quarta-feira, 8 de junho de 2011

Repolho feio e roxo.

Era uma vez um repolho roxo que não sabia sequer que era repolho ou tinha cor, ele só estava lá, parado, crespo e infeliz.
O repolho roxo conhecia um bocado de hortaliças maravilhosas e gentis (gentis com outras hortaliças, porque ninguém nem sabia que ele estava ali).
O repolho roxo assistia muitos filmes e novelas americanas, com hortaliças que pareciam ser super felizes e animadas e parecia mesmo que elas faziam algo que significava algo, que faria do repolho roxo um repolho feliz.
Mas o repolho roxo era essa coisinha gorducha, meio feia, que não tinha muito talento nem força de vontade, então pra ele só restava se lamentar de ser assim, tão incrivelmente perdedor e só saber reclamar de que a vida fosse assim, sozinho sempre, amando muito alguém, querendo muito poder contar com outras pessoas, mas sempre sozinho e infeliz e morto porque vão fazer CHARUTOS NUMA CASA DE COMIDA ÁRABE :((((((((((

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sobre botas e cílios grandes.

Banho de chuva com os primos rindo de algo que nem aconteceu.
Eu tenho esse primo que desde criança eu só sei achar tudo que ele faz muito belo e sensato e engraçadíssimo, acho que ele é a pessoa que eu mais gosto de estar por perto. Mas acho que existem muitas outras pessoas que são as que eu mais gosto de ter por perto, por exemplo meu irmão, o Dimi, o Luks, o Natão..
Porque sempre existem esses caras fantásticos pra me fazer lembrar que nem todo mundo abandona e não se importa. 
Eu sempre tive essa facilidade em amar, mas mais que isso, sempre tive essa facilidade em dar o meu melhor pra esses amores, que não é muito nem é perfeito, mas eu sempre tento fazer que meus sorrisos aconteçam para eles também.
Pra elas e pra todo mundo que consegue me fazer sentir amada e segura, todos os abraços e cartas, poemas e risadas.
O Natão está longe, todo mundo está, não tem ninguém aqui (exceto esse irmão que dorme comigo toda noite), mas eles estão sempre por perto, sempre na minha cabeça e sempre me fazendo lembrar de tudo que é lindo, e deixar meu coração quente de novo, tem uma lareira com cobertores, chocolates quentes e eles numa sala, todo mundo jogando Imagem e Ação, tipo minha ideia do que seria o Paraíso.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Tudo que é mau acaba em sorrisos.

Tem coisas e gentes que me inspiram.
Tipo esse rapaz.
Esse rapaz apareceu no cinema, porque tudo de realmente especial na minha vida, sempre terá algo de cinematográfico.
Pra mim ele era o "moço das botas" e pra ele eu era a "menina da calça rosa".
E eu sempre prestava atenção no moço de botas porque ele me parecia tão tímido, inteligente e encantador, sabem?
Sabem aquelas pessoas que tem um sorriso de dentes pequenos e te lembram seu irmão mais novo? Bem, ele era assim, o moço mais encantador da Terra naquela época.
E então eu, que achava que ele estaria ali aquecendo meu coração só até o curso acabar, ganhei esse melhor presente do mundo, que foi justamente fazer parte das pessoas que fazem parte da vida dele.
Conversávamos por horas e horas e nada era mais feliz para mim do que chegar em casa e ver se ele havia mandado e-mail novo. E sempre havia.
E eu que andava tão tristonha, tão gelada e tão morta por dentro, passei a sentir tudo de novo, mas de uma maneira calma e sem expectativas, ele sempre seria das pessoas mais importantes e isso sempre seria o suficiente para mim. E sempre é.
Falar com ele por dois minutos faz meu coração mais quentinho que berço de bebê, faz meu sorriso brilhante e eu esqueço todos meus medos, sinto sempre como se ele pudesse me salvar, mas não como se eu precisasse disso.
Merci, Luks :)

domingo, 29 de maio de 2011

Do que nem lembrava que era dor.

Eu te odeio e você é tudo que eu nunca quis ser, você é meu melhor exemplo inverso e tudo que eu queria é que você fosse atencioso como o meu avô é, que você cuidasse de mim, se importasse comigo por alguns momentos talvez, queria que você fosse capaz de olhar, nem que fosse por um segundo, pra alguma coisa diferente de você. Eu te odeio tanto e tão do fundo do meu coração.
(...)
Te odeio muito, profundamente, mas você não precisa mais ficar aqui e me magoar, você pode ir embora e morrer porque eu realmente te odeio e quero que você finalmente vá embora, porque eu te amei tanto, e você me abandonou de maneira tão injusta, eu te odeio.
Ódio represado malemá por 2 anos. Ódio que ninguém nem sabia.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Eu sou uma pessoa tão feliz que chega dar pra desconfiar. De fato. Na verdade eu sou só essa pessoa rancorosa e assustada que sempre acha que todo mundo vai fazer o favor de me abandonar e me deixar sangrando pra morte, eu sou sempre essa pessoa dramática e triste que tem tantas tristezas que não consegue admitir e nos últimos tempos, por conta disso, por conta de nunca se sentir realmente segura, ganhei uma gastrite nervosa. Uma gastrite nervosa por ter ódio de pessoas que não necessariamente fizeram algo contra mim ou sabem que eu existo, esse ódio constante e esse medo de perder, essa raiva que me faz alucinar de dor, de medo, de raiva mesmo, sabe ódio do músuclo tremer, de querer matar e gritar com a pessoa e bater nela? Eu mais do que qualquer ódio, odeio odiar, porque ódio é o sentimento mais burro do universo, ódio só afeta quem sente, o ser odioso e odiado nem sequer sabe que é objeto de tamanho repúdio, o ser odiado é abstrato muitas vezes e o ser, os seres odiados vão me matando dia após dia, devagarzinho, lentamente e com sorrisos espalhados pelo mundo.
Ultimamente eu procuro não pensar sobre nada, que é pra não doer, não odiar, não sofrer mais e mais. Esse medo constante, essa dor em lugares que eu sequer sabia que poderiam doer, essa ânsia de alguma coisa que acabe com esse medo, mortes, sabe? Mortes que não acontecem e nem acontecerão nos próximos sei lá quantos mil anos e a questão não é essa, o medo só existe porque existe em mim, porque de alguma forma que eu gostaria de saber controlar, eu deixo ele existir, se apossar, me tirar o sono e a vontade de viver. E por causa de todo o ódio e todo o medo que eu tenho chorado tanto, mas explicar isso me humilha e me dói mais. Me faz menor.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Moço.

Ele entrou e eu pensando "é maluco" e se confirmou.
O moço que me lembrou o passado duplamente, me pegou pela mão e me chamou pra dançar, ele sabia meu nome mesmo sem ter como e tinha um sorriso calmo.
O moço não sabe que eu sou menina pequena e insiste em pegar na minha mão.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Dia bom.

Às vezes eu me esqueço de como é fácil ter um dia bom e fico no comodismo dos dias ruins e do ter do que reclamar.
Mas então eu me enfezo e tenho o melhor dia, assim, sozinha, sem precisar de ninguém.
A graça é que sempre que eu resolvo ter um dia MEU que será bom, acabo contando com surpresas ótimas. Como amigos encontrados no meio da rua, gatos pulando amistosos e coisas simpáticas de toda a sorte.
Acontece que ontem meu dia bom não foi só bom, foi decisivo. O dia gritou pra mim que eu tinha que voltar a fazer o que eu amo fazer e se alguém adivinhar o que é não ganha um doce, porque acho que até o padeiro aqui da esquina que nunca falou comigo pralém de "quantos pãezinhos?" sabe. E eu não tenho muitas balas e sempre cumpro minhas promessas, então, né. Pois é.
E já que eu me vicio em coisas boas hoje também está sendo um dia bom, um dos bem ótimos com mudanças e tudo, filmes e corridinhas e até fotos em cabines fotográficas, porque eu sou muito genial (como todo mundo é) pra ficar em casa me lamentando, ao invés de viver.
O livro que me gritou a vida, foi Franny & Zooey, então deixo minha dica a respeito. Leiam!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

53 dias e um gato.

Acordar em cama estranha e trocar, do lado mais conhecido.
Cama gelada, coração quente.
Rolar por mais 5, mais 10, mais 12, mais 2 horinhas.. acordar contente.
Fazia um sol tímido e gelado, fazia um céu azul e alegre, o verde estava mais verde e meu coração estava tranqüilo.
Tomei um gole de nada e fui ansiar aquela coisa que anseio desde sempre e que parece que chegou mas não está mais aqui.
 Passei o dia sorrindo, vendo o pôr-do-sol, minha árvore e um gato.
 É que me apareceu esse gato que mais parece um cachorro, é um gato carinhoso que deita com a barriga pra cima pra gente fazer carinho, é o gato mais bonito da Terra.
Ele vem quando a gente chama, ele pede carinho, ele faz cócegas na gente.
Me apareceu esse gato.
E como se não bastasse o gato nós - nós de sempre, que eu amo um tanto, eu minha tia e meu irmão - nós compramos um monte de chás e guloseimas e viemos aqui pro apartamento mais legal do mundo pra conversar e ficar mais feliz, mesmo meu irmão estando com besteira.
Minha tia disse: "você tem que estar com alguém que ache que estar com você é a melhor coisa do mundo".
Minha tia faz piadas parecerem ter graça e eu não estou achando graça de passar 53 dias longe dela. O consolo é que terão perfumes, chocolates, chás e fotografias na volta.
Mas eu ainda acho 53 dias um exagero.

sábado, 30 de abril de 2011

Não pensar sempre ajuda.
Seja lá do estejamos falando, é provado que se você não pensar na tal coisa, as probabilidades delas darem mais certo são bem maiores, pelo simples fato de que a cada vez que você pensa em algo cria-se uma nova expectativa difícil de ser alcançada. Então ela vinha trabalhando nisso de não pensar. Mas não pensar em nada, por exemplo: Se ela estava na frente do computador checando seus e-mails seus cérebro deveria estar totalmente compenetrado nisso, podando todos os devaneios. É difícil não devanear, muito mais difícil que deixar seu cérebro a vontade.
Dentro do trólebus um monte de pássaros começam a se aproximar e quando a porta abre quem entram são eles: gritando, gritando, gritando e vindo em sua direção. Acordou.
Tentou comer um pedaço daquele bolinho que ela gostava e conseguiu, porque afinal de contas o bolinho é muito bom.
Saiu às 13h pra só voltar no outro dia, seja como fosse, porque hoje era um bom dia para se divertir com pessoas que ela gostava. Sempre é um bom dia, mas hoje estava nublado e frio.
Não tinha nada que a atormentasse lá. Latinha de cerveja - não gosta. Gosta.
Vodka - não gosta. Uma, duas, três. Tá tudo bem, mas meio girando.
Eu sempre gostei dessas luzes e a cor do cabelo dela é mesmo bonito. "Seu cabelo é mesmo bonito".
De repente está acontecendo uma cena de cinema muito bonita que depois foi narrada com mais beleza ainda. Eu fico muito feliz que isso tenha acontecido, está tudo bem agora. Pra eles. Está tudo bem pra mim, também.
Tomei café da manhã em uma das minhas padarias mais querida e eu estava pensando, Bairros nobres pra serem mesmo nobres tem que sempre ter uma super panificadora bonita, né?

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Estava aqui.

Eu estava imaginando que morava numa casinha no meio do campo, então tinha um lago se eu caminhasse por alguns minutos, um lago com uma pedra que eu gostava de deitar e dormir, a água ia passando e eu ficava lá, sozinha, tranqüila, sabendo que estava tudo bem, sabendo que quando eu voltasse pra minha casinha minhas tias estariam lá com alguma coisa legal pra me falar, com florais e cartas, com sorrisos, terapias alternativas e chás.
Chegando lá eu ia até meu quarto toda geladinha, deitar nessa cama maisconfortável do mundo, toda aconchegada e tiraria uma soneca.
Eu estava imaginando que depois disso eu poderia assistir filmes engraçados com todo mundo e de noite ler um livro sobre pro Biel, tomando um chá de (como ele diria) Ibispo e comendo aquelas tortas que a tia Vera faz.
Eu estava pensando que eu poderia ter uma balança pendurada numa árvore, eu ia me empurar até sentir que eu e o céu éramos um só.
Eu estava pensando na minha vida e em como ela fica tão mais colorida se eu paro pra contemplar tudo de lindo que eu tenho nela.