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sábado, 6 de março de 2010
Inconstante.
As verdades de hoje não são as mesmas de amanhã.
Apagarei alguns rascunhos e outros traços surgirão.
A rosa que vi hoje naquele jardim não estará mais tão bonita.
Minha vontade de comer chocolate terá passado.
Meu cabelo não terá a mesma forma.
Nem seus olhos, seu sorriso, meu amor..
Meu amor também não estará mais ali, ao menos não da mesma forma.
O céu não será do mesmo azul e a noite não ostentará estrelas ou lua igual.
As ondas quebram sempre diferentes e eu sou como elas, então, meu querido, não confie nas minhas promessas de agora, não confie no meu amor de amanhã.
Não é que ele possa não existir é que ele não existirá.
A não ser que amanhã eu não olhe pra nenhuma outra pessoa além de mim e, ainda assim, é capaz de trocar-te, trocar-te por mim mesma..
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Teenagers.
Deitados lado a lado os adolescentes anestesiados pela bebida descobriam coisas em comum:
- Minha mãe é legal, mas odeio meu pai.
- Não falo com o meu há 2 anos. Expulsei ele de casa.
- Por quê?
- Porque ele fazia chantagem emocional com meu irmão, meu irmão é bebê e ele é um filho da puta. Minha mãe não fazia nada.
- Foda.. Eu tive que crescer mais rápido, eu tive que ser o homenzinho da casa.
Não eram coisas pra se falar para alguém que você acabara de conhecer, justamente por isso não falavam pra pessoas que acabaram de conhecer. Se conheciam desde muito pequenos, ele era vizinho da sua amiga, ela sempre teve uma queda por ele, ele sempre fora apaixonado por sua amiga.
Eles tinham se beijado algumas vezes quando era permitido, mas agora não era mais. Agora os dois não podiam se encostar, mas estavam tão juntos, ela sentia a respiração dele e vice-versa.
Era gostoso ficarem ali deitados trocando confidências com toda a proibição acerco deles.
Ela sempre teve uma queda por ele, ele estava sempre com alguém da turma que não era ela.
Ela queria escutar Bowie e ele gostava de Bowie, além dos dois ninguém do grupo gostava:
- Deixa aí, só um pouco.
Os protestos alheios fizeram eles deitarem mais longe e ficarem lá, eles só queriam ouvir Bowie e conversar, eles só queriam dançar. Não, não queriam mais, já tinham feito todo o tipo de contorcionismo, agora era a hora que a bebida te fazia ficar parado vendo tudo girar devagar e ocasionalmente solavancando seu estômago como se pulasse um degrau. Eles riam muito.
- Vocês estão aí sozinhos por quê? Venham pra cá.
- Ah, não, venham vocês.
- Não, desce aí, gente.
- Ah não..
O papo estava bom.
Ela gostava do jeito como ele sorria, ele gostava do jeito como a boca dela se movimentava. Ele admirava as idéias dela, ela tinha medo de algumas das dele. Eles estavam evidentemente atraídos, mas a proibição era tão forte. Ele ficava com a irmã dela, impossível qualquer envolvimento, certo? Ele já até havia dito que gostava da irmã dela, que estava apaixonado, embora não estivesse.
A irmã dela não dava a mínima, jurava não dar, dizia de boca cheia "Estou pouco me fodendo", mas se vendo assim ameaçada decidiu que era ele o homem da sua vida e fez de tudo pra sua irmã se afastar: "Eu só não admiti antes porque sou orgulhosa, sempre o amei". Ela era quatro anos mais nova e não amava ninguém, só queria ser a mais amada, a mais desejada e a mais querida, sua irmã mais velha sabia disso, sabia que garotas novas são assim, aliás, que garotas em geral tinham essa competição ridícula, grotesca, mas jamais esperaria isso da sua própria irmã, a irmã que ela sempre foi tão devota, sempre incentivou tanto, sempre foi tão amiga, ela não..
Mas, sim, ela sim. No final das contas ela era como as outras.
Resolveu que ficaria com esse garoto e o garoto, por sua vez, ia ficando, ia se aproveitando.
Talvez não fosse especial para ele como pareceu para ela aquele momento deles, talvez ele nem se lembre que o tiveram. Mas ela nunca ia esquecer da embriaguez, dos sorrisos inevitáveis, dos rostos juntos demais e das mãos que se tocavam com inocência e admiração.
Contou, chateada, a história boba pra uma amiga e ouviu o que sabia ser verdade, que por mais que ela quisesse, que por mais que ela tratasse assim, sua irmã não era diferente das outras meninas da idade dela, sua irmã não era mais especial que ninguém e não fazia por mal ou se fazia, não sabia que o mal era assim tão grande.
"Ela chegou primeiro, minha querida..", disse sua amiga com uma voz terna e ao mesmo tempo ligeiramente cômica, "O problema de ser retardatário é que não há nem como reivindicar..".E ela tinha razão. O que a menina poderia fazer? Adolescentes.. Garotas..
terça-feira, 7 de abril de 2009
Ô mais pérfido dos homens.
É incrível como ainda depois de tanto tempo você não tem absolutamente nada pra me dizer.
Seu egoísmo sempre me impressionou, de uma forma cega.
Eu sabia o quão absolutamente egoísta você podia ser, mas ignorava, e agora vejo o quão não ignorável e patológico é isso em você.
Desde tudo eu dizia, sem sinceridade, que esperava que você morresse.
Hoje, racional e sinceramente, com minha vontade de "limpar o mundo", você seria um dos primeiros a ser eliminado.
Não sei que tamanho era a minha carência na ocasião em que me deixei enganar por ela e fingir por todo aquele tempo que eu gostava de você.
É difícil aceitar e não remoer - por mais que saibamos que isso de nada nos serve - nossos erros, é raro não ter vontade de voltar tudo aquilo e fazer diferente, te matar de dor, porque, apesar de tudo, eu sei que você, no seu egoísmo pleno, sempre me amou por demais, e se minha postura chegasse perto de ser parecida com a sua, ficarias dilacerado.
Quão difícil é aceitar que minha sanidade atrapalhou minha vingança.
Espero, do fundo do coração, que alguém te dilaceres muito mais profundamente. Ou pior, que você jamais sinta amor novamente, jamais seus olhos brilhem e seu sorriso aconteça ao pensar, e simplesmente pensar, na existência de outro ser, espero que você fique cada dia mais vazio, frio, espero que você esqueça todos seus sonhos, que fique cada dia mais morto, morto em vida.
Porque se há algo que detesto é crueldade e você sempre foi com todos que te cercam, dos seus amigos fiéis, à sua avó e mãe, cruel e dissimulado.
Dissimulas pra você mesmo que és bom, mas sei que não o bastante pra convencer-te.
Quanto arrependimento e quanta sinceridade no meu desejo de teu sofrimento, talvez seja o tédio que me faz pensar no quão ruim você é e sempre será, talvez seja mesmo enorme e suficiente pra incomodar alguém que com você não mais se importa o seu egoísmo, não sei, as duas alternativas tanto fazem para mim.
Eu falaria isso pra você, se você não fosse interpretar como orgulho ferido, se não fosse tentar ignorar pra se proteger da verdade, se não fosse tentar revidar.
Sabendo da sua pouca capacidade de aceitação dos próprios erros, opto por fazer um desabafo silencioso ou nem tanto assim, mas desabafo só por aqui e se um dia por acaso você ler, com certeza se identificará, então deixa que te acuses sozinho.
Que seja.
Não me mudará.
Que morra.
No fundo, cada um sabe das suas deficiências.
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