terça-feira, 23 de junho de 2009

Retorno.

Tia Sandra diz: Oi, atriz lindona! Ferdi diz: Olá. Tia Sandra diz: Falei para o Gabriel na hora do almoço "oi meu ator favorito" e ele perguntou "não é a Nono?" respondi "você é meu ator e ela minha atriz" ai perguntou "qual a diferença de ator e atriz?". Eu sai da tragédia pensando "Foi uma tragédia", no sentido tentativa de cômico da coisa, mas mais do que frustrado, só que quando as luzes se acenderam e eu vi aqueles rostos cheios de admiração aplaudindo de pé até depois de entrarmos nos camarins eu comecei a questionar. Sim, muitos - muito mais do que eu imaginava ou julgava que merecia - amigos e parentes na platéia sim, o que me faz questionar meu questionamento, mas, de qualquer forma, professores e o próprio coordenador elogiaram com ânimos inflamados e beijos e abraços. "Quais são seus planos agora? O que faz uma atriz depois que se forma?". Uma atriz eu não sei, eu vou continuar estudando enquanto procuro manter meu grupo trabalhando. Mas uma atriz, uma atriz mesmo, eu realmente não sei.. Abraços abraços abraços Beijos beijos beijos Morte a saudade morte a saudade morte a saudade Alívio alívio alívio Afeto afeto afeto Gratidão graditão gratidão Lágrimas reprimidas por mim Eu queria que vocês soubessem de tanta coisa que não dá pra falar. Eu queria tanto ter dado mais atenção pra todo mundo. Eu queria não ter exagerado na crueldade. Eu queria saber a dimensão do amor. Eu quero.. E eu não lamento que algumas pessoas não conseguiram ir. Foram mais do que faltaram, se convidei 20, 15 foram e isso é mais do que genial se situarmos a peça em uma segunda-feira fria, às nove horas da noite. Eu queria que todo dia fosse dia de apresentação. Eu queria ver todo dia o teatro lotado. Queria sempre sentir isso que eu sinto agora e não sei do que chamar. Eu quero.. Eu sinto saudade do que aconteceu ontem, no carro, depois de meia-hora que acabou-se a peça eu já sentia. Não quero perder isso.. Quero que vocês saibam, público anônimo, amigo ou familiar, que se eu faço teatro é com um objetivo muito bem definido, além de emocioná-los e divertí-los e entretê-los, espero que tenha ficado uma reflexão pra vocês e que os mesmos não tenham preguiça de refletí-la. Obrigada por saírem de casa em benefício do teatro, nós agradecemos em nome dele e em nome nosso.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Medéia.

Lutei o ano todo pra conseguir, se concretiza hoje: Medéia..

domingo, 21 de junho de 2009

Naceram pra eu ter como me decepcionar.

Porque parece que tem gente que nasceu pra fazer a gente infeliz. Parece que tem gente que nasceu pra fingir pra gente. É só uma questão de não ter ele nunca por perto. Me dá vontade de falar, falar e falar, mas mentira eu pago com silêncio, sem contar que já foi tudo dito sem que eu precisasse dizer. Omissão nem chega a ser, mentira mesmo, mentira inocente. Engraçado são os lapsos de consciência "Você está estranha porque está pensando 'por que ele não fez isso e isso e isso se disse que ia fazer?' eu sei que é isso mas é que..", seguidos de explicações absurdas e vazias que só faziam me decepcionar mais e mais, então, depois de quinze discussões sobre o nosso problema eu quis deixar em pratos limpos "Então sejamos colegas, não me chama de amiga", seguiu-se uma ceninha babaca e um "Ok" nada sincero meu, seguido de tudo que eu premeditei, um bando de mentiras sem fundamento e tristes só pra mim. Engraçado, eu sinto que ele tem vergonha de mim, porque eu sou muito certa pros seus amiguinhos erroneamente descolados, engraçado é que eu que devia ter vergonha dele não tenho. E mais engraçado é que eu não vou falar nada nunca mais, porque cansei de elaborar palavras e qualquer outra coisa, engraçado é que eu vou tratar com naturalidade e apagar da minha vida pra sempre no dia seguinte depois do último simultâneo "Até logo", engraçado é que eu vou saber, friamente e mais uma vez, que é uma despedida pro nunca mais e vou fingir que não, engraçado é que eu. com todo meu amor, sei ser mais fria do que qualquer um de vocês poderia quando o assunto é algo mal terminado.. Da primeira vez que me aconteceu de dizer "Até logo" pra sempre eu não chorei e não choro até hoje, agora da segunda eu estou chorando, porque da primeira eu só soube que era o último adeus quando foi e desse eu sei de antemão, eu sei que vou ter que fingir e fingir e interpretar depois de descer do palco e como minha personagem eu terei que matar minha amizade, não que ela se tornará menos cara por isso. Se fosse recíproco, se da parte dele não fosse falso, eu amaria partilhar minha vida com ele como nos tempos que tudo era de verdade, como na primeira vez que a gente se viu, sentados naquela escada de metro empoeirada, como da primeira vez.. que.. eu.. tive.. um.. amigo.. assim.. e achei que sempre teria e inventamos um mundo para nós e sorrimos de piadas criativas e.. Acabou-se.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Nasceram pra eu ter quem admirar.

É que tem gente que parece que nasceu pra fazer a gente feliz. É que tem gente que parece que existiu pra existir na vida da gente. Eu vou explicar melhor, por exemplo, ela estava dizendo: "Ah, ela está melhorzinha, agora sabe que ele não gosta dela da forma que ela gosta dele mas diz que só de ter ele por perto já está bom", não, não é da parte paixão não correspondida, na nossa fingida hierarquia, acho que até sou muito bem correspondida, é da parte deles só existirem, digo, não, é mais que isso, eles precisam estar por perto, da parte que só deles estarem por perto já está bom, está mesmo. Aí nós estávamos lamentosas dizendo que vai acabar e: "E agora?" Ele disse: "Ih, vocês são sarna, conheço quando é sarna, não saí de perto não, sarna, pode acabar que sempre vai estar por perto". Eu quero ser eternamente sarna, porque me emociono só de pensar.. Eu estava dizendo: "Eu vou ganhar na mega-sena e você vai ser obrigado - porque vou pagar um salário irrecusável - a dirigir todos os meus espetáculos" e eu sei que soa como quem quer comprar - mas não foi assim que as coisas começaram? de início eram contratados, digamos assim - e amizade não se compra, eu acho, mas eu compraria se fosse preciso, comprava mesmo e pra sempre. Porque só de eles estarem por perto já é suficiente. Ele estava falando: "Calma, gata, sou eu, sabe? É o Rafa" e era ele mesmo e mesmo assim eu estava surtando e mesmo assim ele tinha paciência. Aí ele disse: "Ah, então quer dizer que eu coloquei meu paletó, todo chique pra você fazer 'ai, assim tá ótimo'? Assim comigo não, hein?", claro que não, é que eu realmente detesto câmeras e elas me deixam nervosa, eu sei que ela é um doce, é mesmo, eu adoro ela e isso piora mais ainda as coisas, porque eu quero que ela me ache boa, mas isso são outros quinhentos, a questão é que ele merecia um castelo mais do que ninguém, mas eu não soube deixar isso claro depois, por mais claro que deixe toda vez que meu olhar encontra o dele.. "E que tal uma chaleira?" Eu pedi e ele levou o meu livro preferido e eu pude até ler umas páginas e rir e chorar em menos de duas, porque aquele livro é tão sensacional que faz isso com qualquer pessoa mais sensível que uma porta. Daí eu disse: "Eu sou a única que não fala de coisas humanitárias no programa". E ela me corrigiu: "É nada, eu falo sobre turismo, senão ia virar 'Caridade S.A.' e não é isso". Ela sempre fala as coisas de um jeito engraçado. E então ele fez eu virar uma velhinha perfeita em postura, o que eu acho engraçado nele é que ele só tocou duas partes do meu corpo e é SEMPRE assim, ele apresenta soluções tão óbvias, tão simples pra tudo, é como se ele soubesse sempre o segredo da vida e o segredo do mundo, mas quando eu digo isso ele fica achando que eu estou exagerando e se eu digo que nunca serei como ele ele diz que é dez anos mais velho e que na minha idade sabia tanto quanto eu, ou qualquer coisa que me motive assim. Ele está sempre a me fazer sorrir, eu contei que ia pra Amsterdam e ele disse: "Olha, uma amiga nossa foi pra lá e voltou toda roxa e a gente perguntava o que aconteceu e ela dizia 'Foi o Gurt, o Gurt me encontrou me deu um beijo e me encheu de porrada', tipo, a pessoa achou que encontrou com o Kurt Cobain, então, Ferdi, cuidado com Amsterdam" eu estou rindo disso até agora por mais não-engraçado que pareça, é que ele se fala "Abacate" é sempre de um jeito, se não engraçado, pelo menos gostoso de ouvir. Mas não é só ele, o Tom nos contou uma piada, desceu lá pra nos fazer uma companhia, só de ele estar lá é como se um mar de alegria, é verdade.. E quando ele chegou com o Tom lá em baixo? Só de OLHAR os dois já doía meu coração de alegria, acho que eles vieram pro mundo pra eu ter quem admirar, sabe? Acho mesmo! E meu irmão gosta tanto do Tom também, da segunda vez que eles se viram ele tirou o boné do Tom e disse: "Gosto mais sem boné". E eu concordei. E ele, o Rafa, ele falou da minha mãe e minha mãe falou dele, sem um saber que o outro tinha falado do um e eu achei isso engraçado. Ele estava lá só parado, ele estava lá só me dizendo "oi" e meu coração já não conseguia mais parar quieto. Eu estava lá quase perdendo os sentidos e já tinha até acabado e um outro deles disse: "Isso é bom pra você saber que não gosta". Porque eu tinha dito: "Por que diabos eu procurei uma escola de teatro E TELEVISÃO? Não faz o menor sentido". E quando ele me respondeu isso eu quis me retificar - mas não tinha como falar sem parecer de alguma forma apaixonada demais - quis dizer que Zeus me livre ter procurado outro lugar porque se tivesse não teria conhecido eles e Zeus sabe que se eu sou feliz é porque os procurei, acho que a aula de televisão é o preço que se paga pela felicidade, apesar de eu amar esse preço quando estamos falando dele em teoria. Mas então que toda vez que eu falo o que sinto sinceramente sobre alguns deles, principalmente meu moreno mais lindo, ele pensa que é exagero ou algum deslumbramento juvenil em relação ao gostar e ao se dar bem e talvez seja, mas é que eu nunca conheci pessoas são incríveis e acho tão difícil conhecer - mesmo sabendo que vá conhecer outras - ao passo que eles devem conhecer aos montes, eles tem sempre alguma experiência absolutamente improvável e feliz pra contar e se infeliz a gente tem vontade de pegá-los no colo e nunca mais deixar eles sentirem infelicidade, é de verdade.. Eu não sou religiosa mas se passar a rezar pode ajudar ele a nunca mais ser assaltado eu vou passar a rezar todas as noites e falo sério. Eu queria, aliás, eu quero que eles tenham tudo de alegre que se pode ter no mundo, porque quando eu estou perto deles tudo que existe no mundo me parece alegre e genial, as coisas tem outras proporções e parece que eu nunca mais vou chorar. E nunca mais vou se sempre lembrar que eles existem e que estão bem aqui ao alcance do meu abraço e eles estão. Mesmo que não possam ir na segunda, pouco me importa - não, na verdade me importa bastante - mas, ao menos com eles, eu jamais saberei ficar ressentida por nada, por nada mesmo, porque eles são pessoas que só fazem feliz.

domingo, 14 de junho de 2009

Jantar literário.

Era pra ser um Foundue Literário, mas não foi. Não perdeu em nada, eu aposto, mas só aposto porque não tenho como provar já que não jamais participei de um. Eu pensei "Família por família, apesar de amar muito aquela outra eu amo bem mais a minha" e então fiquei, sim, com um certo pesar de saudade de minha Lucy, mas também me falta minha família, e o piano, e as conversas infinitas, a poesia.. A poesia! A proposta era um jantar e um sarau em família. A realização foi: Um jantar ultra delicioso acompanhado da melhor conversa do mundo, os melhores sorrisos e até um bom vinho, isso em família e alguns bons amigos, um violão inesperado com outro estilo que independente do meu agrado tinha um sorriso novo que o segurava e me agradava tanto a imagem quanto as palavras e o olhar, um novo alguém e um violão, o piano estava lá como sempre e foi tocado lindamente por ele e arranhado por mim, poesia, muita poesia: Camões, Vinícius, Pessoa, Drummond, Meireles, Neruda, Mendonça. É. Mendonça. Minha poetisa contemporânea preferida empatada com o Caio Fernando Abreu carrega meu sobrenome, é da minha família e me deu o privilégio de ouvir os poemas com entoação de autor. Vestindo letras, pra quem interessar. Então depois ouve o momento do chá. E a despedida pra dali o dia seguinte foi gostosa, voltei com três livros felizes e mais de mil novas perspectivas. Minha mãe e eu no carro, e ela me fez rir de passar mal porque sabe ser mais divertida que qualquer amigo meu, até o melhor humorado, mesmo depois dos quarenta. E então hoje conseguiu, heroicamente, ser melhor do que ontem, que foi um dos dias mais felizes também. De muitos que já fui, foi o primeiro Noitão do HSBC Belas Artes que passei cercada de amigos, não que a solidão me incomode em qualquer momento. Além de passar o dia também em família e ganhar coisas que mais do que coisas são carinhos de mãe.. Eu tenho sorte demais e às vezes esqueço, isso é pecado na minha religião. Acho que vou colar lembretes pela casa: Você é feliz e isso é incontestável! Como uma amiga minha colava na casa dela, mas ela.. ah.. ela faz parte de outra história.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

E tu me atraiçoas!

"Ó mais celerado dos homens. Eu que te salvei a vida como sabem todos os gregos que embarcaram contigo no navio Argo." Não, eu não salvei sua vida e nem fiz nada por você. Amigos: Eu dizia que sim e te guardava a honrarias. Guardava nosso projeto de amizade com um carinho e fragilidade de fino cristal. Então você me cobrava explicações que amigos gostam de saber e eu dizia com prazer, mas você mentia nas suas. Você usava bordões meus pra me ferir com outro qualquer que não o valia. É, talvez eu tenha sido precipitada, mas eu cansei dos enganos da vida e por mais que esse talvez seja mais um deles, prefiro arriscar e errar me protegendo do que mais uma vez dar de cara com o fim de um abismo de não-considerações e mentiras. Sim, é isso que eu espero de você, quem mente uma vez, mente mil. E eu não vou averiguar, por mais injusto que soe, eu não vou falar mais nada. Você nasceu há alguns meses pra mim e hoje, 12 de junho de 2009, está morto, morto sem lembranças ou lamentações. Morto e esquecido. E verde. E putrificado pela sua própria podridão. Obrigada por morrer antes de se tornar de fato importante pra mim, obrigada por morrer antes de ser mais que uma sombra, até uma certa consideração em toda a sua falta dela.. Espero que você não questione e me deixe pra sempre em paz, estou cansadas de ouvir choros desculposos ao telefone, estou cansada de drama e hoje corto pela raiz o que nem tinha saído pra fora da terra. Não é uma despedida, é uma carta ao esquecimento sobre quem já nem lembro..

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Lá vem o negão.

- Ermã?

- Fugi com o negão.

- Então com quem eu estou falando?

- Lá vem o negão, cheio de paixão..

- Ermã?

- Te catar, te catar, te catar..

- Quê? Ermã então..

- Querendo pegar todas menininhas..

- Mas, ermã, com quem eu..

- Nem coroa ele perdoa, não..

- Que que você tá fazendo?

- Fungou no cangote..

- FERNANDAAAAAAAAAAAAAA!

- Da linda morena.. te catar, te catar, te catar..

- Você está miserável! Me obrigou a falar isso.

Aí, nesse momento, eu apanhei :(

domingo, 7 de junho de 2009

Nosso muro que aproxima. Ou "Haveria eu que agradecer?"

Éramos eu e ele, sempre sozinhos. Naquele mesmo lugar, sempre eu, às vezes ele. Andávamos de mãos dadas. Não, não andávamos, mas ele deve ter me dado a mão alguma vez, se eu fechar os olhos eu posso lembrar do toque dele nas minhas mãos, mas talvez possa ter sido num dos tantos sonhos que me acompanham desde que ele foi embora, não me lembro. Eu fechava os olhos pra aproveitar melhor o momento e guardar aquela felicidade intacta dentro de mim. Não, eu não fechava os olhos, só os comprimia na hora de sorrir, mas deveria ter fechado e deveria ter pego na mão dele. Eu ouvia a voz dele, a voz que era simplesmente dele, não era diferente do que eu imaginará porque eu não tive tempo de fantasiar voz alguma antes do meu celular tocar e eu ouvir a voz dele, que era dele e pronto, exigindo minha presença. Eu não imaginei o sotaque, nem o toque dos cabelos, tudo ficou na minha memória porque existiu antes de ser imaginado, nenhuma decepção, nenhuma diferença do meu ideal, porque o ideal era o que estava na minha frente. Nenhuma barreira intransponível, nenhum computador separando nossas palavras, só duas pessoas juntas e sempre sozinhas. Eu nunca vou esquecer aquele sotaque nunca antes imaginado e aquele jeitinho quase tímido que não trazia timidez nenhuma. Éramos um menino e uma menina andando sozinhos no nosso lugar preferido. Era um garoto que eu sabia muito bem como era, eu o via toda semana, trajado sempre de maneira coerente e com uma beleza ideal. Eu não ousava imaginar nada mais, ele estava lá e era o ideal, ponto. É claro que eu gostaria de me aproximar de alguma forma, mas como seria possível? Nós não tínhamos maiores desculpas e eu até poderia dar "oi" pra ele se quisesse, mas tinha certeza que isso só me deixaria com mais vontade de entregar toda minha vida pra ele, fosse em palavras, em pedaços de papel, em sorrisos ou com meus olhos. Eu queria que aqueles olhinhos quase mestiços olhassem pra mim inteira e não pra uma garota. E começou como se começam amizades, não era de amizade exatamente que eu falava, era de algo a mais, eu queria que ele dependesse de mim, mesmo que outrora achasse isso impossível, eu queria ser única pra ele, ser a musa dele. E então eu comecei a entregar fragmentos da minha alma, através da intransponível barreira que o computador representa. E o que eu faria toda semana a partir de então? Eu veria ele falar e a voz dele soaria como? Ele ia sorrir olhando pra mim? Uma coisa é a gente ver alguém sorrindo, outra coisa é quando elas sorriem olhando pra gente. E se eu não conseguisse falar com ele? Essa coisa de computador ainda me deixa louca, apesar de me ajudar mais do que qualquer outra coisa, é através dele que eu posso deixar de ser só uma garota. Então ele estava lá e eu podia dizer o MEU "oi" agora e não o "oi" embalado por amigos em comum. Eu disse meu "oi" e parti rapidamente antes que ele visse a vermelhidão das minhas bochechas, fiquei frustrada comigo mesma e fui terminar de assistir a aula pensando o quanto eu era babaca. A aula terminou e eu fiz hora, eu sempre faço hora, eu queria ver ele pelo menos indo embora, mas ele era uma pessoa normal - falando de vermelhidões e falar com conhecidos - e falou comigo, ele perguntou pra onde eu ia e eu tive que me justificar, de modos que quis morrer mas me justifiquei e fui recobrando minha dignidade. Ele foi embora comigo e ele sorriu olhando pra mim, o olho dele fechava de uma maneira mais bonita e acabava me deixando mais envergonhada do que eu previra.. A voz dele era tão doce quanto ele mostrava que seria enquanto ia se transformando de um garoto ideal de beleza a um garoto com alma diferente, ele foi embora. E desapareceu. E eu não sabia o que fazer na semana seguinte, fiz hora, que não deu tempo e desapareci. Ele reapareceu do outro lado do nosso muro de Berlim, que acaba por nos aproximar por não podermos estar perto. Então me reapareceu aquele sentimento de querer saber, quem ele era, por quê, me reapareceu o sentimento de poder ler o que ele dizia ininterruptamente durante 13 anos e jamais me cansar ou sentir entediada. E eu não verei ele na próxima semana.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Pimentas & Ácidos.

- Por favor, é uma delícia. - Você é doente, é o sexto. - E nem é o com melequinha. - Eu lembro do da mele.. - E tinha um salzinho por fora. - Éééé.. - Você promete que se achar guarda pra mim? - Num pedestal. - Vou guardar esse. - Guarda num pedestal também, com uma plaquinha em cima "para emergências". - Eu sou viciada. - Não nos veremos por vinte anos e eu guardarei num pedestal, com a placa "Para Letícia, afaste-se", mas escrito com letras cautelosas e esquivas. Então eu vou esperar por toda a vida a te entregar, até receber a notícia da tua morte, morte essa que conservou a beleza intácta, morta e linda, linda como eu não consigo descrever. Então eu vou no seu enterro, não derramarei nenhuma lágrima porque a dor será mais forte que essa possibilidade, então, com um gesto desesperado e a procura de que ninguém visse eu te colocaria o chiclete na boca, você espumaria, todo mundo se indagaria e eu dissimularia. Você ressuscitava, a gente casava, mudava pro campo e abria uma loja "Chicletes & Ácidos" e depois você viveria até perder a beleza e quando isso acontecesse por completo eu te deixaria, ia embora com um pote de geléia de morango nas mãos, você não ia reparar, estaria mascando chiclete de pimenta, dez vezes mais forte do que esse.. - Tinha uma loja em Anastácio que só vendia chiclete de Pimenta, de todos os níveis, daí fechou e eu fiquei chateada. - Hum.. - Ficava em cima do Shopping. - Acontece.. - Mas eu fiquei chateada. - Você é doente!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Como conto pra amigos.

Ok, então eu acordei e fui buscar meus trabalhos (que realmente foram trabalhosos de se fazer) e, adivinha? Tinham ROUBADO. Exato, tinham roubado. Tipo.. PRA QUÊ? E que tipo de pessoa rouba TRABALHOS ESCOLARES? Fiquei muito furiosa, muito, muito mesmo. Daí deixei um bilhete mal educado no hall: "Caros condôminos, Favor só recolher as correspondências endereçadas a vocês. Violação postal é crime." Mandaria beijos, mas minha letra estava muito grande e disforme por conta do ódio e não coube, enfim.. Daí, como se não bastasse, minha mãe veio brigando comigo porque eu tinha ficado furiosa e estava criando um clima de fúria muito desagradável, estava carregando as energias e essa porcaria toda, ok. Fiquei com mais ódio, me enfiei nos fones de ouvido e comecei a ouvir uma banda muito horrorshow que fala sobre ultra-violence, prostituição, assassinato, incêndios e esse tipo de coisa boa pra se ouvir com ódio. Aí, de brincadeira e só pra me aliviar, comecei a matar as pessoas da rua, olhava pra elas e imaginava que eu tinha um machado e o direito de arrancar as cabeças das pessoas se eu quisesse, só salvei um senhor que tinha jeito de ser muito inteligente, de resto, matei todas, além de ter quebrado um monte de lojas com meu bastão de baseball imaginário e tudo mais, foi cem por cento e eu fiquei um bocado feliz. Mas aí, quando eu estava queimando uma fábrica, me veio um pensamento bem infeliz na cabeça, pensei que algum sádico desgraçado que nem eu podia incendiar a escola do meu irmão de repente, se quisesse, daí fiquei com ódio e meio deprimida, então pra aliviar comecei a pensar na minha peça, o dia da apresentação e tudo, as meninas estavam lindas, todo mundo muito bem arrumado e cheiroso, aquela coisa toda elegante de teatro, mas de repente minha imaginação foi acontecendo sozinha (ela sempre faz isso, parece um ser independente) e nessa imaginação eu via a peça da platéia, aliás, nem da platéia, eu estava de pé na frente do palco. O estranho é que não estava atrapalhando ninguém porque estava lá mas NÃO estava lá, é como se fosse eu um espírito. Então no final da peça as garotas iam ao microfone, muito emocionadas e tudo e colocavam uma foto minha no telão (essa: http://www.orkut.com.br/Main#AlbumZoom.aspx?rl=pc&uid=4838635002711753017&aid=1226129778&pid=1243563712031$pid=1243563712031 , pra ser mais exata) e depois começavam um discurso choroso sobre como gostariam que eu estivesse lá, explicaram que eu era uma atriz do grupo que tinha acompanhado todo o processo mas que, infelizmente, na reta final tinha sofrido um acidente de carro com minha mãe e morri. O engraçado é que um monte de amigos meus estavam na platéia mesmo assim, eles jogaram rosas no palco, choraram.. foi tão triste que eu acordei chorando do meu devaneio. É, eu sei, às vezes eu posso ser um bocado estranha. Mas daí eu fui numa lan house, imprimi meu trabalho e cheguei atrasada na aula. A sorte é que todo mundo chegou, inclusive a professora (e ela, graças a Zeus, mais do que eu), a única questão é que mudamos toda a estrutura do nosso programa e por conta disso todo o stress por conta do trabalho foi em vão, mas de qualquer forma tudo ficou melhor. Agora ao invés daquelas perguntas tontas vou poder entrevistar o RAFA sobre o "EXTREMAMENTE ALTO E INCRIVELMENTE PERTO", ok? Isso mesmo, estou até meio emocionada.. sério. Sem contar que ela falou que entrevistará o Marcelino Freire e quer que.. AIMEUZEUS.. quer que ESTEJAMOS PRESENTES! É, nós vamos conhecê-lo e presenciar a entrevista, digo, é uma possibilidade não confirmada, mas só dela ter cogitado.. é tão lindo.. sério.. e pensar que eu sentia medo dela antes. A Paula é um anjo, um anjinho lindo, é mesmo. :D Aí depois tivemos aula de montagem e foi legal e tudo. Amanhã vou levar o Biel comigo e depois do ensaio e das fotos (amanhã o fotógrafo vai lá pra fazermos as fotos da divulgação e tudo) vou levá-lo na Cultura e talvez o André nos encontre lá e.. ah.. poxa, amanhã tem tudo pra ser um dia ótimo, sério mesmo, estou zuper empolgads ok. Mas hoje levei um baita susto, baita mesmo, horrível.. Eu estava lendo sentada na calçada (porque lá bate sol e eu estava congelada) e as meninas já tinham ido embora, ok, tudo belo e tal eis que.. EIS QUE as três descem a rua correndo desesperadamente atrás de uma viatura. Pensei: oi? E fui lá, né.. A Lê tinha sido assaltada, o cara estava com uma arma e ficou ameaçando ela e ela estava toda abalada e foi horrível.. As outras duas tiveram que ir embora, mas eu fiquei lá com ela, fomos na delegacia, fizemos o boletim e lá se foi minha tarde. Agora tenho que fazer três mil e duzentos trabalhos que não sinto a mínima vontade, mas já adiei demais e.. mesmo sem vontade estou com vontade, sabe? É que eu preferia assistir "Veludo Azul" ou coisa que o valha, mas não é de tudo ruim fazer os trabalhos, enfim..