domingo, 22 de abril de 2012
Mal aventurados os homens de amor.
Que insistem e acham beleza,
que enfrentrem treze cavalos,
que aprisionam e são aprisionados,
mal aventurados os que tem coração,
bondosos e caridosos,
tentam ajudar quem não tem conserto;
mal aventurados os homens de bem,
que de bem que tem não recebem vintém,
mal aventurados quem faz por onde ajudar,
mal aventurados, hão de por tudo isso pagar.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Paciência.
De todas as virtudes é a que eu mais sou obrigada a exercer e a que eu mais detesto ter que.
Paciência de saudade.
Paciência pra esperar o dia dele voltar.
Paciência pra desenhar direito.
Paciência com o violino.
Com edição de vídeos.
Com gritos.
Com gente mais lenta.
Com falta de capacidade de interpretação.
Com comida ficando pronta.
Até miojo eu queria que cozinhasse mais rápido, na real.
E ainda assim tenho que ter uma paciência absurda todos os dias.
E nesse mesmo momento poderia citar três coisas que estão testando minha paciência e ansiedade; Cito uma: Renderização do vídeo novo.
Ok, ok, vai fazer outras coisas e eu vou, mas a pendência, a sensação de algo a se resolver vai lentamente me corroendo.
E quando você quer conversar, só, nada demais e não encontra uma pessoal agradável disponível? Recorrente. Embora nunca aconteça.
Eu vou me desenhar fazendo geléia com dois guris puxando meu vestido e esse moço colhendo mais morango. Days are getting shorter, mas podia ser para o bem.
Hoje, feliz, eu fui falar sobre como falta um ano e meio, ele respondeu gritando que nunca tinha dito isso. Que vai demorar dois, três anos. E é engraçado como todos os planos vão ficando borrados, não por falta de amor, mas por saber que a vida em dois, três anos fará coisas aqui e coisas ali e eu não quero que os planos virem sonhos.
Eu guardo dinheiro contando com isso, eu gasto dinheiro contando com isso, eu faço de tudo e ele também, mas o tempo é um negócio tão imprevisível e por vezes -e espero que não dessa - tão traiçoeiro.
Vou fazer mesmo o que bem quiser, porque é como se só eu me preservasse e isso é injusto, aconteça o que acontecer eu sempre dei meu melhor e sempre darei, mas acho que está na hora de parar de me preocupar, eu mesmo estou sempre dizendo que tudo acontece pro bem, mesmo que doa. Então se tiver que ir, irá, espero que fique.
Porque, na verdade, se recuperar desse tipo de coisa não é mais pra mim não, casamento, vida em conjunto, tudo compartilhado, me recuperar desse tipo de coisa seria comprar gatos, seria comprar - mais - livros, seria só lamentar minha sorte (aos setenta anos, nas redes sociais dizendo da minha solidão e de como eu me sinto menos miserável quando me entupo de comida ou me alcoolizo, sempre com todos os resultados negativos das duas atitudes). Me recuperar disso seria fugir de mim, talvez me mudar pras montanhas e jejuar até a morte em meditação. Me recuperar disso é um negócio que talvez fosse muito fácil, como chorar uma semana e depois passear com amigos e descobrir outras alegrias.
Quero me recuperar da eterna sina de ter que ser paciente.
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Tristezinha
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Don't say you miss me.
É bom ser boa de novo.
Eu disse que queria ser como eu era e ele disse que não, retrocesso é só pouco sadio, seja melhor que agora, parecida com antes, mas melhor que na época também.
Me falou de relações karmicas.
Aí eu lembrei de um monte de situações de rejeição que só foram respeito.
Então hoje eu ganhei a camiseta e a tarde mais legal do mundo, com foto risonha e fotógrafo espirituoso.
Tava andando, tentando agradar e nunca dá certo quando eu tento, só agrado se for de maneira natural.
De cabelo e unha azul, de blusa e tênis azul, de calça e bolsa azul.
Porque eu tenho sangue azul, vou admitir isso.
Acho que a coisa que eu mais gosto no mundo é de fazer as pessoas rirem.
Daí eu estava andando e olhando na vitrine, pra ver se me via, mas sempre acham que estou olhando algo lá dentro.
Eu disse que queria ser como eu era e ele disse que não, retrocesso é só pouco sadio, seja melhor que agora, parecida com antes, mas melhor que na época também.
Me falou de relações karmicas.
Aí eu lembrei de um monte de situações de rejeição que só foram respeito.
Então hoje eu ganhei a camiseta e a tarde mais legal do mundo, com foto risonha e fotógrafo espirituoso.
Tava andando, tentando agradar e nunca dá certo quando eu tento, só agrado se for de maneira natural.
De cabelo e unha azul, de blusa e tênis azul, de calça e bolsa azul.
Porque eu tenho sangue azul, vou admitir isso.
Acho que a coisa que eu mais gosto no mundo é de fazer as pessoas rirem.
Daí eu estava andando e olhando na vitrine, pra ver se me via, mas sempre acham que estou olhando algo lá dentro.
Days are getting shorter.
Eu tento atribuir tudo a qualquer coisa.
Eu fico criando teorias que não interessam, porque explicar isso ou aquilo não vai me fazer sentir melhor, geralmente só cria uma mágoa.
Eu estou bem feliz hoje, estou me sentindo radiante, amada, como se eu pudesse confiar em todo mundo.
Como se o mundo fosse meu amigo, eu pudesse contar dos meus sentimentos, eu pudesse ser entendida nas minhas piadas, como se houvessem pessoas que reconhecessem meus esforços, como se as pessoas pudessem dar valor pro tipo de trabalho que eu desempenho, como se as pessoas se importassem comigo e nunca fossem quebrar promessas, hoje eu estou me sentindo rodando de madrugada, madrugada fria num lugar que eu gosto tanto com pessoas que eu gosto tanto, estou me sentindo como se o Natão nunca tivesse ido embora, como se ele morasse comigo, como se aquele abraço ainda estivesse aqui, como se todas as possibilidades do universo pudessem ser alcançadas e como se. Como se.
Como se o mundo fosse meu amigo, eu pudesse contar dos meus sentimentos, eu pudesse ser entendida nas minhas piadas, como se houvessem pessoas que reconhecessem meus esforços, como se as pessoas pudessem dar valor pro tipo de trabalho que eu desempenho, como se as pessoas se importassem comigo e nunca fossem quebrar promessas, hoje eu estou me sentindo rodando de madrugada, madrugada fria num lugar que eu gosto tanto com pessoas que eu gosto tanto, estou me sentindo como se o Natão nunca tivesse ido embora, como se ele morasse comigo, como se aquele abraço ainda estivesse aqui, como se todas as possibilidades do universo pudessem ser alcançadas e como se. Como se.
Eu faço jejuns, às vezes fico seis, sete dias sem comer.
Minha mãe briga dizendo "assim você não emagrece", ela não consegue compreender
Minha mãe briga dizendo "assim você não emagrece", ela não consegue compreender
que as vezes eu preciso de todo meu cérebro concentrado, todo meu cérebro disponível.
Ok, ninguém mais me procura.
Ninguém mais me venera.
Ela ligou e falou durante mais de uma hora sobre não largar a pior situação do mundo por possessão.
Eu entendo ela, de verdade.
Ela estava me falando também sobre como as pessoas me veneram.
Como elas acham que eu sou tão especial que elas nunca me abandonam.
Ok, ninguém mais me procura.
Ninguém mais me venera.
Ela ligou e falou durante mais de uma hora sobre não largar a pior situação do mundo por possessão.
Eu entendo ela, de verdade.
Ela estava me falando também sobre como as pessoas me veneram.
Como elas acham que eu sou tão especial que elas nunca me abandonam.
Eu ri muito triste, com nó na garganta, na verdade e disse que "já foi o tempo".
Já foi o tempo.
Já foi o tempo.
As pessoas choram muito?
Com que frequência uma pessoa normal chora?
As pessoas, às vezes, choram sem motivo?
Engolir o choro é melhor?
E bater na mesma tecla uma e duas e três e vinte, porque talvez bater na tecla te faça sentir menos, menos, menos, menos, menos, te faça a princípio só sentir menos, de verdade.
Depois te faça se sentir menos um fardo.
Fardo em qualquer vida, como se houvessem tais vidas.
Fardo em qualquer vida, como se houvessem tais vidas.
O que você me diz?
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Coadjuvantes da vida.
Fluxo de pensamentos desorganizados.
Eu adoro esse teclado sem fio, mas ele é um lixo, que vive travando e me fazendo escrever que nem uma imbecil.
Eu amo fazer vídeos pro youtube, embora ache isso realmente imbecil e frustrante.
Sabe do que eu gosto? De coisas que funcionam direito.
Amizade. Celular. Amor. Namoro. Canetinha.
Esses dias algumas muitas pessoas vieram reclamar de não estarem inclusas na minha lista de amizades. É engraçado perceber que disso, a gente só considera orgulho ferido, uma vez que eu sempre estive aqui e a amizade não se manteve porque não. People come, people go, sometimes without goodbye, sometimes without a note, já diz meu querido M. Ward.
Mas é, é assim mesmo, as pessoas vão embora, exceto as pessoas de verdade.
Eu tenho essa teoria (que todo mundo tem, na real) que algumas pessoas são coadjuvantes da vida, é como se elas não existissem, uma vez que o que existe pra mim é a minha vida, se a pessoa não faz parte, não faz diferença se ela exista ou não. E existem os coadjuvantes, que quase chegam a existir, mas depois evaporam.
Eu já tive muito problema com mudanças e despedidas, hoje consigo não me importar mais do que me importaria se minha xícara preferida quebrasse.
Minha xícara preferida quebrou esses dias. Ela não era bonita, queriam que ela fosse, mas eu achava muito feia, o que eu gostava nela é que além de enorme, por dentro ela era roxa claro, mas ainda não lilás. Daí ela caiu e quebrou, vários cacos, foi meio decepcionante, mas eu tenho várias outras canecas, então tanto faz. Até porque ele me prometeu outra caneca e canecas novas, sabe? Tudo acontece pro bem, então essa caneca com certeza será superior.
Eu era uma pessoa de ficar chorando por aí.
Sabia, gente, eu gostava muito de andar de madrugada, mas eu estava sempre passando frio e morrendo de hipotermia.
Eu quero roupas encardidas de amora. Tênis perdidos, morango na cara, não quero mais morar em São Paulo.
Sabe, eu não suporto que essa mulher comece a gritar, ela começa e nunca mais para "eu odeio isso, você faça aquilo, eu dou as ordens, eu sou louca, todos devem me obedecer porque eu sou desequilibrada, eu acho que tenho direito de chamar as pessoas de filhas da puta, de desgraçadas, eu acho que tenho direito de dar muxicão, eu sou louca, louca e vocês tem que me respeitar, eu não tenho que respeitar nada e ninguém, porque eu sou destemperada".
Oi, eu nunca tive nenhum contato com você, mas vim aqui me pronunciar, dizer que não aprovo sua atitude, porque num mundo de informações tão rápidas, todo mundo tem direito de julgar o caráter de quem quer que seja, baseado em nada.
Sabe, eu não suporto que essa mulher comece a gritar, ela começa e nunca mais para "eu odeio isso, você faça aquilo, eu dou as ordens, eu sou louca, todos devem me obedecer porque eu sou desequilibrada, eu acho que tenho direito de chamar as pessoas de filhas da puta, de desgraçadas, eu acho que tenho direito de dar muxicão, eu sou louca, louca e vocês tem que me respeitar, eu não tenho que respeitar nada e ninguém, porque eu sou destemperada".
Oi, eu nunca tive nenhum contato com você, mas vim aqui me pronunciar, dizer que não aprovo sua atitude, porque num mundo de informações tão rápidas, todo mundo tem direito de julgar o caráter de quem quer que seja, baseado em nada.
domingo, 25 de dezembro de 2011
Matal.
De música e veneno, de bolha e presente, de comida e telefone, de família amistosa, de amar quem se tem, de correr no asfalto grama, de não esquecer o lml, de não se safar de constrangimentos, de abominar de novo e mais uma vez qualquer espécie de ciúme, de rir de maldade e nó na garganta, de enumerar, memorar infância com quem estava presente, comer até morrer, cantar até o fim, de clima de agradecimento, de ter o que agradecer, de livros para as crianças e doces para os adultos, de gentileza e amizade. De todas as alegrias e um bocado de amor. Nessas horas assim eu percebo o quanto é bonito pertencer a essa gente que tanto me alwgra e tanto me irrita. (:
lml
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Belo.
Lembro que não queria sentar, ou até queria, mas senti vergonha e fiquei de pé.
Lembro que fiquei um pouco chocada com a sua beleza, desconcertada, e ao mesmo tempo me senti orgulhosa.
Adorava o cor-de-rosa e azul dos cobertores.
Lembro que você, na segunda, levantou com muito cuidado, fazendo o mínimo de barulho possível pra me deixar dormindo enquanto ia trabalhar.
Lembro que adorava olhar suas coisas quando você não estava por perto, ficar observando como você organizava a falta de organização do seu quarto.
E te ver lendo Macanudo, com risadas espaças.
Lembro do livro que você estava lendo, lembro da diagramação do livro.
Lembro que, apesar de eu nunca ficar quieta, quando eu ficava, o silêncio não doía do seu lado.
Me senti à vontade como se nos conhecêssemos desde sempre.
Lembro de andar muito e de lugares bonitos.
Lembro das batatas gigantes de ouro, de comer eternamente.
Lembro de nunca achar nada naquela mala infinita.
Lembro das decorações de Natal e da loira me chamando de loira em tom de ofensa.
Lembro de chegar tarde e do moço com cara de criança.
Lembro de falar do que eu não queria e queria secretamente.
De você indo comprar comida, da gente na padaria estranha, de quindim, de você adorar quindim, da gente comendo na frente do computador, assistir um milhão e duzentos mil vídeos.
"Caranguejo não é peixe, caranguejo peixe é, quem gosta de mim é ela, quem gosta dela sou eu".
E da peça que a gente assistiu e nunca mais conseguia parar de cantar a música, depois de esquecer a música e sofrer tentando lembrar, então lembrar e nunca mais parar de cantar de novo.
De você ser bonito até na foto 3x4, de fingir que precisava de um táxi comigo só pra ser menos constrangedor ficar esperando sem saber direito o que.
De você nunca largar o celular. E uma semana depois perder ele.
E todas as vezes que eu voltava a gente se abraçava.
Lembro de adorar muito a sua companhia. E querer que tu venha também.
De ter certeza que você seria um dos 100 sobreviventes.
Lembro da sua voz e entonações.
E eu lembro dos relógios e das praças e do seu senso crítico apurado, das nossas piadas maldosas e dos psicopatas que nos perseguiam, lembro da sua carinha dormindo e de assistir séries com você, lembro das praças e das águas que não eram águias.
Me sentia em casa numa casa e cidade que estavam longe da minha; confesso ter chorado um pouquinho quando fui embora.
Lembro de você carregando minha mala, vocês xadrezes, combinavam.
Lembro dos aviões que eu tentei fotografar de tarde e de matar tempo achando camarões;
Sei que é natural que eu lembre uma vez que não faz um mês que passamos esse tempo juntos, mas de qualquer maneira quero registrar tudo que eu lembro por aqui, porque por mais que saiba que muito em breve eu volto, não quero confundir as lembranças de uma ocasião e outra.
Lembro que você se tornou uma pessoa importante de verdade, de mensagens de madrugada sem motivo e que ouve as maldades que eu faço com a vida.
Sei que você é incrível, e merece todas as pedras estrelas do mundo.
E todas as pesquisas do Google.
Sei que você me alegra.
E que o texto está péssimo.
E que eu espero que você nunca na vida venha a lê-lo, sério, vergonha.
Mas de qualquer maneira, escrever sobre torna as coisas mais leves e mais bonitas.
Obrigada por ser belo, em tudo que essa palavra possa vir a englobar.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Will hit her.
Esses dias me falaram que eu tenho falado como quem fala para uma grande massa homogênea.
Dia desses as pessoas tem me falado muitas coisas cruéis, me deixam aqui, esperando que São Paulo seja acertado por um objeto espacial não identificado.
Esses dias exigiram minha presença, me deram bolos e beijos, me abraçaram e pegaram no colo, esses dias eu me senti amada e comi uma trufa gigante.
E tenho ouvido The Dog Days Are Over e ganhado abraços do meu irmãozinho.
Dia desses me agarraram num parque e eu comecei a chorar porque é assim que eu sou, o parque foi o parque da minha infância inteira, um lugar quase... sagrado pra mim.
Tinham crianças e peixinhos ainda, tinha o mesmo tronco que um dia ele subiu e eu o chamei de reizinho.
Tinham todas as lembranças e um estranho me agarrando.
Esses dias me fizeram perguntas estúpidas, eu não tenho tido muitas reações, como se já esperasse que as pessoas fossem estúpidas assim.
Tenho me sentido cheia de expectativa, muito triste, sem nenhuma perspectiva, acho que não vou passar no vestibular, passei na primeira fase, não acho que nunca serei capaz de me sustentar, acho que vou ser daquelas pessoas que servem patês e vinhos, queria mais vestidos, queria poder andar pelada, queria poder chorar sem me sentir fraca, queria poder fugir daqui e de todos os meus sentimentos, queria evitar que ela fosse embora, embora ache que será melhor pra ela e que seria melhor para mim, queria morar numa fazenda, colher pêssegos, fazer geleia e nadar no riacho, eu não respeito a reforma ortográfica, respeito menos ainda esses jovens estúpidos que se pensam artistas e são só crianças egóticas e tristes.
Queria saber ser melhor em tudo, não quero tentar nada, não quero pensar, queria me movimentar mais.
Esses dias tentei manter uma rotina de caminhada, mas haviam alguns flertes que eu nunca reparo.
Eu tenho o péssimo hábito de começar a escrever sem saber o que e só vomitar palavras, porque eu não tenho nenhuma pretensão com isso aqui ou com nada at all, embora deva parecer uma moçoila mui pretensiosa.
Sabe a única coisa que eu queria poder fazer?
As pessoas entenderem que cada situação tem um bilhão de lados, queria me fazer entender isso, na verdade.
Não é sobre ninguém, porque eu não sou essa fofura toda.
Sou só essa beleza e inteligência, que eu não reconheço, mas ninguém contesta.
Queria ter um desses amores bonitos e incontestáveis.
Queria nascer de novo.
Dia desses as pessoas tem me falado muitas coisas cruéis, me deixam aqui, esperando que São Paulo seja acertado por um objeto espacial não identificado.
Esses dias exigiram minha presença, me deram bolos e beijos, me abraçaram e pegaram no colo, esses dias eu me senti amada e comi uma trufa gigante.
E tenho ouvido The Dog Days Are Over e ganhado abraços do meu irmãozinho.
Dia desses me agarraram num parque e eu comecei a chorar porque é assim que eu sou, o parque foi o parque da minha infância inteira, um lugar quase... sagrado pra mim.
Tinham crianças e peixinhos ainda, tinha o mesmo tronco que um dia ele subiu e eu o chamei de reizinho.
Tinham todas as lembranças e um estranho me agarrando.
Esses dias me fizeram perguntas estúpidas, eu não tenho tido muitas reações, como se já esperasse que as pessoas fossem estúpidas assim.
Tenho me sentido cheia de expectativa, muito triste, sem nenhuma perspectiva, acho que não vou passar no vestibular, passei na primeira fase, não acho que nunca serei capaz de me sustentar, acho que vou ser daquelas pessoas que servem patês e vinhos, queria mais vestidos, queria poder andar pelada, queria poder chorar sem me sentir fraca, queria poder fugir daqui e de todos os meus sentimentos, queria evitar que ela fosse embora, embora ache que será melhor pra ela e que seria melhor para mim, queria morar numa fazenda, colher pêssegos, fazer geleia e nadar no riacho, eu não respeito a reforma ortográfica, respeito menos ainda esses jovens estúpidos que se pensam artistas e são só crianças egóticas e tristes.
Queria saber ser melhor em tudo, não quero tentar nada, não quero pensar, queria me movimentar mais.
Esses dias tentei manter uma rotina de caminhada, mas haviam alguns flertes que eu nunca reparo.
Eu tenho o péssimo hábito de começar a escrever sem saber o que e só vomitar palavras, porque eu não tenho nenhuma pretensão com isso aqui ou com nada at all, embora deva parecer uma moçoila mui pretensiosa.
Sabe a única coisa que eu queria poder fazer?
As pessoas entenderem que cada situação tem um bilhão de lados, queria me fazer entender isso, na verdade.
Não é sobre ninguém, porque eu não sou essa fofura toda.
Sou só essa beleza e inteligência, que eu não reconheço, mas ninguém contesta.
Queria ter um desses amores bonitos e incontestáveis.
Queria nascer de novo.
domingo, 27 de novembro de 2011
Ainda e sempre.
Kevin Barnes definindo as coisas pra mim:
Lisa who reminds me of a blueberry
is artistic, beautiful, and friendly
I wish that to pass her on the street
was more common because I don't know
her telephone number or her address
though I guess that I could just go
look it up since I do know her last name
it's blueberry blueberry blueberry
or at least that's what it should be
'cause that's what she seems like to me
a gentle yet passionate blueberry
we were petting seals at the underground zoo
the one you act just like
down the fireman's pole to get to
and fight drunken pirates with painted cardboard swords
just you and I and I sing to you
I know you're a really cool person
'cause you're nice to everyone you meet
monkey love I wish I were your monkey love
Lisa who reminds me of a blueberry
is intelligent, sensitive and funny
I wish that to kiss her on the lips
was more welcome because when she's near
I long to invade her personal space
though as of yet I'm still moping around on the ground
that surround the heart of mademoiselle
blueberry blueberry blueberry
Não há nenhum vídeo disponível no youtube, sabem comé. Mas fica aí o desabafo por outros.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Sobre escritórios e jabuticabeiras.
Acho uma merda que as pessoas realmente acreditem que a única opção da vida é crescer, fazer uma faculdade e "se estabilizar".
(via esse blog)
Dia desses eu vi a seguinte tirinha:
(via esse blog)No que minha tia deu um sorriso cansado e eu perguntei se ela não achava essa vida uma merda, a resposta foi "é só olhar pra minha cara", tudo em minúscula mesmo, porque não havia nenhum começo ali.
Agora a questão que fica é: Será que essa é a nossa única opção mesmo?
Ontem eu fui acusada (acusada sim, sem drama nem nada do tipo, mas sinto como acusação) de querer me "estabilizar".
A grande questão é que em dadas épocas da vida eu me conformo que é isso aí mesmo, que em dado momento terei uma cozinha com utensílios tecnológicos, churrasqueira e espaço gourmet. Acho deprimente alguém almejar um espaço gourmet. Me conformo por vezes, confesso, mas por puro conformismo (conforme o conformar), puro medo, pura apatia, sem nenhuma vontade.
Tudo bem você ter dentro de você esse espírito burgues que almeja uma vida tranqüila de escritório, tudo bem querer colocar teus filhos no Arqui Diocesano, tudo bem se você é assim, mas eu não sou. Não sou e não quero me conformar em querer coisas que eu não quero só porque esperam que eu queira.
Eu não quero vida de escritório, não quero ter um Ford Fusion e almejar uma Mercedes Benz, não quero usar vestidos da Collins e almejar Dolce & Gabbana, não quero receber meus amigos da aula de pintura com tinta a óleo e preparar um salmãozinho com molho de maracujá (ou hortelã, notem), não quero ser essa pessoa que passa a maior parte da vida fazendo alguma coisa chata e mecânica para ganhar um salário e gastar com coisas que além de não querer ela não precisa. Não quero casar de branco nem passar a lua de mel (sério isso, galera?) em Paris, Veneza ou qualquer lugar LINDÍSSIMO desses que a gente TEM que conhecer.
Eu quero acordar hoje e não ter certeza de onde estarei ou o que exatamente estarei fazendo ano que vem, eu quero conhecer lugares que ninguém quer, eu quero ver todo pôr-do-sol possível, quero ter um suco gelado, um violino, que ele tenha um violão, que a gente toque música ruim por diversão e use roupas horríveis, eu quero um alto padrão de vida, com dormir na rede e cabelo bagunçado, eu quero rir de verdade e comer jabuticaba do pé, não é uma questão de ser hippie, suja, fumar maconha ou coisa que o valha, eu não quero nada disso, só não quero viver minha vida sabendo que eu fui exatamente quem a sociedade demandou que eu fosse e me sentir uma merda porque não conheço nada, sei falar maleporcamente duas línguas, vivi a vida inteira na mesma cidade, passei a maior parte do tempo entediada e nunca fiz nada de realmente autentico, que EU realmente tivesse vontade.
Lembro que com quinze anos fiz esse tratado com minhas melhores amigas na ocasião, assim que nos formássemos no ensino médio compraríamos uma Kombi e viveríamos como Saltimbancas por aí, tocando violão e passando o chapéu, interpretando peças escritas por nós, teatro de rua, malabarismos e mágica, esse era o trato. Mantenho esse trato comigo mesma e me vou, me vou sempre, juro para mim que dia desses eu fujo, sem celular, sem computador, sem emprego e sem dinheiro. E quem quiser me acompanhar, que o faça se tiver espírito livre, que o faça se quiser passar a vida vivendo.
E fica o desabafo mal escrito, mal formulado, mas que por diversas vezes me aperta o coração. lml
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