sexta-feira, 27 de abril de 2012

Me fale coisas que te deixem sorridente.

- tem tantas coisas...
  • vamos pensar...
    atualmente: 
    1. quando de repente, no meio da aula me toco que estou estudando na melhor universidade da américa latina no curso de história. 
    2. quando a banda termina um show e alguém que entende de música vem elogiar. 
    3. quando estou com minha namorada sem fazer nada, só estou com ela e fim... tipo, sendo feliz.
    acho que são as três coisas que mais animam minha vida hoje, e por aí?
    - quando o Biel vem e fala alguma coisa totalmente que mostra que ele se preocupa comigo, tipo hoje, além dele fazer tudo pra mim, todos TODOS os favores que eu peço (até quando eu digo, vem cá apanhar, ele vem, mesmo quando é por brabeza, não que eu de fato consiga bater nele ou em ninguém, mas tu entendeu) ele veio me trazer comida e todo fofinho "cuidado que está quente, quer que eu assopre?"
    ou quando eu estou nesse grupo específico de amigos, de colegas na verdade, pessoas que são amigas do meu melhor amigo e todo mundo lá me conhece e gosta muito de mim, me tratam muito bem
    quando eu medito e quando o sol está se pondo e eu presto atenção e quando o nosso olho fica assim vidrado em algo e seu cérebro percorre lugares que você não consegue acompanhar ou quando eu fico sem brigar com a minha mãe e quando eu faço planos com meu ex-namorado sobre nossos pugs e nossos filhos, os nomes deles e tal, quando está perto do dia dele chegar
    quando eu tenho um sonho muito real com uma pessoa que eu gosto muito 
    quando eu consigo desenhar um negócio ou escrever algo que eu me orgulho 
    quando reconhecem meus esforços 
    quando eu consigo fazer meus amigos rirem por muito tempo
    -  você fica feliz muito mais do que eu, te admiro!
    • se bem que a parte do meditar e do sol 
      adiciono fácil na lista!
      - quando eu estou tomando chá
      e eu e o Biel rolamos na grama do jardim da vó
      sim, é, você só foi mais sucinto, tem tantos motivos quanto eu
      é que eu começo a falar de um e automaticamente meu cérebro lembra os outros...
      quando meu coração fica quentinho sem motivo
      quando eu sou muito simpática com estranhos e faço eles ficarem mais alegres por isso
      quando eu ajudo pessoas, principalmente cegos e falo pra eles as coisas que estão acontecendo (coisa que eu sempre fiz, nada a ver com amelie poulain)
      - nossa, quando eu ajudo pessoas, isso muda meu dia completamente!
      • - sim, né? me ajuda mais do que o que eu fiz pela pessoa, com certeza
        • - quando eu ouço uma música nostálgica
        - sim!
        • quando eu cedo meu lugar pra pessoas ou mais velhas ou que parecem mais cansadas que eu no ônibus ou metrô
        • quando eu vejo o Rafa e a gente vai no trianon e fica só olhando pro céu pelo espaço das folhas
        • quando eu converso sobre uma coisa muito séria com ele ou quando eu só ligo e a gente fica gargalhando de falar as coisas mais bestas do mundo
        • isso com meu ex-namorado também
          ele me liga todo dia e nós fazemos competição de constrangimento
          quem fala a coisa mais babaca e morremos de rir
          quando eu percebo que eu amo muito alguém e que mesmo que essa pessoa não me amasse - o que em geral não acontece - não teria problema porque o amor que eu sinto bastaria
          quando eu acho uma folha muito bonita no chão e ela está intacta
          quando me tocam músicas
          quando eu aprendo uma música
          quando eu colo coisas que eu fiz na parede
          quando eu vejo casais de velhinhos de mãos dadas
          quando eu acho tesourinhos de infância
          quando eu faço piadas pra mim mesma e fico rindo toda boba e depois ainda me congratulando do tipo "você deveria se chamar mestra do riso" e me acho imbecil e rio mais
        quando alguém diz, sinceramente, que me acha bonita
        quando eu não consigo parar de ler um livro
        quando alguém me vê falando sozinha e ao invés de brigar acha graça
        hahahaha, desculpa, eu super me empolguei, mas é uma coisa que eu queria te falar
        eu gosto tanto de ganhar lápis de cor e canetinhas e aquarela ou folhas
        quando eu falo com você até tarde e você fala que eu sou especial

        e obrigada por me dar um texto, primeira vez na semana ficaria sem postar pronto (:
        - eu não dei nada, o texto foi seu, eu só te alertei da beleza dele
        - ah, balões coloridos 
        (eu sempre vou adicionar coisas nessa lista) e caderninhos
        beleza nada, bobeira
        - agora eu preciso dormir
        - dorme bem

domingo, 22 de abril de 2012

Sobre Alzheimer, mas mais que isso, sobre o casal que me faz acreditar em amor.

Milton & Shirlei
Um português orelhudo, segundo ela.
A mulher mais bonita do mundo, segundo ele, "minha baixinha".
Meus avós, avós paternos.
Pra mim nunca existiu pessoa melhor no mundo que meu avô, nunca existirá, na verdade e nem que me amasse mais.
Minha vó sempre foi uma espanholinha braba com todo mundo, menos comigo.
Lembro de quando eu ficava na casa dela e toda tarde ela me levava pra passear no bairro e lembro também de dormir no quarto do meu pai, com a cama quebrada porque meus primos e eu pulamos tanto nela que quebrou e todo mundo achou graça.
Eu tinha um barzinho da Barbie que eles me deram e passava as madrugadas com uma luminária laranja achando a vida um máximo!
Ela só me dava banho quando começava a músiquinha do Castelo Rátimbum, mesmo que não fosse necessariamente a
nós duas esperávamos o ratinho ir pra toca, pra só depois eu ir pro banho, aliás nessa casa (eles já tiveram muitas, muitas mesmo), tinham dois box, e um buraco de um box pro outro, igual o que o Jerry morava e lembro que ela pegava uma bacia de alumínio e me dava potes de shampoo pra brincar, sempre do meu lado e só me tirava quando eu estava toda enrugada, com a água fria e finalmente dizia que queria sair, com toda paciência do mundo.
Lembro também de quando nós estávamos na Chácara que meu vô tinha e ele ia nos levar na sorveteria, daí eu e o Rafa, m
eu primo, sempre queríamos ir no carro deles.
Aí nós entravamos pelo buraco do apoiador de braço no porta-malas e ficávamos lá, todos malandrinhos, todos rindinho, achando que estávamos deixando eles mortos de preocupação enquanto eles fingiam que não sabiam e "se desesperavam".
A sorveteria que eles nos levavam se chamava Jóia e ficava na frente de uma praça, o que era realmente jóia.
E olha como eu era a mimadinha dos vovós?
Os dois sempre me trataram como o bebê deles e ainda hoje me tratam.
Meu avô e minha avó sempre foram um casal que se amou, obviamente.
Eu tenho certeza mais que absoluta, pode cair um meteoro na minha cara agora, podem arrancar meu coração e me fazer comê-lo depois se um dia meu vô ou minha vó foram infiéis ou desleais um com o outro. Sério, que eu morra AGORA!
Sempre se cuidaram, sembre brincaram, sempre andaram de mãos dadas e todo mundo comentava em qualquer evento social, sobre como era lindo e fofinho ver os dois e como eles dançavam juntos, como se tivessem dançando a valsa do casamento, risonhos, gargalhando, todos com passinhos e todos brincalhões.
Esse dois, muito mais que a Disney ou que qualquer artificialidade dessas, me fizeram sempre acreditar que existe sim um amor da vida, uma alma gêmea ou seja como você queira chamar.
Você pode até ter um companheiro, ser feliz com ele e amá-lo, mas amor da vida só existe um, a diferença é que com o companheiro você tem sempre a opção de ir embora, com o amor da vida não, apenas porque não faria sentido abandonar um amor assim. E foi o que a existência do relacionamento deles que me fez e ainda me faz acreditar.
É difícil achar esse amor da vida, mas ele tiveram a INCRÍVEL felicidade - porque são pessoas que merecem também, né - de encontrar e viveram a vida mais feliz e apaixonada do mundo todo, bom, viveram não, ele ainda vive.
Não que minha vó tenha morrido, até porque se ela tivesse eu não estaria aqui escrevendo esse texto e sim morta também, né.
O que aconteceu, na verdade, é que há mais ou menos um cinco anos minha vó, minha espanholhinha linda, bravinha, dos olhos mais lindos e com a capacidade que só ela tinha de me fazer sentir especial e me mimar e amar tanto a vida toda, começou a desenvolver Alzheimer.
Lembro que logo que começou, eu passava a tarde com ela e com o Bielzinho que era bem bebêzinho na ocasião. No começo era a coisa mais triste do universo, ela inventava realidades paralelas onde achava que meu avô estava sendo desleal e outras coisas que faziam ela sofrer de verdade.
Eu conversava com ela todo dia, imprimia pesquisas, explicava o que estava acontecendo e ela ficava desesperada "EU NÃO ESTOU FICANDO LOUCA".
Mas isso era quando ela tinha ainda alguma consciência.
O tempo foi passando, meu avô levando ela em todos os médicos do universo, dando todos os remédios e fazendo todo o possível, mas a doença foi se agravando, porque infelizmente é assim que ela funciona, o tratamento só retarda um pouco mais os sintomas inevitáveis, ok. Chega da parte triste.
"Como assim, Ferdi, a história do Alzheimer da sua avó tem uma parte feliz?"
Tem, não só feliz como a coisa mais bonita do mundo.
Bem, hoje em dia a vó não responde sempre, aliás, quase nunca, precisa usar fralda e ser cuidada 24 horas por dia.
No estágio que ela está muita gente teria colocado ela numa dessas clínicas de "cuidados especiais", (especiais, aham), afinal de contas "ela nem ia saber". Só a possibilidade de um negócio desses ofende meu avô.
O que ele fez quando as coisas foram complicando?
Meu avô é chaveiro (que é uma das profissões que eu acho mais legais no universo, aliás) e ele tem esse chaveiro no mesmo lugar há uns 40 anos, então ele comrprou a casa de trás, fez uma interligação e contratou uma pessoa pra cuidar dela, mas de modos que ele possa de hora em hora ir ver como ela está e dar carinho e atenção.
E vocês acham que por um segundo ele lamenta ou parece triste? Meu avô é a pessoa mais alegre que eu conheço, essa foto da boneca, ali de cima, foi tirada hoje na hora do almoço, ele todo bobo fazendo graça pra ela. Aliás aquela boneca, pra minha vó é na verdade um menino, o bebê dela que ela cuida, ela leva pra lá e pra cá e meu vô entra na onda, brinca com o bebê também, chama de menino e tudo isso.
Ele está sempre rindo e contando as coisas tragicamente engraçadas que ela faz e fala.
Ele dá banho, troca as fraldas, dá comida na boca e ainda assim consegue se sentir apaixonado, não é só respeito e consideração. É amor mesmo. E como eu sei disso?
É só olhar pra cara dele:

Mal aventurados os homens de amor.

Que insistem e acham beleza,
que enfrentrem treze cavalos,
que aprisionam e são aprisionados,
mal aventurados os que tem coração,
bondosos e caridosos,
tentam ajudar quem não tem conserto;



mal aventurados os homens de bem,
que de bem que tem não recebem vintém,
mal aventurados quem faz por onde ajudar,
mal aventurados, hão de por tudo isso pagar.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Paciência.

De todas as virtudes é a que eu mais sou obrigada a exercer e a que eu mais detesto ter que.
Paciência de saudade.
Paciência pra esperar o dia dele voltar.
Paciência pra desenhar direito.
Paciência com o violino.
Com edição de vídeos.
Com gritos.
Com gente mais lenta.
Com falta de capacidade de interpretação.
Com comida ficando pronta.
Até miojo eu queria que cozinhasse mais rápido, na real.
E ainda assim tenho que ter uma paciência absurda todos os dias.

E nesse mesmo momento poderia citar três coisas que estão testando minha paciência e ansiedade; Cito uma: Renderização do vídeo novo. Ok, ok, vai fazer outras coisas e eu vou, mas a pendência, a sensação de algo a se resolver vai lentamente me corroendo.

E quando você quer conversar, só, nada demais e não encontra uma pessoal agradável disponível? Recorrente. Embora nunca aconteça.

Eu vou me desenhar fazendo geléia com dois guris puxando meu vestido e esse moço colhendo mais morango. Days are getting shorter, mas podia ser para o bem.

Hoje, feliz, eu fui falar sobre como falta um ano e meio, ele respondeu gritando que nunca tinha dito isso. Que vai demorar dois, três anos. E é engraçado como todos os planos vão ficando borrados, não por falta de amor, mas por saber que a vida em dois, três anos fará coisas aqui e coisas ali e eu não quero que os planos virem sonhos. Eu guardo dinheiro contando com isso, eu gasto dinheiro contando com isso, eu faço de tudo e ele também, mas o tempo é um negócio tão imprevisível e por vezes -e espero que não dessa - tão traiçoeiro.

Vou fazer mesmo o que bem quiser, porque é como se só eu me preservasse e isso é injusto, aconteça o que acontecer eu sempre dei meu melhor e sempre darei, mas acho que está na hora de parar de me preocupar, eu mesmo estou sempre dizendo que tudo acontece pro bem, mesmo que doa. Então se tiver que ir, irá, espero que fique.

Porque, na verdade, se recuperar desse tipo de coisa não é mais pra mim não, casamento, vida em conjunto, tudo compartilhado, me recuperar desse tipo de coisa seria comprar gatos, seria comprar - mais - livros, seria só lamentar minha sorte (aos setenta anos, nas redes sociais dizendo da minha solidão e de como eu me sinto menos miserável quando me entupo de comida ou me alcoolizo, sempre com todos os resultados negativos das duas atitudes). Me recuperar disso seria fugir de mim, talvez me mudar pras montanhas e jejuar até a morte em meditação. Me recuperar disso é um negócio que talvez fosse muito fácil, como chorar uma semana e depois passear com amigos e descobrir outras alegrias.

Quero me recuperar da eterna sina de ter que ser paciente.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Don't say you miss me.

É bom ser boa de novo.
Eu disse que queria ser como eu era e ele disse que não, retrocesso é só pouco sadio, seja melhor que agora, parecida com antes, mas melhor que na época também.
Me falou de relações karmicas.
 Aí eu lembrei de um monte de situações de rejeição que só foram respeito.
 Então hoje eu ganhei a camiseta e a tarde mais legal do mundo, com foto risonha e fotógrafo espirituoso.
 Tava andando, tentando agradar e nunca dá certo quando eu tento, só agrado se for de maneira natural.
De cabelo e unha azul, de blusa e tênis azul, de calça e bolsa azul.
Porque eu tenho sangue azul, vou admitir isso.
 Acho que a coisa que eu mais gosto no mundo é de fazer as pessoas rirem.
Daí eu estava andando e olhando na vitrine, pra ver se me via, mas sempre acham que estou olhando algo lá dentro.

Days are getting shorter.

Eu tento atribuir tudo a qualquer coisa. 
Eu fico criando teorias que não interessam, porque explicar isso ou aquilo não vai me fazer sentir melhor, geralmente só cria uma mágoa.
Eu estou bem feliz hoje, estou me sentindo radiante, amada, como se eu pudesse confiar em todo mundo.
Como se o mundo fosse meu amigo, eu pudesse contar dos meus sentimentos, eu pudesse ser entendida nas minhas piadas, como se houvessem pessoas que reconhecessem meus esforços, como se as pessoas pudessem dar valor pro tipo de trabalho que eu desempenho, como se as pessoas se importassem comigo e nunca fossem quebrar promessas, hoje eu estou me sentindo rodando de madrugada, madrugada fria num lugar que eu gosto tanto com pessoas que eu gosto tanto, estou me sentindo como se o Natão nunca tivesse ido embora, como se ele morasse comigo, como se aquele abraço ainda estivesse aqui, como se todas as possibilidades do universo pudessem ser alcançadas e como se. Como se.
Eu faço jejuns, às vezes fico seis, sete dias sem comer.
Minha mãe briga dizendo "assim você não emagrece", ela não consegue compreender
que as vezes eu preciso de todo meu cérebro concentrado, todo meu cérebro disponível.
Ok, ninguém mais me procura.
Ninguém mais me venera.
Ela ligou e falou durante mais de uma hora sobre não largar a pior situação do mundo por possessão.
Eu entendo ela, de verdade.
Ela estava me falando também sobre como as pessoas me veneram.
Como elas acham que eu sou tão especial que elas nunca me abandonam.
Eu ri muito triste, com nó na garganta, na verdade e disse que "já foi o tempo".
Já foi o tempo.

As pessoas choram muito?
Com que frequência uma pessoa normal chora?
As pessoas, às vezes, choram sem motivo?
Engolir o choro é melhor?
E bater na mesma tecla uma e duas e três e vinte, porque talvez bater na tecla te faça sentir menos, menos, menos, menos, menos, te faça a princípio só sentir menos, de verdade.

Depois te faça se sentir menos um fardo.
Fardo em qualquer vida, como se houvessem tais vidas.

O que você me diz?

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Coadjuvantes da vida.

Fluxo de pensamentos desorganizados. Eu adoro esse teclado sem fio, mas ele é um lixo, que vive travando e me fazendo escrever que nem uma imbecil. Eu amo fazer vídeos pro youtube, embora ache isso realmente imbecil e frustrante. Sabe do que eu gosto? De coisas que funcionam direito. Amizade. Celular. Amor. Namoro. Canetinha. Esses dias algumas muitas pessoas vieram reclamar de não estarem inclusas na minha lista de amizades. É engraçado perceber que disso, a gente só considera orgulho ferido, uma vez que eu sempre estive aqui e a amizade não se manteve porque não. People come, people go, sometimes without goodbye, sometimes without a note, já diz meu querido M. Ward. Mas é, é assim mesmo, as pessoas vão embora, exceto as pessoas de verdade. Eu tenho essa teoria (que todo mundo tem, na real) que algumas pessoas são coadjuvantes da vida, é como se elas não existissem, uma vez que o que existe pra mim é a minha vida, se a pessoa não faz parte, não faz diferença se ela exista ou não. E existem os coadjuvantes, que quase chegam a existir, mas depois evaporam. Eu já tive muito problema com mudanças e despedidas, hoje consigo não me importar mais do que me importaria se minha xícara preferida quebrasse. Minha xícara preferida quebrou esses dias. Ela não era bonita, queriam que ela fosse, mas eu achava muito feia, o que eu gostava nela é que além de enorme, por dentro ela era roxa claro, mas ainda não lilás. Daí ela caiu e quebrou, vários cacos, foi meio decepcionante, mas eu tenho várias outras canecas, então tanto faz. Até porque ele me prometeu outra caneca e canecas novas, sabe? Tudo acontece pro bem, então essa caneca com certeza será superior. Eu era uma pessoa de ficar chorando por aí. Sabia, gente, eu gostava muito de andar de madrugada, mas eu estava sempre passando frio e morrendo de hipotermia. Eu quero roupas encardidas de amora. Tênis perdidos, morango na cara, não quero mais morar em São Paulo.
Sabe, eu não suporto que essa mulher comece a gritar, ela começa e nunca mais para "eu odeio isso, você faça aquilo, eu dou as ordens, eu sou louca, todos devem me obedecer porque eu sou desequilibrada, eu acho que tenho direito de chamar as pessoas de filhas da puta, de desgraçadas, eu acho que tenho direito de dar muxicão, eu sou louca, louca e vocês tem que me respeitar, eu não tenho que respeitar nada e ninguém, porque eu sou destemperada".
Oi, eu nunca tive nenhum contato com você, mas vim aqui me pronunciar, dizer que não aprovo sua atitude, porque num mundo de informações tão rápidas, todo mundo tem direito de julgar o caráter de quem quer que seja, baseado em nada.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Matal.

De música e veneno, de bolha e presente, de comida e telefone, de família amistosa, de amar quem se tem, de correr no asfalto grama, de não esquecer o lml, de não se safar de constrangimentos, de abominar de novo e mais uma vez qualquer espécie de ciúme, de rir de maldade e nó na garganta, de enumerar, memorar infância com quem estava presente, comer até morrer, cantar até o fim, de clima de agradecimento, de ter o que agradecer, de livros para as crianças e doces para os adultos, de gentileza e amizade. De todas as alegrias e um bocado de amor. Nessas horas assim eu percebo o quanto é bonito pertencer a essa gente que tanto me alwgra e tanto me irrita. (:
lml

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Belo.

Lembro que não queria sentar, ou até queria, mas senti vergonha e fiquei de pé. Lembro que fiquei um pouco chocada com a sua beleza, desconcertada, e ao mesmo tempo me senti orgulhosa. Adorava o cor-de-rosa e azul dos cobertores. Lembro que você, na segunda, levantou com muito cuidado, fazendo o mínimo de barulho possível pra me deixar dormindo enquanto ia trabalhar. Lembro que adorava olhar suas coisas quando você não estava por perto, ficar observando como você organizava a falta de organização do seu quarto. E te ver lendo Macanudo, com risadas espaças. Lembro do livro que você estava lendo, lembro da diagramação do livro. Lembro que, apesar de eu nunca ficar quieta, quando eu ficava, o silêncio não doía do seu lado. Me senti à vontade como se nos conhecêssemos desde sempre. Lembro de andar muito e de lugares bonitos. Lembro das batatas gigantes de ouro, de comer eternamente. Lembro de nunca achar nada naquela mala infinita. Lembro das decorações de Natal e da loira me chamando de loira em tom de ofensa. Lembro de chegar tarde e do moço com cara de criança. Lembro de falar do que eu não queria e queria secretamente. De você indo comprar comida, da gente na padaria estranha, de quindim, de você adorar quindim, da gente comendo na frente do computador, assistir um milhão e duzentos mil vídeos. "Caranguejo não é peixe, caranguejo peixe é, quem gosta de mim é ela, quem gosta dela sou eu". E da peça que a gente assistiu e nunca mais conseguia parar de cantar a música, depois de esquecer a música e sofrer tentando lembrar, então lembrar e nunca mais parar de cantar de novo. De você ser bonito até na foto 3x4, de fingir que precisava de um táxi comigo só pra ser menos constrangedor ficar esperando sem saber direito o que. De você nunca largar o celular. E uma semana depois perder ele. E todas as vezes que eu voltava a gente se abraçava. Lembro de adorar muito a sua companhia. E querer que tu venha também. De ter certeza que você seria um dos 100 sobreviventes. Lembro da sua voz e entonações. E eu lembro dos relógios e das praças e do seu senso crítico apurado, das nossas piadas maldosas e dos psicopatas que nos perseguiam, lembro da sua carinha dormindo e de assistir séries com você, lembro das praças e das águas que não eram águias. Me sentia em casa numa casa e cidade que estavam longe da minha; confesso ter chorado um pouquinho quando fui embora. Lembro de você carregando minha mala, vocês xadrezes, combinavam. Lembro dos aviões que eu tentei fotografar de tarde e de matar tempo achando camarões; Sei que é natural que eu lembre uma vez que não faz um mês que passamos esse tempo juntos, mas de qualquer maneira quero registrar tudo que eu lembro por aqui, porque por mais que saiba que muito em breve eu volto, não quero confundir as lembranças de uma ocasião e outra. Lembro que você se tornou uma pessoa importante de verdade, de mensagens de madrugada sem motivo e que ouve as maldades que eu faço com a vida. Sei que você é incrível, e merece todas as pedras estrelas do mundo. E todas as pesquisas do Google. Sei que você me alegra. E que o texto está péssimo. E que eu espero que você nunca na vida venha a lê-lo, sério, vergonha. Mas de qualquer maneira, escrever sobre torna as coisas mais leves e mais bonitas. Obrigada por ser belo, em tudo que essa palavra possa vir a englobar.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Will hit her.

Esses dias me falaram que eu tenho falado como quem fala para uma grande massa homogênea.
Dia desses as pessoas tem me falado muitas coisas cruéis, me deixam aqui, esperando que São Paulo seja acertado por um objeto espacial não identificado.
Esses dias exigiram minha presença, me deram bolos e beijos, me abraçaram e pegaram no colo, esses dias eu me senti amada e comi uma trufa gigante.
E tenho ouvido The Dog Days Are Over e ganhado abraços do meu irmãozinho.
Dia desses me agarraram num parque e eu comecei a chorar porque é assim que eu sou, o parque foi o parque da minha infância inteira, um lugar quase... sagrado pra mim.
Tinham crianças e peixinhos ainda, tinha o mesmo tronco que um dia ele subiu e eu o chamei de reizinho.
Tinham todas as lembranças e um estranho me agarrando.
Esses dias me fizeram perguntas estúpidas, eu não tenho tido muitas reações, como se já esperasse que as pessoas fossem estúpidas assim.
Tenho me sentido cheia de expectativa, muito triste, sem nenhuma perspectiva, acho que não vou passar no vestibular, passei na primeira fase, não acho que nunca serei capaz de me sustentar, acho que vou ser daquelas pessoas que servem patês e vinhos, queria mais vestidos, queria poder andar pelada, queria poder chorar sem me sentir fraca, queria poder fugir daqui e de todos os meus sentimentos, queria evitar que ela fosse embora, embora ache que será melhor pra ela e que seria melhor para mim, queria morar numa fazenda, colher pêssegos, fazer geleia e nadar no riacho, eu não respeito a reforma ortográfica, respeito menos ainda esses jovens estúpidos que se pensam artistas e são só crianças egóticas e tristes.
Queria saber ser melhor em tudo, não quero tentar nada, não quero pensar, queria me movimentar mais.
Esses dias tentei manter uma rotina de caminhada, mas haviam alguns flertes que eu nunca reparo.
 Eu tenho o péssimo hábito de começar a escrever sem saber o que e só vomitar palavras, porque eu não tenho nenhuma pretensão com isso aqui ou com nada at all, embora deva parecer uma moçoila mui pretensiosa.
Sabe a única coisa que eu queria poder fazer?
As pessoas entenderem que cada situação tem um bilhão de lados, queria me fazer entender isso, na verdade.
Não é sobre ninguém, porque eu não sou essa fofura toda.
Sou só essa beleza e inteligência, que eu não reconheço, mas ninguém contesta.

Queria ter um desses amores bonitos e incontestáveis.
Queria nascer de novo.