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sábado, 12 de dezembro de 2009

Há coisa mais triste que ficar feliz em seguida?

Tem coisa mais triste do que restaurar enfeites de natal feitos de madeira muito mais velhos que você pensando em ti? É claro que onde quer que eu olhe algo me faz lembrar e eu sei que pode te soar absurdo já que você não chegou a vir em casa, mas nós falávamos sobre tudo, inclusive sobre esse lugar, então.. E outro dia, lendo um texto seu, citas-te dois dos meus escritores favoritos, já lhe disse. Mas não sei se contei que acabo de completar minha coleção com todos os contos publicados do Hemingway.. Ou seja, sempre há um Hemingway a vista, sempre uma lembrança sua.. Aliás, sabe qual foi a primeira coisa que pensei saindo da Saraiva? "Se ele fosse ao menos meu amigo de novo, eu emprestaria pra ele". Não comprei na Cultura, lá estava mais caro e, de qualquer forma, desde que nossos vínculos foram definitivamente cortados eu evito qualquer coisa que possa me lembrar você quando estou por lá. Embora só o lugar seja suficiente pra me dar nó na garganta, lembrar conscientemente seria suficiente pra me fazer cair aos prantos e lágrimas não costumam me ajudar a ler melhor, então evito lembrar do seu sorriso tímido e catarinense, naquele puf azul, evito lembrar da sua camiseta do Strokes, o terninho que você usava e o primeiro abraço que me deu. Eu não ia confessar mas, já que estou aqui, a última vez que fui no Noitão do HSBC - sozinha, como de costume - chorei convulsivamente pensando na sua ausência e no quanto eu fui imbecil. Como eu pude, meu Deus, como eu pude? Se ao menos você tivesse sido um pouco mais claro.. se ao menos eu não sentisse tanto ciúme o tempo inteiro.. se ao menos eu conseguisse te dizer.. se ao menos essa maldita geografia não nos fosse tão ingrata.. se ao menos eu soubesse que a última vez que eu te veria você evitou-me não por rejeição, mas por medo da dor da partida, tudo teria sido absolutamente diferente. E agora eu não posso mais frequentar meus lugares preferidos sem me pegar falando com você ou choramingando "por que assim?", antes nós tivéssemos nos encontrados no Cambuci ou qualquer outro lugar que o valha. Eu sento na frente do Safra, naquele mesmo lugar, exatamente o mesmo lugar que você ficou bravo comigo pela primeira vez e fico olhando pra cada pessoa que passa e às vezes imagino que você vem ao meu encontro.. Você sai do metrô Consolação e vem andando com um sorriso, aquele seu sorriso.. é lindo, eu nunca te disse, mas acho a coisa mais linda.. Eu devo mesmo estar enlouquecendo, porque desde Av. Dropsie com você e sua tia não consigo mais entrar na FIESP e aquele lugar costumava ser minha casa. Eu não só perdi você, perdi o gosto por metade das coisas que mais amava. Voltar pra casa sempre teve um gosto amargo, mas quando eu volto necessariamente sinto um vazio horrível porque não é você que está do meu lado fazendo a incrível gentileza de me acompanhar até o Jabaquara.. Nem o André - que é um gentleman em carrara esculpido - nunca me cortejou de maneira tão gentil, me senti incrivelmente protegida e querida e nem assim consegui falar nada além de "Realmente, muito obrigada". E ainda há quem diga que sou boa com palavras.. Outro dia li o texto mais simplório e triste do mundo, do meu diretor. Ele dizia que não gostava mais de sair de casa porque São Paulo inteira lembrava-o da ex.. Então, de repente, uma pessoa que eu já não contava com, apareceu e me fez deferências, eu parei com esse texto, passei a rir e minhas lágrimas secaram. Eu esqueci porquê o escrevia..

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A menina que via o mundo.

Ela acreditava em gnomos, duendes, em fadas, magia e coringas. E porque acreditava, eles existiam. Ela acreditava em energia, tarô, evolução e orixás. E porque acreditava, eles a ajudavam. Ela acreditava em pequenos gestos, em abraços verdadeiros e toques de almas. E porque acreditava, sentia. Ela acreditava em animais falantes, mundos extraordinários e que nada era impossível. E porque acreditava, nada era.. Ela pensava entender o mundo inteiro. E por pensar, entendia.. ou quase. Porque, na verdade, tinha uma coisa que lhe escapava a compreensão.. O amor! Ela não acreditava, entendia, procurava ou controlava. O amor sempre lhe escapou, mas a menina, sábia como bem era, sabia que do amor, a gente não precisa nada, além de sentir. E porque ela sentia, ele existe.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Pontos finais.

Gosto muito mais dessa fase e dessas amizades, é verdade.

Mas de qualquer forma a morte é sempre triste e morte de vivos penso que é pior.

Ver um muro de gelo crescer entre você e as pessoas que você considerava de confiança, amigas, irmãs.. ver que não faz falta, que não está incluída nos planos, que pra elas você virou um alguém de saudações leves.

É engraçado não poder fazer nada.. eu gritaria, mas desmentiriam tudo e então meu coração gritaria, prefiro que nada grite, prefiro deixar esse silêncio e esse espaço cada vez ir crescendo mais entre nós.

Um dos meus guias, um muito querido, me disse nesse último sábado: "Se eles vão pra longe, é porque não merecem estar perto", acho que não mesmo.

Não dou a mínima, na verdade, na maior parte do tempo, porque na maior parte do tempo estou ocupada demais sendo feliz pra pensar nesse tipo de coisa.

Mas às vezes no silêncio da noite, no farfalhar das árvores, no estourar de uma bolha de sabão, eu lembro daqueles sorrisos e da felicidade que eu já senti e que não sinto mais, nem sentirei, não mais por aqueles sorrisos.. que já não são mais os mesmos, já não mostram alegria, carinho ou nada positivo.. são só lembretes de que nunca será igual, por mais que se tente fingir.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Fuck and run.

Só ia até a esquina, estava frio e eu com as pernas de fora.

Um sobretudo.

Todas aquelas coisas sobre poder que eu sempre quis saber tinham acabado de me ser ensinadas, eu sabia, tinha o poder e pernas de fora, onde eu poderia usar nesse momento.

Olhei pra um pássaro e até ele. Se vocês soubessem o quanto eu detesto pássaros..

Ontem depois de meses sem pensar nisso o principio da minha dor tinha se instalado em mim, pensei: "É quase intrínseco do meu ser". Briguei comigo mesma por ser covarde o suficiente pra aceitar aquilo como "meu".

Pensei em como as coisas tinham mudado entre nós eu e ele, o outro ele e o outro. Eram tantos "ele" que não poderia haver um só. Minha boca vermelha se abriu num sorriso, num sorriso que sabia o porquê do sorrir. Eu andava sempre com ele de canto na boca.

Lembrou de uma de suas músicas favoritas enquanto o frio e o pássaro olhavam pra suas pernas: "'Fuck and Run'? Ok", correu até não sentir frio.

Sentou numa calçada, acendeu o cigarro, riu de canto e repetiu: "Fuck and run", olhou pra outro pássaro que passava, completou: "With or without my best intentions".