

Terceiro filme: Glória ao Cineasta.

Você já assistiu "Glória ao Cineasta"? Como já mencionei eu fui sozinha ao cinema, o que me fez ficar com mais cara de interrogação ainda quando o filme terminou.

O garoto que se comunicou comigo durante o filme era tão ou mais tímido que eu e quando o filme acabou eu não tive coragem de perguntar o que ele tinha achado. Ele era bonito.

Fiquei sem saber se achei a pior idiotice do mundo ou se achei deveras engraçado, eu realmente não sei. Sério. E só recomendo pra se algum de vocês for mais esperto [?] me explicar depois.

Sai da sala com cara de interrogação e assim permaneço até o presente momento.

O relógio aqui do meu lado diz que agora são exatamente 6:22 da manhã e está fazendo 18 graus, 1 grau a mais do que considero a temperatura ideal, não está mais escuro, mas a claridade ainda não me incomoda.

Eu queria escrever, mas não queria sentar no meio daquele monte de gente e escrever. Daí deixei pra lá, ia pegar o metrô consolação mesmo, mas quando fui descer as escadas três meninos bêbados (um deles quase perdendo os sentidos) também o estavam fazendo, aproveitando que a Paulista é um lugar plano e está frio resolvi andar um pouco mais e vir escrever debaixo do MASP, gosto de ficar aqui, apesar de ter uma goteira pingando do meu lado.

O energético que eles forneceram deve ser mesmo muito potente porque meu dia foi bem longo, minha madrugada mais ainda e não tenho a mínima vontade de rumar pra casa e repor minhas energias pra amostra, talvez porque ela seja só de noite, o que me dá o dia inteiro pra dormir.

No meio do sorteio tinha uma camiseta do Laranja Mecânica, a mais diferente e absurdamente linda que eu já vi, cobicei ela muito, não ganhei. Só ganhei a lembrança daquele olhar de criança no meio da multidão, a menininha devia ter a idade do meu irmão. Nunca vi olhos mais expressivos, nem os olhinhos dourados são assim, é como se a maquiagem do Alex fosse natural daquela face, daquela fração de segundos que vi aquele olhar.

Tive vontade de fotografar e levar pra vida, levarei, só no campo da memória mas não acredito que possa vir a esquecer disso. Imagino como era o todo da criança, já que, incrível que pareça só vi olhos. Só olhos.

Ou será que eles são tão encantadores que o "resto" dela se faz invisível?

Será que só se pode notar os olhos?

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Telefonema no cinema.

- E de quem são essas vozes aí do seu lado? - De pessoas. Pessoas que tem amigos. Eram quase 11 horas da noite. E qual a possibilidade de encontrar um São Bernardense pelo caminho? De antes da estação Ana Rosa até a Consolação, até o Belas Artes, mais precisamente. Optei por ir caminhando, tinha o bilhete do metrô já comprado, mas me agradava a idéia da possível melancolia de andar sozinha naqueles lugares, vendo aquelas pessoas e ouvindo música triste. Na Paulista. Ainda mais em uma sexta-feira 13 fria, engraçado é que tinha esquecido esse peculiar detalhe enquanto andava e mandava beijo pra relógios, relógios que mandavam meus beijos pra alguém que no momento talvez esteja vendo filmes, em São Bernardo. Acontece que minha vida nunca foi tão livremente paulistana, tenho mais amigos aqui que lá, se é que os tenho.. Fica a questão por estar aqui sozinha, assim.. Eu sei que os tenho, sei que os mesmos têm suas próprias questões e sei também que se pudessem estariam agora aqui, comigo.. Será que ele estaria? Ela? Eles? Sim, claro que sim! Não são 11 horas agora, talvez alguém ainda chegue, sempre fui esperançosa: - Mas então o que você está fazendo aí? - Vim ver os filmes, oras. - Sozinha? - Nunca precisei de ninguém pra viver. Então eu vi flahses e as pessoas, sempre em grupos, engraçado isso, pareciam muito animadas, queriam também ser fotografadas. Além de mim só um cara dos seus 30 e poucos anos sozinho, ao meu lado. Então, de certa forma, não estávamos sozinhos? Claro que não! Estávamos no meio de um monte de gente. Mas aquelas músicas falavam de tantas e tantas milhas distante.. Um pras onze.. já, já, deixa de ser sexta-feira 13, o que me desagrada já que, junto com 31 de outubro e primeiro de abril, sextas 13 são minhas melhores datas do ano. No ano que passou, por exemplo, meu namoro terminou dia 31 de outubro. Não me lembro de nada melhor ter acontecido: - 'tá bom então, bons filmes! - Pede pra ela me ligar quando chegar? - Peço. - E manda beijo pro Biel? - Mando! - Então 'tá, boa noite. - Boa noite, beijos. - Beijos! Quando a ligação terminou e eu olhei pro celular eram 22:33 e, novamente, mandei os relógios beijarem um São Bernardense.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A avó do meu não-filho.

Terça-feira, no ponto de ônibus, precisava pegar um desconhecido, tentei me informar perguntando a senhora ao lado que, muito solicita, me informou e depois puxou papo.

Simpática ela, atenciosa e extranhamente super protetora.

Por coincidência pegamos o mesmo ônibus, digo, ela disse que queria pegar outro, mas aquele servia, então ótimo, mais alguns momentos conversando com a gentil senhora.

Ao entrarmos ela se ofereceu para pagar minha passagem, eu recusei e agradeci muito, achei de uma gentileza extrema, ainda mais quando vagou um lugar e ela ofereceu-o para mim.

Ela era uma senhora, perfeitamente saudável, dava para notar, mas mesmo assim eu também sou e sou jovem, enfim.. Recusei e novamente agradeci muito. Então ela fez a pergunta que eu estava esperando pra esclarecer as coisas:

- Hum.. você está grávida?

- Oi?

- O seu vestido é larguinho assim mesmo ou.. ?

Então eu coloquei meu vestido mais perto da cintura e respondi confusa:

- Não.

Ela, tentando se redimir da crítica que não tivera a intenção de fazer, disse:

- Sim, você está magrinha, está magra, não é por isso, eu só achei..

E as palavras se perderam.

Ao me olhar no reflexo de uma vitrine entendi tudo.

Usando o vestido que usava eu realmente não parecia gorda e sim grávida.

Não aparecia barriga alguma e nem nada do tipo, mas não dá pra explicar, eu fico com uma cara até materna (o que é muito estranho pra uma pessoa com as minhas convicções), não me senti ofendida quando ela perguntou, só realmente estranhei o fato.

E mais estranho ainda foi que, mesmo depois de saber que eu não estava grávida, ela continuou a me tratar como se fosse avó do filho que eu não levava no ventre.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Choro pra Alice.

Hoje, como de costume, fui me encontrar com meu estimado amigo, como sempre também, visitamos o MASP e eu pude constatar, mais uma vez, que sou a pessoa mais infantil que conheço, explico a conclusão. Ainda acho graça em "me perder" dos meus acompanhantes. Fugia das vistas dele e quando ele me procurava fingia só estar vendo um quadro mais adiante, então quando ele se distraia, escapava de novo e assim foi, como quando eu tinha 6 anos ou menos. Mas não vim aqui falar do meu instinto infantil. Toda terça esse meu amigo me convida pra ir com ele assistir aos instrumentais que o SESC Paulista nos dá, assim, de graça e com a maior qualidade. Infelizmente hoje foi a primeira vez que consegui ir, mas de qualquer forma fui. Fui e me senti tocada mil vezes, mas o toque mais profundo foi quando o senhor simpático e um pouco desajeitado que tocava o violão falou: - Agora mais uma composição minha, Choro para Alice. E completou: - Alice é minha filha. E então ele começou a tocar uma das canções mais lindas do mundo e aquilo me emocionou de uma forma inexplicável, não sei se era por pensar na honraria que seria para Alice receber música de tal qualidade como homenagem, não sei se foi porque um pai dedicou uma música pra uma filha ou se foi apenas uma dessas emoções que vem e que não adianta questinarmos. Sei que me emocionei muito e recomendo o trabalho de Celso Moreira a qualquer um que tenha acesso.