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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Don't say you miss me.

É bom ser boa de novo.
Eu disse que queria ser como eu era e ele disse que não, retrocesso é só pouco sadio, seja melhor que agora, parecida com antes, mas melhor que na época também.
Me falou de relações karmicas.
 Aí eu lembrei de um monte de situações de rejeição que só foram respeito.
 Então hoje eu ganhei a camiseta e a tarde mais legal do mundo, com foto risonha e fotógrafo espirituoso.
 Tava andando, tentando agradar e nunca dá certo quando eu tento, só agrado se for de maneira natural.
De cabelo e unha azul, de blusa e tênis azul, de calça e bolsa azul.
Porque eu tenho sangue azul, vou admitir isso.
 Acho que a coisa que eu mais gosto no mundo é de fazer as pessoas rirem.
Daí eu estava andando e olhando na vitrine, pra ver se me via, mas sempre acham que estou olhando algo lá dentro.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Fuck and run.

Só ia até a esquina, estava frio e eu com as pernas de fora.

Um sobretudo.

Todas aquelas coisas sobre poder que eu sempre quis saber tinham acabado de me ser ensinadas, eu sabia, tinha o poder e pernas de fora, onde eu poderia usar nesse momento.

Olhei pra um pássaro e até ele. Se vocês soubessem o quanto eu detesto pássaros..

Ontem depois de meses sem pensar nisso o principio da minha dor tinha se instalado em mim, pensei: "É quase intrínseco do meu ser". Briguei comigo mesma por ser covarde o suficiente pra aceitar aquilo como "meu".

Pensei em como as coisas tinham mudado entre nós eu e ele, o outro ele e o outro. Eram tantos "ele" que não poderia haver um só. Minha boca vermelha se abriu num sorriso, num sorriso que sabia o porquê do sorrir. Eu andava sempre com ele de canto na boca.

Lembrou de uma de suas músicas favoritas enquanto o frio e o pássaro olhavam pra suas pernas: "'Fuck and Run'? Ok", correu até não sentir frio.

Sentou numa calçada, acendeu o cigarro, riu de canto e repetiu: "Fuck and run", olhou pra outro pássaro que passava, completou: "With or without my best intentions".

terça-feira, 21 de abril de 2009

Assassinato sentimental.

Sofro, desventurada, sofro. Sofro e não posso conter meus gritos de dor. Sofro por medo e tanto medo de sofrer assim. Sofro por ter deixado meu coração e capacidade de amar terem morrido assim tão depressa. O que me magoa é não ter porque ansiar. Ainda tenho meus desejos, minhas vontades e sonhos. Mas vivos os sonhos alheios porque sou covarde, só amo o que é seguro. Choro porque vi a pessoa mais apaixonada e carinhosa do mundo morrer pra nunca mais. A melhor amante se foi e não voltará. Me deixei morrer e virei um outro alguém que não reconheço em mim: Frio, amargo e indiferente. Como pude dar esse poder pra alguém? Mudei sem querer mudar, da amargura do primeiro amor que se tornou ódio, asco e rancor. Ódio, asco e rancor ainda são sentimentos, sentimentos maléficos que eu não me permitiria sentir se tivesse controle sobre. Nem desprezo, um grande nada por uma pessoa nada. Uma pessoa nada que conseguiu me matar. E agora, o que eu faço com tanto carinho, risadas e alegria de viver? Em que parte do meu amargo e doente ser tudo isso cabe? Na minha castidade espero por alguém que me tire da hibernação sentimental, pra me lembrar que amar faz bem e faz rir. Pra me lembrar que - normalmente - isso não tira pedaço de nenhum lado. Pra me lembrar que eu mereço muito mais que uma pessoa nada. Mas minha amargura não quer lembrar disso. Minha amargura quer me ver no leito de morte falando: "Consegui, nunca amei nada ou ninguém. Consegui, tudo que tive até hoje foi raso ou odioso. Consegui, passei pela vida e não levei nada!"