quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Raios & trovões ;

Minha vida é de todo tempestade. Tempestade das bravas! Quando penso que poderei acender meu cigarro.. mais uma onda na cara. Dizem que depois da tempestade vem a bonança e se isso for verdade, meu deus.. Estou com 34 anos e até hoje só levei bofetada, pra compensar terei 34 anos de calmaria? Que maravilha! Quero morrer aos 68, nesse caso. Estou sendo tão injusto.. em 34 anos (acumulando todos os dias) devo ter tido uns bons dois meses de calmaria, mas não me importo de morrer dois meses antes nessa matemática. Eu costumava ter um pai. Matei. Eu costumava ter uma mãe. Morreu. Eu tinha até um amor. Suicidou-se. Depois tive um filho. Sumiu. Um por um.. Todas as pessoas. Se vão. Para que? Que vãos? Eu.. Estou.. Der.. re.. ten.. do.. PLOFT! Uivos do vento ao luar. Som de trovões. Boa noite!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Chumaço de algodão.

Eu, que vivia implorando pra voltar a total ignorância, pra ter tempo de não me instruir nada, pra poder acreditar ainda que o mundo é um morango silvestre, eu, que sempre invejei secretamente as populares do colégio, porque suas maiores preocupações eram se descobririam que ela ficou com o melhor amigo do namorado quando se embebedou naquela festa ou não, eu, nesse exato momento, consegui o meu objetivo e descobri que com ou sem dor, prefiro a dor a chumaços de algodão tomando o lugar do meu cérebro.

Eu não sei como consegui tal proeza, sei que num dia eu podia conversar sobre 90% dos assuntos, a velocidade das minhas sinapses eram incríveis, minha lógica e interpretação de texto estavam ok e eu podia escrever um texto com coerência e, muitas vezes, até interessante ele saia, agora..

Talvez meu pedido desesperado tenha sido atendido, mas, saber que não se sabe é o grande problema. Talvez eu só tenha ficado menos arrogante e descobri que, afinal de contas minhas sinapses não eram tão rápidas assim, mas não acredito, porque nesse caso seria uma nova consciência e não uma dificuldade de processar um legado.

De qualquer forma fica meu aviso. Talvez essa burrice que me toma seja temporária. Talvez não.. De qualquer forma volto com mais notícias quando as tiver.

Atenciosamente, Joarez.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Trivialidades e inspirações de ônibus.

Adoro trivialidades e inspirações de ônibus. Pena que em casa elas parecem tão mais presas.. Talvez porque realmente fiquem, as paredes, sempre as paredes.. protegem mais prendem, é o preço que se paga hoje em dia. O preço do conforto, das roupas quentinhas e tralhas que gostamos de juntar, fingindo que tem uma importância e utilidade tão grande que, se por ventura, alguém abandona isso e decide viver na rua de certo é louco. Os mendigos, sabe? Todos loucos. Loucos e mentirosos! Como poderia um médico renunciar a sua vida de salvador de vidas pra sair por aí vadiando? Você não vê, minha filha? É tudo mentira.. Médico nada, esse aí já nasceu vagabundo. Ele tem um vocabulário extenso, né? Isso é estranho, concordo, mas, bem, hoje em dia qualquer um sabe o que quer né? É só querer, a internet está aí pra isso.. Argumentar hoje em dia é quase sinônimo de palavrões e possíveis socos. Eu adoro uma boa discussão, adoro mesmo, quase tanto quanto adoro trivialidades e inspirações de ônibus, mas às vezes é tão difícil discutir com alguém. É que as pessoas inteligentes estão cada vez mais raras então quando encontro uma pego pra mim, eu coleciono gênios, não posso me dar ao luxo de discussões maiores. Mas, bem, é claro que a gente discute muito, mas, de qualquer forma, nunca chega nos extremos que eu gosto, pela amizade, pela coleção. Então, por não ser adepta de nenhum tipo de violência acabo por discutir sem todo meu potencial argumentativo, provocações podem custar caro e apesar do preço quase valer a pena ainda fico no quase, quem sabe se eu não aprender alguma arte marcial.. Todos meus amigos que já fizeram ou fazem alguma gostam muito, porém eu não sei, sou um pouco pé atrás com orientais. Acho-os sábios, muito sábios em suas lutas, algumas crenças.. porém um povo que subestima a mulher, que a transforma em uma serva, um simples objeto decorativo.. De qualquer forma eu sou uma grande preguiçosa, atividade física fico com as que envolvem abraços, mordidas, risadas, correr atrás até cansar, subir em árvores, escalar telhados, bicicleta, pipas e coisas assim, bem adultas. Isso me faz lembrar de um livro que pretendo escrever, pretendo tanto que vou começar, nesse exato momento. Adeus.

Queria escrever algo genial.

Como um diálogo amargo mas calculado. Mas amargura é o que eu não sou no momento e não há quem escreva sem totalmente não ser ou até há, mas quem o faz soa falso, porque assim o é. Eu nunca procurei nada, nas minhas palavras e nas que procuro por aí, muito além da sinceridade, porque, afinal, sinceridade até quando dói, é gostosa porque é viva. Mesmo quando se quer renunciar a verdade enche-se a boca (mesmo que em sussuros) quando se diz. Atriz que é atriz o sabe, mas por mais que tente, não enche a boca tanto quanto se fosse verdade. Aí entra a questão esquizofrênica do palco, a dedicação descabida. Eu volto a ter sete anos e procuro uma tristeza infantil de perda de pais que só perdi mais tarde pra poder agradecer um Capitão Gancho que me ameaça e depois faz honrarias. Tudo pelo teatro e sinceridade. Ser sincero é quase tão gostoso quanto convencer alguém de uma mentira absurda.

domingo, 15 de novembro de 2009

A humanidade é desumana.

Voltava do trabalho, estava tranqüila mas provavelmente pensava na solidão. Era uma garota indefinível, mas, naquele momento, dela podia-se dizer: excêntrica, sonhadora e gentil. Sentada esperando seu ônibus um casal se aproximou, o homem sentou, ela sorriu pra ele, se afastou um pouco para que a mulher pudesse fazer o mesmo. Por um instante pensei que ela admirou de alguma forma o homem, mas não faria sentido e ela sempre faz. Pensei que ela poderia ter recuperado a fé na humanidade, me enganei. Um cego, um funcionário do metrô, uma promessa: "Eu cuido dele", a mulher do quase admirado falou. O ônibus do casal chegou, era o mesmo ônibus que ela pegaria, o casal foi embora, esquivos, quase se escondendo. Ela ficou, e disse: "Não estou com pressa, não se preocupe". Ela estava com pressa, mas ficou. E quando ele foi embora, ela lembrou da música que ouvia, falava da beleza, falava da visão, lágrimas quentes e salgadas escorreram, ela não chorava por ela, era pela humanidade que chorava. Tão cretina a ponto de prometer cuidar de um ser quase indefeso e fugir, se escondendo, provavelmente das próprias consciências.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Apatia.

Apatia. A parte, tia. Eu odeio falar com ódio "cala a boca que você não sabe do que está falando", mas às vezes.. Às vezes eu falo. Me arrependo no instante seguinte e volto pra minha apatia, porque sei, na verdade, que eles têm razão, eu que procuro minha depressão.. Mas deixa estar que sempre me disseram que depois da tempestade vem a bonança e sabe do que mais? Isso só não funcionou melhor pra mim por falta de tempestade. Ou não.. Ou foi por mera falta de admissão de tempestade, de qualquer forma eu sempre acabo bem e bem melhor que você. Você, seu cretininho prepotente, seu nada. Eu não tive culpa alguma de não poder oferecer meu amor quando você o quis, essas coisas a gente não escolhe, mas, fazer o fizestes, foi imperdoável. E mais imperdoável é continuar a pensar nisso. Então eu paro. E me invade a apatia. A apatia eterna, que duvido que dure mais que um dia e meio.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Infinito.

Um aceno, um sorriso, um abraço, um como vai? um gosto de você, uma maneira de falar, um passar a mão no meu cabelo, falar que gosta do meu perfume, falar que gosta do meu sorriso, uma mensagem, um elogio qualquer, uma manhã fria e clara, o Gabriel falando qualquer coisa, uma perspectiva, uma ansiedade, vergonha saudável, grama verdinha, uma rosa, uma coquelicot, uma música incrível, filmes, cores, tontura, paixão, teatro, crianças com vergonha depois da peça, diz que vem e vir, não diz que vem e vem, um presente, um convite, me chama pra sair, me chama pra conhecer seus pais, dança comigo devagar, uma música que te lembra eu, fazer as pazes, pensar na plenitude dos amores breves e duradouros, talvez ficasse aqui enumerando tudo, se esse tudo não fosse infinito.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Muito fácil viver com fé.

Três pessoas estão dentro de um carro, calor: - Sonho que um dia alguém declare ter mantido uma paixão secreta por mim durante anos, alimentado, vendo tudo de maneira platônica, até que, ao me conhecer melhor, a pessoa percebe que: não, eu não sou pra platonismos, ela gosta de mim além disso. - Eu gosto de pêra. - Eu vi um mendigo ontem com a cabeça tão cheia de piolhos.. ele estava caçando-os com as mãos, arrancava e jogava-os no chão. - Só falar disso me deu coceira. - O que ele faz pra mudar? - Como assim? - Ele está lá porque quer, o que ele faz pra não conservar piolhos? - Ah, claro, foi uma opção, lógico.. na verdade acho que é uma coisa de sonho, né? "O que você que ser quando crescer?" "Eu? Mendigo caçador de piolhos", deve mesmo até ser um hobbie. - É fácil ser irônica, você sabe que é verdade, ele não faz nada pra mudar. - Que condições ele tem? - Ele fez escolhas, podia muito bem cortar grama pra alguém, conseguir uns trocados pra pelo menos tomar banho, ir pra esses lugares que ficam os mendigos. - Claro! Por que qualquer hotel admite mendigos, né? "O senhor quer apenas tomar um banho e pagará por isso? Pois não.. cá estão as toalhas", se liga.. E quanto aos "lugares", são praticamente hotéis, né? Uma delícia.. sendo mendigo a única coisa que se tem é a liberdade, abrir mão dela pra continuar na marginalidade não faz nenhum sentido. - Ele está exatamente onde devia estar. - Aham, não é o sistema que apodreceu, a culpa é dele, cada pessoa que dê conta de si, porque a vida é fácil, aliás, nós somos burguesas felizes por que merecemos, né? Porque somos melhores que 5/6 do mundo, porque cuidamos de nós mesmas e fizemos por merecer, né? Não tem anda a ver com a família em que nascemos e com a condições que fomos criadas, nada a ver.. - Mas nós nascemos na nossa família por um motivo, cada um passa pelo que tem que passar. - Que fácil viver, não? Que fácil viver com a sua religião.. onde tudo é justo, cada qual está passando exatamente pelo que merece, onde os malignos e injustos serão punidos, que fácil viver quando nada está nas suas mãos, quando se vive em um lugar ótimo, se tem dinheiro, boa família e amigos, que fácil viver quando nenhum problema social te afeta ou causa angústia, porque, afinal de contas, nada mais do que justo! Meus parabéns, achaste como não ter fluxos de consciência, achaste uma maneira de se acomodar, largar a bundona gorda na poltrona, assistir a desgraça do mundo e dizer "tudo merecido". Sabe? Eu também tenho minha fé, tenho sim.. mas essa minha fé não me faz torcer o nariz pra quem tem problemas e me omitir completamente, pelo contrário, se as coisas são como têm que ser, eu vou fazer tudo que puder pra ajudar elas a melhorarem, porque, bem.. se houver uma forma, aposto que vão querer, essa tal força superior, aposto que ela vai querer que eu ajude, independente de qualquer força, minha consciência. Então continuarei reciclando meu lixo, tratando as pessoas com compaixão, desligando a torneira pra tomar banho, achando uma bosta esse sistema decadente e falido, me sentindo impotente, discutindo política e aflorando meu lado "avante mundo", porque, se todos fossem e pensassem como você pensa, bem.. o mundo conseguiria estar pior. Você deveria mudar pra Índia, o sistema de castas vem da religião deles, prega exatamente isso que você me diz, cada um que viva onde "o destino" o colocou. Mude pra Índia e viva sorrindo, com seu dinheiro, beleza e consciência limpa :)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Esse filme poderia se chamar "Filhos de Marx e da Coca-Cola".

"De Janeiro a Março continuei realizando pesquisas de opinião. Aspiradores de pó vendem? Você gosta de queijo em tubo? Você costuma ler? O que é um arcabouço? Gosta de poesia? Jogos de Inverno? Minissaias? Como reage ante acidentes? Se seu namorado a deixasse por uma negra, você se importaria? Você sabia que existe fome na Índia? O que é um comunista? Prefere pílulas para evitar a gravidez ou usa algo na sua vagina? Onde você mora? Quanto ganha por mês? Por que as socialites são mais frígidas que as operárias? Sabe da guerra que está havendo entre o Iraque e os Curdos? Ao longo desses três meses, fui percebendo que aquelas perguntas, ao invés de refletirem, deturpavam a mentalidade coletiva. Minha falta de objetividade, até quando era involuntária, tendia a provocar previsivelmente respostas falsas dos interrogados. Sem querer, eu os enganava e era enganado por eles. Por quê? Talvez porque as pesquisas de opinião logo desviam do seu verdadeiro objetivo, a observação do comportamento, para enveredarem, traiçoeiramente, por juízos de valor. Descobri que as perguntas que eu fazia ao cidadão francês expressavam uma ideologia, que refletia não os costumes atuais, mas os passados. Eu deveria estar alerta. Alguns conceitos aleatórios serviam-me de referência: 'O filósofo posiciona sua consciência contra a opinião.' 'Ter uma consciência é estar aberto para o mundo.' 'Ter fé é agir como se o tempo não existisse.' 'A sabedoria é a capacidade de compreender a vida. Isso é a sabedoria.'" Feminino Masculino, Godard.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Surrealismo Litigioso.

- Eu ouvi você dizendo que não queria. - Eu ouvi eles te dizerem que eu não fazia nada daquilo, que era mentira. - Então você acha que eu duvidei? - Eu duvidaria. - De qual vertente? - Da sua alma. - Minha alma é nova pra você? - Se você quiser chamar assim.. - Você não conhece minha alma. - Acho que conheço suficiente pra dizer que você duvidou junto. - Eu mudei. - Mudou pra alguém que não duvidaria? - Não me importaria, nem pensaria em duvidar, não é problema meu. - Mas muda as coisas. - Você acha? - Mudaria pra mim.. - O que você tem que entender é que nós não somos a mesma pessoa. Não me importa nem se mudaria ou não pra você, porque eu te amo. E você diz que me ama, me pergunto o porquê da crueldade. - Porque eu te amo. - De que forma? - Detesto definições. - Você é previsível em toda sua pretensa diferença. "Detesto rotular" é uma maneira de dizer que você é covarde. - Talvez seja.. - Você é! - Quem é você pra dizê-lo? Nunca deixei você me conhecer, enquanto você se abria toda. - Ou fazia você pensar que sim.. eu posso manipular muito bem se quiser. - Mas acho que não deu certo, eu continuo te amando da maneira que você não quer. - Talvez eu queira. - Você reclama por que então? - Porque é tudo inconsciente.. - Me manipulas de maneira inconsciente? - Não, te manipulo conscientemente pra satisfazer meu inconsciente e fico seca. - Você nunca é seca. - Talvez eu seja sem o saber. - Seu coração? - O nosso.. Eles deram a mão, viram o pôr-do-sol e morreram por aí, sempre tentando voltar a ser o que um dia desejaram não amar.