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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Eu ficava "cru cru cru" e as corujinhas "we we we".

Acontece que geralmente eu não me obrigo a fazer sentido porque é chato, eu me entendo no final, mas não necessariamente de maneira concisa. O pensamento se estende até o infinito pra voltar e fazer qualquer espécie de sentido, porque eu sou livre de mente, eu tento ser livre na mente, pelo menos lá porque de resto não acredito em liberdade.
E não acredito também em conversões, porque tudo tem seu tempo e não dá pra convencer ninguém de que o bom é ser bom até porque o que é certo pra você não necessariamente é pro resto do mundo. Por isso hoje eu respondi sem remorsos pra uma beata que tentava me converter que "não, eu não amo jesus", no que ela me respondeu "ain, ele te ama" e eu disse "que bom, é sempre bom amar". Não acredito em conversões e nem que ninguém tenha o direito de tentar te converter, é imbecil pretensioso e ofensivo. Não, não vou virar carnívora, vegetariana, boa ou má, não vou ser ruiva ou loira ou pesar 40kg ou 120kg, não vou ser o que você acha que é melhor porque já é tão difícil se desprender do mundo pra achar nossas próprias opiniões que me pergunto como pode alguém achar que me trás elas prontas e me faz bem com isso. Não.
E também acho muito imbecil que as pessoas não assumam suas diferenças mesmo depois de velhas, a gente espera que elas amadureçam não por nada, mas faz parte do processo, mais se vê mais se aprende, não sempre. E aí alguém, burro e tacanho vem me dizer que eu tento ser diferente que eu sou muito esquisita, negANDO a própria observação. Mas deixa que fiquem obsoletos pra sempre, tentando pertencer e achando que pertencem, deixa que morram.
Que morram pequenos;

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

À la autobiografia de Bukowski.

Um dia eu estava andando de carro com a minha mãe, eu estava com raiva dela porque ela nunca dava atenção suficiente pro meu irmão de 5 anos nem pra mim, que apesar de estar quase completando 18 anos queria ter uma mãe, e no entanto mimava a droga de um cara que não conhecia há nem uma semana como se dependesse dele pra viver.
Estava sem falar com ela de raiva, frustração e sensação de impotência, até que ela começou a me provocar:
- Eu fui com meu namorado num barzinho ótimo, você ia adorar.
- Foda-se.
- Que que é, hein, sua filha da puta? A gente faz tudo por você, todos seus mimos, enfio dinheiro no seu cu todo dia, é 50, 80, 300 reais, a quantia que você pede pra você me tratar assim?
Eu não respondi nada.
- Que caralho você nunca está satisfeita com nada. Eu namoro quem eu quiser, ele é um cara legal e eu estou muito feliz, viu? Estou apaixonada.
- Não está, só quer fazer o papel da adolescente rebelde, sua ridícula, a adolescente da família sou eu, sabe? E eu não sou escrota assim, você podia crescer um pouco, só um pouquinho porque já me deu no saco e ele não é uma boa pessoa, você só é burra e tacanha e quer se convencer que ele é por carência.
- Até parece, né? Que eu estava me jogando no colo de qualquer homem que aparecia, pelo amor de Deus.
- Mas é isso mesmo, o primeiro escroto que apareceu você se abriu toda, você é muito otária. Pra você ter ideia do quanto te repudio até do meu progenitor eu tenho menos repulsa no momento, ele pelo menos gosta de passar tempo com o meu irmão.
- VAI SE FODER! EU GOSTO DE PASSAR TEMPO COM O SEU IRMÃO. E não fale assim do seu pai, ele é só um doente, ele tem uma doença, isso não faz dele um monstro. E que que você quer que eu faça? QUE EU LARGUE A PORRA DA FACULDADE E DO TRABALHO E FIQUE CHOCANDO VOCÊS, É ISSO?
- É, exatamente isso. Aliás, meus parabéns, continue ironizando, deve ser mais fácil ignorar sua omissão, né?
- EU NÃO SOU OMISSA, eu não tenho tempo, puta que pariu. O tempo que eu tenho dedico todo a vocês, levo o menino na manicure comigo..

Eu ri com tanto ódio e tão alto nesse momento que ela parou de falar. - INCRIVEL é que você realmente pensa que cumpre seu papel, incrível que você acha que faz muito mais do que deveria, aliás, acha que faz um favor em passar 10 minutos com seu filho. Ele é SEU FILHO e por mais que eu faça ele sente a porra da sua falta. Sua patética. - PATÉTICA É A PUTA QUE TE PARIU. - Você é a puta que me pariu, otária. - VAI SE FODER! - Você é tão ridícula que não tem argumentos e ao invés de perceber que tem falhas e tentar corrigir, apela pra agressão moral, você me dá pena e é um ótimo exemplo de como não quero ser, obrigada. - O QUE VOCÊ QUER QUE EU FAÇA? E o que meu namorado tem a ver com isso? - Você está obviamente sendo enganada e está curtindo, mas, parabéns, se você gosta de se foder, em breve conseguirá e MUITO bem. - O que você sabe que eu não sei? - Descubra sozinha! Eu já te disse mil vezes e você não me deu crédito, então descobre sozinha, porque agora eu torço mesmo pra que você se foda e bem fodido, eu vou rir, rir muito e festejar, porque você merece. Ela ficou sem fala, estava completamente descontrolada ofegante e vermelha. - VOCÊ QUER QUE A GENTE SOFRA UM ACIDENTE, NÉ? Já já eu vou ter um enfarto e a culpa vai ser sua! É stress de todos os lados e você não colabora. Eu faço tudo por você, estou sempre te dando dinheiro, te ajudando no que você quer. - Dar dinheiro é ser mãe? Então parabéns, você é a mãezona do ano, aplausos, gente, ela é ótima. - VAI SE FODER! Já já eu morro e você vai ver como vai ser fácil viver sem a PÉSSIMA mãe que você vive dizendo que eu sou. Eu sou uma péssima mãe, não sou? - É sim e gente como você não devia ter o direito de procriar. O resto do caminho nós fomos em silêncio, chegando no restaurante ela me tratou com cordialidade e doçura, na frente dos outros sempre foi um anjo. Entramos no carro de novo e ela comentou como era legal nosso rádio que mostrava o nome das músicas que passavam na rádio, eu permaneci muda. Ela me deixou no lugar que eu precisava ir e quando eu desci do carro disse "Te amo". Eu não respondi nem olhei pra trás.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Muito fácil viver com fé.

Três pessoas estão dentro de um carro, calor: - Sonho que um dia alguém declare ter mantido uma paixão secreta por mim durante anos, alimentado, vendo tudo de maneira platônica, até que, ao me conhecer melhor, a pessoa percebe que: não, eu não sou pra platonismos, ela gosta de mim além disso. - Eu gosto de pêra. - Eu vi um mendigo ontem com a cabeça tão cheia de piolhos.. ele estava caçando-os com as mãos, arrancava e jogava-os no chão. - Só falar disso me deu coceira. - O que ele faz pra mudar? - Como assim? - Ele está lá porque quer, o que ele faz pra não conservar piolhos? - Ah, claro, foi uma opção, lógico.. na verdade acho que é uma coisa de sonho, né? "O que você que ser quando crescer?" "Eu? Mendigo caçador de piolhos", deve mesmo até ser um hobbie. - É fácil ser irônica, você sabe que é verdade, ele não faz nada pra mudar. - Que condições ele tem? - Ele fez escolhas, podia muito bem cortar grama pra alguém, conseguir uns trocados pra pelo menos tomar banho, ir pra esses lugares que ficam os mendigos. - Claro! Por que qualquer hotel admite mendigos, né? "O senhor quer apenas tomar um banho e pagará por isso? Pois não.. cá estão as toalhas", se liga.. E quanto aos "lugares", são praticamente hotéis, né? Uma delícia.. sendo mendigo a única coisa que se tem é a liberdade, abrir mão dela pra continuar na marginalidade não faz nenhum sentido. - Ele está exatamente onde devia estar. - Aham, não é o sistema que apodreceu, a culpa é dele, cada pessoa que dê conta de si, porque a vida é fácil, aliás, nós somos burguesas felizes por que merecemos, né? Porque somos melhores que 5/6 do mundo, porque cuidamos de nós mesmas e fizemos por merecer, né? Não tem anda a ver com a família em que nascemos e com a condições que fomos criadas, nada a ver.. - Mas nós nascemos na nossa família por um motivo, cada um passa pelo que tem que passar. - Que fácil viver, não? Que fácil viver com a sua religião.. onde tudo é justo, cada qual está passando exatamente pelo que merece, onde os malignos e injustos serão punidos, que fácil viver quando nada está nas suas mãos, quando se vive em um lugar ótimo, se tem dinheiro, boa família e amigos, que fácil viver quando nenhum problema social te afeta ou causa angústia, porque, afinal de contas, nada mais do que justo! Meus parabéns, achaste como não ter fluxos de consciência, achaste uma maneira de se acomodar, largar a bundona gorda na poltrona, assistir a desgraça do mundo e dizer "tudo merecido". Sabe? Eu também tenho minha fé, tenho sim.. mas essa minha fé não me faz torcer o nariz pra quem tem problemas e me omitir completamente, pelo contrário, se as coisas são como têm que ser, eu vou fazer tudo que puder pra ajudar elas a melhorarem, porque, bem.. se houver uma forma, aposto que vão querer, essa tal força superior, aposto que ela vai querer que eu ajude, independente de qualquer força, minha consciência. Então continuarei reciclando meu lixo, tratando as pessoas com compaixão, desligando a torneira pra tomar banho, achando uma bosta esse sistema decadente e falido, me sentindo impotente, discutindo política e aflorando meu lado "avante mundo", porque, se todos fossem e pensassem como você pensa, bem.. o mundo conseguiria estar pior. Você deveria mudar pra Índia, o sistema de castas vem da religião deles, prega exatamente isso que você me diz, cada um que viva onde "o destino" o colocou. Mude pra Índia e viva sorrindo, com seu dinheiro, beleza e consciência limpa :)