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segunda-feira, 26 de abril de 2010
O melhor que eu puder.
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009
5ª série D.
Eu lembro como se fosse ontem.
Lembro de tudo, mas vale ressaltar o aspecto que atualmente mais me vem a memória:
Fernanda, 11 anos, rechonchuda, dentes grandes demais, cabelos cheios demais, maquiagem demais, inteligência acadêmica demais, popularidade de menos.
P-o-p-u-l-a-r-i-d-a-d-e!
Palavra que assombra a maioria das crianças fora dos padrões dessa idade.
A popularidade que é tão vazia, tão boba, tão almejada..
Como uma gordinha feia poderia conseguí-la sendo ela mesma?
Na verdade não foi nada difícil, não como a pergunta faz parecer.
Eu sempre muito autêntica, muito alegre, brincalhona e pronta pra ajudar..
Ajudá-los com a coisa que, na verdade, eu menos queria: que eles estivessem com outra.
Mas não importava meu querer e sim, seus sorrisos: Eles!
Eles sempre tão bonitos, tão populares, tão inalcançáveis, tão queridos, tão espertos, tão cheios de vontades..
Graças as vontades deles e delas que fiz milhares de "amigos" e alcancei a tal popularidade!
Independente dos meus desejos juvenis, mantenho a mesma essência altruísta da época, sempre pronta pra tentar arrancar sorrisos e me machucar pra alguém ficar feliz.
Antes só e amiga que apenas só.
Então todos riam, eu por ter ajudado e intensificado minhas "amizades", eles por estarem com elas e elas por terem pra quem falar "ai, pááááára" e dar em seus ombros tapinhas que, na verdade, significavam "continuem, mostremos que somos intímos, isso fará bem pra imagem de nós dois".
Eles vinham até mim contar o que se passava, era comigo que desabafavam e eu jamais imaginaria que eles não faziam isso por consideração e apenas isso, jamais, porque seria cruel usar-me assim e pessoas não-cruéis, tendem a ignorar a crueldade com elas.. de qualquer forma..
De qualquer forma o que eu senti pela maioria desses "amigos" foi igual: Olhos cheios d'água, palpitações, tremor de pernas, o gaguejar tão frequente que achavam que eu, de fato, era gaga.
Eles eram legais demais.. sabe?
E eu jovem demais. Ou, como diz meu ermãozinho de 5 anos, tolinha demais.
E agora, eu, no auge dos meus mal formados 17 anos revivo a exata emoção.
Não que esteja ajudando ninguém a estar com ninguém ou sendo rejeitada e usada daquela forma, não, apesar da mesma essência, hoje sei (tanto quanto se pode saber aos 17) cuidar de mim.
Mas sabe a paixão juvenil, descontrolada e que da nó na garganta só de pensar que eu me referi? Reapareceu!
E em circunstâncias tão não-desejadas quanto as da quinta série, talvez por culpa minha, talvez porque eu já sabia que ela apareceria e estava tentando evitar..
Mas não dá pra fugir dessas coisas e sabendo disso me entrego aos meu novos 11 anos e rio da minha alegria em fazer os carrinhos do meu ermão trombarem enquanto penso em momentos que já passei com minha nova paixonite, coisas que jamais poderia pensar no auge dos meus espinhentos e inocentes 11 anos.
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terça-feira, 28 de julho de 2009
A atriz escreveu aos prantos.
Pela vida e pela vontade,
Pelo sal e pela saudade,
Pelo amor e pela verdade,
O que foi e o que poderia.
Pela paixão e pela revelia,
Chorava por sua solidão - bem - acompanhada,
Por seu sentimento reciprocamente esmagado, desgastado.. acabado!
Por mim, por ele, chorava pra si,
Encenava a vida encolhida no sofá,
Escutava Méliès falar da dor em francês,
Desejava um registro, um olhar, que alguém a surpreendesse.
"Por que você não come?"
Por que eu não posso ser honesta?
Pra que magoar?
Por que se confundir tanto?
"Por que você precisa de 'por quês'?"
Queria que passasse e passou.
Foi pra onde?
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
Eu invento.
Invento amores, tiros, drogas.
Invento que gosto, que gostavam de mim, que deixei de gostar.
Invento desenhos, passo a colorir, depois rasgo tudo.
Eu invento.
Invento que sou, que voltei, que falei.
Invento a vida, desinvento a arte, finjo ser nada.
Invento partidas que nunca partem, jogos que não existem, química anulada.
Eu invento minhas xícaras e meus cafés, meus chás e meus chalés.
Invento abraços, invento feridas, invento dores reprimidas.
Invento de ser e de fazer, mal entendidos do acaso eu invento.
Invento minhas lágrimas e meu carnaval, invento um você que passa e não volta.
Eu invento motivo pra minha dor que dói sem motivo.
Eu invento medidas que não cumpro e com vergonha volto atrás.
Eu falo demais e invento, tudo que falo é inventado.
E até inventar que inventei, eu invento.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Há de ser minha de novo.
Ela é o meu amor, sempre foi, desde o primeiro dia que vi aquele sorriso cercado por uma colossal cabeleira ruiva, naquele parque que é tão nosso, o céu era de outono, como agora, eu amo ela desde aquele momento.
Depois de nos apaixonarmos não nos desgrudamos nunca, ela meu amor, eu o amor dela.
O loiro ruivo de sempre.
O jazz de sempre, a bossa-nova e a música clássica.
Sempre os livros e cafés.
Sempre os sorrisos abraços e futuro, muito futuro.
Um dia, como quem não quer, falei para morarmos juntas e a alegria foi maior do que eu imaginava.
Em todo lugar eu e meu amor escolhíamos utensílios futuros pro nosso apartamento tão pequeno e aconchegante, lá do ladinho da Paulista.
Ela falava comigo e eu falava com ela.
Ela era minha flor e as flores que eu via no cabelo dela não mereciam nem ali estar, por não serem dignas dela, não são dignas dela.
Tudo era assim, como nuvens com desenhos em um dia de outono, até que eu deixei de ser eu por instantes (graças a algo que eu atribuo à minha infância eu tive um temperamento bem doentio), então por instantes ataquei sempre os que mais amava.
Sobre namorado, sobre amigos, sobre mãe e sobre ela..
Ela que confiava sua vida em mim, ela que nunca imaginou que eu fosse capaz..
Por ter tanta confiança um dia ela entrou na minha mente e viu que eu já a havia atacado, ela não esperava tamanha traição, não vindo de mim.
Mas nunca foi de mim que veio, sempre a amei com olhos de apaixonado e inspirações de poeta.
Então ela se foi, junto com ele, eles se foram juntos e me veio o pranto.
O pranto eterno e o coração em frangalhos, o coração sangrando a ponto de morte e meu medo, minha doença, minha saudade..
Toda tristeza é saudade.
Nem toda saudade é tristeza.
Então com a sabedoria dos escoteiros, com o tempo que se passou arrastado demais pra ser chamado de tempo na ausência dela, com uma coragem emprestada e a cara sempre limpa pra receber quantos tapas ela quisesse dar eu fui, fui mais uma vez fazer tudo que me cabia: Me desculpar por ter deixado meu eu fugir de mim por instantes, me desculpar por fazê-la duvidar do meu amor e de todo o resto de minhas palavras.
Sua frieza sempre foi algo que me amedrontou, ela supera um amor como se supera um corte de papel, sua frieza continuou ali, mais gelada do que nunca, porque era comigo, era pra mim e eu nunca esperei, nunca pude suportar.
Eu fui sincera, mais sincera que qualquer ser humano pode vir a ser ou foi um dia.
Ela disse "Eu sou mestre em ignorar, não em esquecer, ignoro, mas sabendo que aconteceu".
Eu tentei, eu vou tentar pra sempre fazer com que nosso amor seja aquele amor de sempre de novo.
Ela foi amável mais tarde, mas eu tenho medo, quem ama tem medo.
Eu amo exagerado, sempre fui uma exagerada, até meu respirar é exagerado.
E eu me jogo aos pés dela, construo um castelo, faço o que ela quiser, mas a confiança dela vai ser minha de novo e o amor também.
Ela será novamente minha pequena bailarina.
Se não a gravidade deixa de ser um fato.
A morte deixa de ser uma evidência.
E a música se torna dispensável.
Ela há de ser minha de novo.
.. jóia.
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