domingo, 27 de junho de 2010

Peter Pan & Manuela.

Ela tinha olhos alegres, gostos simples e oito anos.
Por que será que ultimamente não consigo mais desenvolver histórias a respeito de gente grande?
Na sua condição de criança não costumava pensar em nada que não a deixasse feliz.
Talvez eu só esteja cansada de toda essa gente que curte se fazer de infeliz.
Manuela tinha esses grandes olhos cor-de-mel encantadores, um sorriso de lábios finos e a moldura do seu rosto era uma cascata cacheada de cabelos acaju.
Gostava de se auto-denominar aventureira. Estava sempre passeando em lugares "perigosos" com seus pais. Florestas cheia de capivaras ferozes e a qualquer momento poderia até aparecer uma cobra ou uma jaguatirica (que, por sinal, a menina sempre associava com um réptil asqueroso, embora soubesse que se tratava de um felino um pouco bravinho e bem fofo).
A menina gostava de andar descalço quando viaja para praia, mas na cidade jamais tirava suas meias, só para tomar banho.
E tomando banho ela viajava sempre para as mais recônditas áreas de oceanos nunca descobertos. Oceanos com pássaros nadadores, bananas bailarinas, sorrisos de bolhas de algodão e água que não afogava, abraçava.
Por contas desses longos banhos de banheira e sua fértil imaginação, a pequenina tinha um ótimo fôlego.
Ela fazia natação e sempre ganhava dos seus amiguinhos nas competições de "quem fica mais tempo embaixo d'água sem respirar".
Além de natação Manuela - ou Nunuca, como seus primos e amigos chamavam-a - estudava flauta e adorava andar por aí fazendo barulhos com seu instrumentinho.
Era uma menina por vezes obediente e doce, por vezes birrenta e antipática - embora essa segunda combinação fosse bem mais rara.
Gostava de leite com chocolate, tinha seu primeiro edredon, bichinhos de pelúcia e bonecas, assim que chegava da escola corria pra frente da tv pra ver se ainda estava passando pokémon e nas férias assistia todos os desenhos da manhã.
Gostava de ver o pôr-do-sol em cima da árvore da sua .
Era sonhadora e engraçada. Uma menininha como qualquer outra.
Manuela era comum e gostava de ser, queria ser comum e pequenina para todo o sempre.

9 comentários:

Andarilho disse...

Não me admira que Manuela tinha olhos alegres. Refletia o que ela era, pelo menos quando criança. Porque a gente cresce e muitas vezes se transforma. Como será que Manuela cresceu? Ou vai crescer? ...

HugoCrema disse...

Que texto belo. Sérião, mesmo com o final me transmitindo um anseio - da autora? da personagem? Um gosto de ser feliz via simplicidade, que é a única maneira de ser feliz de verdade. Gostei, né.

disse...

Toda vez que via um vaso bem grande cheio de pedras brancas, brilhando à luz, sobre a terra, tinha vontade de levar uma pra casa.
Aqueles sacos cheios de lentilha tinham algo irresistível, e ela logo punha a mão dentre os grãos, se lambuzando na sensação.
E gostava de correr só pra sentir a brisa no rosto. Brisa e mais brisa, tanto que brisava.

Rafael disse...

Mas as bananas bailarinas eram douradas, não?

Lucas Lima disse...

muito bom texto...
E pra mim o conto mais filosofal é justamente o de peter pan, rsrs, bons dias pra ti

JaqueFonseca; disse...

Quando eu era criança odiava sê-lo. Agora que não sou mais, não posso dizer que tenho saudade daquele tempo, mas seria mentirosa se dissesse que não há nada mais gracioso que criança (dessas que ainda são inocentes sabe?!)
Ainda bem que eu tenho o mau hábito de ler selecionando as linhas....

Líviis disse...

E mesmo agora que cresci, ainda viajo no banho e ainda gosto do pôr-do-sol. Apaixonante o texto, veio como um relâmpago de nostalgia boa.
Voltarei mais vezes aqui!

Gallos disse...

Ser criança eh ver o mundo com olhos inocentes,i.eh,ver em tudo novidade e ter a ansia q vai se tornar naquilo q a impressiona tanto e ter tudo q deseja.Por isso existem adultos com alma de criança.
Eh triste sabermos q n existe conto de fadas p/ muitas crinças,q de criança so tem tem corpo,mas de espirito pensam como pessoas adultas e muitas vezes sem esperança de uma vida melhor.

sarah disse...

E agora me diz..por que é que a gente cresce? Ou por que não continuamos tendo hábitos tão simples, mas tão belos, nas outras fases da vida?