sábado, 24 de dezembro de 2011

Matal.

De música e veneno, de bolha e presente, de comida e telefone, de família amistosa, de amar quem se tem, de correr no asfalto grama, de não esquecer o lml, de não se safar de constrangimentos, de abominar de novo e mais uma vez qualquer espécie de ciúme, de rir de maldade e nó na garganta, de enumerar, memorar infância com quem estava presente, comer até morrer, cantar até o fim, de clima de agradecimento, de ter o que agradecer, de livros para as crianças e doces para os adultos, de gentileza e amizade. De todas as alegrias e um bocado de amor. Nessas horas assim eu percebo o quanto é bonito pertencer a essa gente que tanto me alwgra e tanto me irrita. (:
lml

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Belo.

Lembro que não queria sentar, ou até queria, mas senti vergonha e fiquei de pé. Lembro que fiquei um pouco chocada com a sua beleza, desconcertada, e ao mesmo tempo me senti orgulhosa. Adorava o cor-de-rosa e azul dos cobertores. Lembro que você, na segunda, levantou com muito cuidado, fazendo o mínimo de barulho possível pra me deixar dormindo enquanto ia trabalhar. Lembro que adorava olhar suas coisas quando você não estava por perto, ficar observando como você organizava a falta de organização do seu quarto. E te ver lendo Macanudo, com risadas espaças. Lembro do livro que você estava lendo, lembro da diagramação do livro. Lembro que, apesar de eu nunca ficar quieta, quando eu ficava, o silêncio não doía do seu lado. Me senti à vontade como se nos conhecêssemos desde sempre. Lembro de andar muito e de lugares bonitos. Lembro das batatas gigantes de ouro, de comer eternamente. Lembro de nunca achar nada naquela mala infinita. Lembro das decorações de Natal e da loira me chamando de loira em tom de ofensa. Lembro de chegar tarde e do moço com cara de criança. Lembro de falar do que eu não queria e queria secretamente. De você indo comprar comida, da gente na padaria estranha, de quindim, de você adorar quindim, da gente comendo na frente do computador, assistir um milhão e duzentos mil vídeos. "Caranguejo não é peixe, caranguejo peixe é, quem gosta de mim é ela, quem gosta dela sou eu". E da peça que a gente assistiu e nunca mais conseguia parar de cantar a música, depois de esquecer a música e sofrer tentando lembrar, então lembrar e nunca mais parar de cantar de novo. De você ser bonito até na foto 3x4, de fingir que precisava de um táxi comigo só pra ser menos constrangedor ficar esperando sem saber direito o que. De você nunca largar o celular. E uma semana depois perder ele. E todas as vezes que eu voltava a gente se abraçava. Lembro de adorar muito a sua companhia. E querer que tu venha também. De ter certeza que você seria um dos 100 sobreviventes. Lembro da sua voz e entonações. E eu lembro dos relógios e das praças e do seu senso crítico apurado, das nossas piadas maldosas e dos psicopatas que nos perseguiam, lembro da sua carinha dormindo e de assistir séries com você, lembro das praças e das águas que não eram águias. Me sentia em casa numa casa e cidade que estavam longe da minha; confesso ter chorado um pouquinho quando fui embora. Lembro de você carregando minha mala, vocês xadrezes, combinavam. Lembro dos aviões que eu tentei fotografar de tarde e de matar tempo achando camarões; Sei que é natural que eu lembre uma vez que não faz um mês que passamos esse tempo juntos, mas de qualquer maneira quero registrar tudo que eu lembro por aqui, porque por mais que saiba que muito em breve eu volto, não quero confundir as lembranças de uma ocasião e outra. Lembro que você se tornou uma pessoa importante de verdade, de mensagens de madrugada sem motivo e que ouve as maldades que eu faço com a vida. Sei que você é incrível, e merece todas as pedras estrelas do mundo. E todas as pesquisas do Google. Sei que você me alegra. E que o texto está péssimo. E que eu espero que você nunca na vida venha a lê-lo, sério, vergonha. Mas de qualquer maneira, escrever sobre torna as coisas mais leves e mais bonitas. Obrigada por ser belo, em tudo que essa palavra possa vir a englobar.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Will hit her.

Esses dias me falaram que eu tenho falado como quem fala para uma grande massa homogênea.
Dia desses as pessoas tem me falado muitas coisas cruéis, me deixam aqui, esperando que São Paulo seja acertado por um objeto espacial não identificado.
Esses dias exigiram minha presença, me deram bolos e beijos, me abraçaram e pegaram no colo, esses dias eu me senti amada e comi uma trufa gigante.
E tenho ouvido The Dog Days Are Over e ganhado abraços do meu irmãozinho.
Dia desses me agarraram num parque e eu comecei a chorar porque é assim que eu sou, o parque foi o parque da minha infância inteira, um lugar quase... sagrado pra mim.
Tinham crianças e peixinhos ainda, tinha o mesmo tronco que um dia ele subiu e eu o chamei de reizinho.
Tinham todas as lembranças e um estranho me agarrando.
Esses dias me fizeram perguntas estúpidas, eu não tenho tido muitas reações, como se já esperasse que as pessoas fossem estúpidas assim.
Tenho me sentido cheia de expectativa, muito triste, sem nenhuma perspectiva, acho que não vou passar no vestibular, passei na primeira fase, não acho que nunca serei capaz de me sustentar, acho que vou ser daquelas pessoas que servem patês e vinhos, queria mais vestidos, queria poder andar pelada, queria poder chorar sem me sentir fraca, queria poder fugir daqui e de todos os meus sentimentos, queria evitar que ela fosse embora, embora ache que será melhor pra ela e que seria melhor para mim, queria morar numa fazenda, colher pêssegos, fazer geleia e nadar no riacho, eu não respeito a reforma ortográfica, respeito menos ainda esses jovens estúpidos que se pensam artistas e são só crianças egóticas e tristes.
Queria saber ser melhor em tudo, não quero tentar nada, não quero pensar, queria me movimentar mais.
Esses dias tentei manter uma rotina de caminhada, mas haviam alguns flertes que eu nunca reparo.
 Eu tenho o péssimo hábito de começar a escrever sem saber o que e só vomitar palavras, porque eu não tenho nenhuma pretensão com isso aqui ou com nada at all, embora deva parecer uma moçoila mui pretensiosa.
Sabe a única coisa que eu queria poder fazer?
As pessoas entenderem que cada situação tem um bilhão de lados, queria me fazer entender isso, na verdade.
Não é sobre ninguém, porque eu não sou essa fofura toda.
Sou só essa beleza e inteligência, que eu não reconheço, mas ninguém contesta.

Queria ter um desses amores bonitos e incontestáveis.
Queria nascer de novo.

domingo, 27 de novembro de 2011

Ainda e sempre.

Kevin Barnes definindo as coisas pra mim:
Lisa who reminds me of a blueberry is artistic, beautiful, and friendly I wish that to pass her on the street was more common because I don't know her telephone number or her address though I guess that I could just go look it up since I do know her last name it's blueberry blueberry blueberry or at least that's what it should be 'cause that's what she seems like to me a gentle yet passionate blueberry
we were petting seals at the underground zoo the one you act just like down the fireman's pole to get to and fight drunken pirates with painted cardboard swords
just you and I and I sing to you I know you're a really cool person 'cause you're nice to everyone you meet monkey love I wish I were your monkey love
Lisa who reminds me of a blueberry is intelligent, sensitive and funny I wish that to kiss her on the lips was more welcome because when she's near I long to invade her personal space though as of yet I'm still moping around on the ground that surround the heart of mademoiselle blueberry blueberry blueberry
Não há nenhum vídeo disponível no youtube, sabem comé. Mas fica aí o desabafo por outros.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sobre escritórios e jabuticabeiras.

Acho uma merda que as pessoas realmente acreditem que a única opção da vida é crescer, fazer uma faculdade e "se estabilizar".
Dia desses eu vi a seguinte tirinha:
(via esse blog)
No que minha tia deu um sorriso cansado e eu perguntei se ela não achava essa vida uma merda, a resposta foi "é só olhar pra minha cara", tudo em minúscula mesmo, porque não havia nenhum começo ali.
Agora a questão que fica é: Será que essa é a nossa única opção mesmo?
Ontem eu fui acusada (acusada sim, sem drama nem nada do tipo, mas sinto como acusação) de querer me "estabilizar".
A grande questão é que em dadas épocas da vida eu me conformo que é isso aí mesmo, que em dado momento terei uma cozinha com utensílios tecnológicos, churrasqueira e espaço gourmet. Acho deprimente alguém almejar um espaço gourmet. Me conformo por vezes, confesso, mas por puro conformismo (conforme o conformar), puro medo, pura apatia, sem nenhuma vontade.
Tudo bem você ter dentro de você esse espírito burgues que almeja uma vida tranqüila de escritório, tudo bem querer colocar teus filhos no Arqui Diocesano, tudo bem se você é assim, mas eu não sou. Não sou e não quero me conformar em querer coisas que eu não quero só porque esperam que eu queira.
Eu não quero vida de escritório, não quero ter um Ford Fusion e almejar uma Mercedes Benz, não quero usar vestidos da Collins e almejar Dolce & Gabbana, não quero receber meus amigos da aula de pintura com tinta a óleo e preparar um salmãozinho com molho de maracujá (ou hortelã, notem), não quero ser essa pessoa que passa a maior parte da vida fazendo alguma coisa chata e mecânica para ganhar um salário e gastar com coisas que além de não querer ela não precisa. Não quero casar de branco nem passar a lua de mel (sério isso, galera?) em Paris, Veneza ou qualquer lugar LINDÍSSIMO desses que a gente TEM que conhecer.
Eu quero acordar hoje e não ter certeza de onde estarei ou o que exatamente estarei fazendo ano que vem, eu quero conhecer lugares que ninguém quer, eu quero ver todo pôr-do-sol possível, quero ter um suco gelado, um violino, que ele tenha um violão, que a gente toque música ruim por diversão e use roupas horríveis, eu quero um alto padrão de vida, com dormir na rede e cabelo bagunçado, eu quero rir de verdade e comer jabuticaba do pé, não é uma questão de ser hippie, suja, fumar maconha ou coisa que o valha, eu não quero nada disso, só não quero viver minha vida sabendo que eu fui exatamente quem a sociedade demandou que eu fosse e me sentir uma merda porque não conheço nada, sei falar maleporcamente duas línguas, vivi a vida inteira na mesma cidade, passei a maior parte do tempo entediada e nunca fiz nada de realmente autentico, que EU realmente tivesse vontade.
Lembro que com quinze anos fiz esse tratado com minhas melhores amigas na ocasião, assim que nos formássemos no ensino médio compraríamos uma Kombi e viveríamos como Saltimbancas por aí, tocando violão e passando o chapéu, interpretando peças escritas por nós, teatro de rua, malabarismos e mágica, esse era o trato. Mantenho esse trato comigo mesma e me vou, me vou sempre, juro para mim que dia desses eu fujo, sem celular, sem computador, sem emprego e sem dinheiro. E quem quiser me acompanhar, que o faça se tiver espírito livre, que o faça se quiser passar a vida vivendo.
E fica o desabafo mal escrito, mal formulado, mas que por diversas vezes me aperta o coração. lml

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Muito embora.

Às vezes eu canso, de esperar, de ler, de lembrar de coisas que já passaram
Às vezes eu danço
Li hoje de manhã sobre como eu não levo jeito
Lembrei hoje de manhã que eu sou muito boa nisso, naquilo e melhor
Lembrei de lembrar que todo sorriso se apaga amanhã
Que toda dor só existe na mente
Toquei com cuidado e carinho
Toquei alguém que não era você
Toquei com cuidado e carinho alguém que eu me apaixonei
Falei com alguém de longe
Falei com um amor do passado
Falei com alguém que você não gosta
Hoje eu não me importo que você vá
Hoje eu procuro distância,
Hoje eu não quero você
Dia desses eu tomei um suco muito específico
Dia desses eu comi aqueles bombons de sorvete
Dia desses eu me deprimi porque você não estava aqui
Eu não me importo com versões ruins de músicas do Bowie
Eu me importo com a lembrança que ele me deu de alguém que ainda nem meu era
Já disse que joguei tal lembrança no lixo?
Não quero que tu venha
Não quero que tu volte
Não quero seus gritos nem mais nada de você
Vou embora escrevendo mal
Sem pretensão de escrever de qualquer maneira
Vou embora com a sua crítica
Sem pretensão de voltar
Muito embora
eu vá embora
embora
lml

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Vai mal demais.

Acho engraçado como as artes consistem em amizades.
Tu não precisa ser um desenhista genial, contanto que conheça bastante gente que te diga que tu é, tu não precisa escrever bem, contanto que tenha amizades que te convençam que você, nossa, futuro da literatura, tu não precisa saber atuar pra ser considerada boa atriz contanto que conheça as pessoas certas. Isso é meio risível e deprimente ao mesmo tempo, risível porque agente sabe (e eles sabem) que os belos desenhos, a bela escrita, a SENSIBILIDADE infinita do ator só existem mesmo no ego e não suportarão uma mudança de década, mas em contra partida é deprimente que essas pessoas consigam se sentir superiores por um segundo que seja graças a produção porca que trabalham com.
De verdade, pessoal, todo nós sabemos se somos realmente bons em algo, a gente tem a mínima noção, nem que seja comparativa, sabe?
E se você continua tentando é porque quem sabe um dia talvez, com bastante treino e vivência (vivência, galera, a não ser que você nasça um gênio, você só poderá ser menos que medíocre com no mínimo uns quarenta, vão estudar) você possa produzir algo legal, mas, de verdade se tu ainda está nisso porque acha que já é bom o bastante, faz um favor pra tu e o resto do mundo e larga de pretensão, vai, tu sabe que é ruim.
Tem uma (e só uma) pessoa com 20 anos que escreve e que eu de fato admiro. Porque é verossímil, não busca confete, tem segurança no que faz e estuda, estuda muito. É um bom escritor que vai ser um daqueles que escrevem coisas e que conseguem nos mostrar uma outra maneira de pensar. E pra isso é necessário primeiro exercitar as várias maneiras de pensar, antes dos elogios, antes da babação de ovo. lml

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Não há amor na sua alma. Nem tortas. Nem cucas.

"Nossas ingênuas pornografias" cabei e ouvir isso, uma frase de uma música do Júpiter.
Eu estava aqui sem esperar nada da vida, alegre, jogando mal, eufórica, com sorrisos desajeitados pra mim mesma no espelho ao ver que tem show do Júpiter no domingo e, sabem?
Desde que me apaixonei por Júpiter (graças ao Louis, creio eu, se estiver certa, obrigada mais uma vez<3) percebi que em momentos de raivinha, tristeza ou qualquer sensação negativa era só colocar Júpiter que eu viro rock star, converso com meus amigos -inexistentes, imaginários - com uma típica cara de alegre, começo a me mexer e querer ir pra Porto Alegre conhecer esse ser tão peculiar e mítico, ele é.
"Minha melhor amiga morreu bem do meu lado, do lado da minha cama, a bruxa mariposa".
Gosto dele por conta da autenticidade, da pessoalidade, da voz, do jeito de quem de fato é simples, não sei se vocês sabem, mas as poucas pessoas que admiro, só admiro por conta da tranqüilidade, na verdade não é bem tranqüilidade, tu não precisa ser tranqüilo contanto que seja simples, simples nos desejos, nos pensamentos, sabe?
E ser simples não significa não ser complexo nesse caso e sim só descomplicar, percebe?
Sempre quis abraçar o Walter Victor, que é inteligente e bonito, mas ninguém entende, nem a medicina não, ninguém entende o seu jeitão. Ou Conga. Tomador de banca.
A questão de escrever assim ouvindo ele é a euforia, parece que sua alma começa a se chacoalhar. E melhor: Os indiezinhos da vida não conseguem fingir gostar.
Nem dele, nem de Tiger Lillies. Por isso eu sempre mandarei beijos pra ele, pra ele e pro Marcelo Birck, do fundo do meu coração. Obrigada por não serem fáceis.
Uh uh, tcha tcha tcha... Abrindo as tortas e as cucas. lml

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

DeLeituras.

Vamos falar de clube do livro!
Eu nunca tinha citado aqui como estou feliz pelo nosso sucesso.
O clube do livro começou com um daqueles pensamentos de travesseiro que normalmente quando a gente vai beber água na cozinha e volta já logo percebe que a ideia era, no mínimo, bem tosca, só que ao ir até a cozinha pegar o tal copo de água continuei achando a ideia boa e hoje cá estamos nós, com quase 400 participantes pelo menos "por tabela" (dêem uma olhada http://www.facebook.com/DeLeituras) um monte de inscritos no canal e, mais importante que qualquer número são as letras, dos... oito? Ou mais livros que lemos nesse tempo e toda a alegria que é terminar uma reunião com todo mundo feliz, conversandinho e cheio de vontade de saber qual será o próximo livro pra já começar a ler!
E como esse processo levava mais ou menos três dias (o que é muito pra quem tem 15 para ler e viver, ir na faculdade, trabalhar, namorar e assistir Zorra Total) tive a brilhante (cof cof) ideia de criar um cronograma pra todos nós conseguirmos organizar melhor, wiiiiiiii
A reunião com os moderadores será hoje e espero que consigamos uns três cronogramas diferentes pra que vocês possam escolher (bem democrático, como sempre). Já anotei as sugestões de vocês e agora é só esperar, com um sorriso no rosto e uma leve ansiedade.
Obrigada, vocês, mesmo!
Beijos, Ferdi
lml

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Sou contra aspartame.

É burro trocar algo doce, por algo que te dá câncer e é amargo. É burro e infantil, porque o doce só é ruim quando muito, o amargo é sempre, mesmo que duas gotas e todo mundo põe dez, na esperança de deixar menos amargo. Não entendo certos costumes.
Quando eu era criança já detestava a religião católica (não que deteste hoje, acho que não sou tão mais criança para detestar religiões quaisquer, aliás, a única coisa que pode ser detestada na vida é a maneira como o homem lida com o que quer que seja, através do homem até o amor pode ter algo de abominável) e com essa detestância me pegava confusa ao gostar tanto das velas dos altares, sempre adorei o fogo, em todas suas manifestações que são sempre uma só, a sutileza (e capacidade destrutiva) do fogo sempre me fascinaram. O que eu detestava de católico eram aquelas missas tediosas, aquele fanatismo, aqueles gritos, toda aquela culpa, o fato de alguém ter sido crucificado por pecados que não cometeu, pra nos livrar do nosso, era tão injusto e sádico. Eu sempre preferi a justiça na frente de qualquer outra coisa, até hoje eu vivo com minha justiça inabalável, às vezes me pesa essa justiça.
Anos depois eu me senti tão menos conflitada ao descobrir que as velas, os rituais com as velas e tudo que tinha de mágico em poder ter luz quando não se tinha era algo muito mais antigo que essa religião chata e injusta que eu detestava. Me senti mais tranquila. Sempre que ia naquelas casas-de-artigos-religiosos-de-todas-as-religiões me sentia encantada com todas as cores de velas e queria ter um canto só pra acender todas. E depois quando eu li na Recreio que o fogo podia ter todas as cores resolvi ser cientista, só pra tê-los todos em volta de mim. Então esse não é um texto sobre fogo, embora pudesse.
Acontece também que esses dias (ontem de madrugada) escrevi essa oração (não sei se vocês sabem mas minha verdade é que cada verdade está em cada coração, então se você é muçulmano ou judeu, se ser terrorista ou hindu vale para você, com certeza é verdade, a sua verdade e fim) então eu escrevo coisas que eu acho que se eu programar no meu cérebro eu terei uma vida feliz e chamo essas coisas de oração. Então essa oração em dado momento dizia "Que eu saiba lidar e cuidar dos sentimentos das pessoas que amo cada vez melhor e que eu seja cada vez mais independente para cuidar dos meus" e esse negócio de querer ajudar e não precisar de ajuda pode parecer bonito e altruísta, mas não é nada, eu deveria pedir para que cada amigo, ente querido soubesse cuidar dos seus sentimentos sozinhos, mas enquanto eles não conseguirem, que saibam que eu estou aqui. E, olha, cuidar e ajudar pessoas queridas é fácil, traz prazer, quero ver é começar a pedir pra ajudar mesmo odiando.
Sabiam que eu odeio muita gente? Odeio mesmo, detesto, só de pensar em noventa por cento das pessoas que eu conheço meu estômago se embrulha e às vezes até em pensar nas pessoas que eu amo tenho só vontade de correr pra bem longe e nunca mais falar com ninguém. O mundo pra mim parece todo errado e ao mesmo tempo a coisa mais bonita. Tudo varia, nossos humores variam e comigo não é diferente.
Tive essa conversa sobre distanciamento literário, não sei como foi, sei que em dado momento eu disse que todo mundo deveria ler tudo e toda vez que eu penso nisso me vem um enorme melancolia por saber que não dá tempo, por pensar que se eu me enclausurar em leitura a vida passa e a gente não vê e por saber que é difícil delimitar saudável entre ler muito e ler demais e nem seria essa a questão pior, o pior é que mesmo se você passar a vida lendo, não lerá tudo que valha a pena ler e já tenha sido escrito, até porque você tem que aprender muitos e muitos idiomas e a vida é curta demais pra quem tem essa espécie de interesse.
Tem uma vela do meu lado enquanto eu escrevo e tinha um incenso também, num incensário de Auset, o incenso já queimou.
Estava numa tarde quente, uma chuva fina, chuva fria, porta aberta. Há quem fale de janelas e em mim é tudo enorme, gosto de como meu rosto é pálido na sombra, gosto de como as pessoas ficam fantasmagóricas no escuro.
Esses dias eu vi um pingente de unicórnio e não comprei.
É uma droga ter que sempre depender de dinheiro.
Queria que patrocinassem minha imaginação.
E nenhuma produção específica.
Durmam bem vocês.
Vale a soneca. lml

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ter 50 anos dói.

Escrever sobre as coisas torna as coisas menos opressivas.
Eu já escrevi essa frase nesse blog pelo menos umas trezentos e setenta e oito zilhões de vezes porque é justamente por isso que eu ainda venha nesse querido blog.
Não tenho qualquer pretensão literária, embora, se tivesse alguma, pudesse fazer coisas legais (ou pelo menos não tão ruins quanto alguns livros que a gente vê publicados por ai, porca "literatura" a parte) o que eu vim fazer aqui é justamente tentar fazer esse dia se tornar menos opressivo, tedioso, desesperador.
Minha cabeça de choro, roxa, sabe? Cabeça de choro sem razão, cabeça de quem está cansado de chorar sem ter razão, cabeça de ciumenta compulsiva, de doente, doente.
Eu me sinto doente, extremamente doente. Doença que não mata.
E isso não é sobre alguém, eu não sinto ciúmes de só uma pessoa, embora sinta com mais frequência de algumas, eu sinto ciúmes da vida, do meu peito, tenho ciúmes de tudo porque não me reconheço em mim. E quando eu digo que estou desesperada parentes próximos me dizem que eu estou bem, eu pareço bem, bem alegre, bem sorridente, "você está sempre fazendo piada, menina" e acham que é drama, todo mundo me acha dramática porque eu sou de fato, sempre fui dramática achando certa graça no meu pretenso desespero.
Mas eu não estou mais achando graça, parece que tudo não faz mais diferença, não é que nada faça, é que tudo não faz.
E eu sigo aqui, no insanidade, cuspindo nada e esperando que passe.
Esperando que (eu) vá embora. lml

domingo, 9 de outubro de 2011

História de uma raposa.

Essa, como já diz o título da postagem, é a história de uma raposa.
Uma raposa pequena por natureza, mas muito forte e alegre, por tão forte e alegre ela nunca teve medo de se machucar e por conta disso num belo dia de verão, caiu na floresta e machucou a patinha muito feio, muito feio mesmo, ficou até de cama por alguns dias, mas logo só andou por aí com sua atadura/curativo, tão feliz quanto sempre.
Raposinha imprudente essa, porque certo dia, esquecida de que não podia nadar com uma só pata, saltou de um penhasco em direção a esse lago fundo que ela adorava e costumava brincar. Sem pensar, só porque era natural pra ela.
Acontece que o lago, que sempre foi a mais divertida das brincadeiras, começou a doer, tão escuro e tão gelado, a raposinha tão sozinha, afundando, afundando, tentando gritar por socorro, sozinha.
Sozinha.
.
.
.
.
Afundando.
.
O
o
0
.
No lago escuro.
O
.
o
.
0
O
.
.
O
0
.
o
.
Afundando no gelado.
O
.
o
o
.
0
O
.
.
O
.
O
0
.
.
A raposinha e sua patinha.
.
O
.
.
. O
0 O .
o 0 . . o 0 O . o . 0 0 o O . O .0 0 . O o0 . o . . puxou-a de volta.
. O .0 0 . O .0 0o O 0 o O . O .0 o . . cuidando dela
o 0 . . o 0o 0 . O O . O .0 . . estava lá
. O .0 0o O 0 . . que sempre
o 0 O . o . 0 ele
. . o 0 . que
o O . .é
. O. t
. A
.
.
.
E ela voltou a margem, um pouco afogada, dolorida, sem saber direito o que tinha acontecido.
Mas sã e salva, com sua patinha.
Patinha essa, que depois de breve tempo, sarou, ela mancou ainda por um tempinho, mas com uma ajudinha dos amigos dela - amigo que lambia sua patinha ferida - ficou tudo bem de novo.
E o lago nunca mais foi opressivo.
A floresta nunca mais machucou.
As flores foram sempre bonitas.
E a vida seguiu tranqüila e ensolarada.

sábado, 8 de outubro de 2011

Eu sou maneiro, tu é maneiro, todo mundo é maneiro.

Pessoal maneiro da zona sul, pessoal maneiro da vila Carrão.
Segundo teorias primistícas galera da ZL mora sempre há 10 minutos do Anália Franco, e eu acho graça das graças que eu acho.
Acho graça dos meus patins, da minha capa MODELO ALVO DUMBLEDORE, acho graça dos pendulos, das cores, de como as pessoas me ganham com curas milagrosas, acho graça da quantidade imensa de impostores e de pessoas que realmente querem ajudar a humanidade, acho graça dos sonhos e acho graça de ninguém além de mim ser capaz de entender essas graças ou fazer melhor. Porque essa questão sequer existe.
Pela primeira vez em tempo imemorável eu tenho vontade de me dar um abraço e rir porque eu sou engraçadíssima, pra mim e é só isso que eu quero ser, querida por mim, vocês todos podem ser completamente indiferentes a mim que, de verdade, eu não vou nem reparar, porque quando sua melhor companhia é você, a vida fica quase indolor e os sonhos são sempre sonhos. lml

domingo, 25 de setembro de 2011

Nova velha.

Devem ter sido as más companhia que me deixaram assim, cansada, envelhecida.
Devem ter sido as pessoas tóxicas que me fizeram envenenar até a quase morte com sentimentos mesquinhos, ciúmes, julgamentos injustos, aflições.
Devo ter mesmo escolhido bem mal esses ditos amigos que eu contava pra cá e pra lá a vida e o modo como ela funcionava pra mim.
Deve ter sido o tempo em parte que me deu esse semblante de quem já franziu demais a testa, já chorou sem motivo concreto, por todos os motivos, pela vontade de se aposentar da vida e ao mesmo tempo saber que isso nem melhor seria.
Deve ser a falta que uma casa de campo me faz, com riachinho passando, cheirinho de pinheiros, gatinhos correndo, morangos silvestres, corujas piando, chaleira apitando no fogão, fumaça de bolo assando saindo da chaminé, deve ser a falta desse cenário que me apodreceu por dentro, me deixou assim descrente, fingindo amores e alegrias, escrevendo cartões e fazendo desenhos pra ninguém.

Engraçado mesmo é que nesses dias que estou assim, nessa mutação bizarra que me faz parecer a mulher que eu ainda não sou, meu irmão menor, deu de me apertar as bochechas falando comigo no tom de voz que eu falaria com ele, me chamando de neném, bebê esquilo, de fofinha da vida dele, de minha pequenininha mais fofa, tudo isso com essa cateterística voz que só usamos com bebês e animais muito fofinhos.
É estranho que a vida faça dessas com a gente e que nem revidar sequer a gente possa. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

10:09

Olhei pro relógio eram 10:09, disse "se da próxima vez que eu olhar for 10:10 ele me ama muito".
Olhei pro relógio eram 10:09.
Olhei pro relógio eram 10:09, disse "se da próxima vez que eu olhar for 10:10 ele me ama absurda, louca, desmedidamente".
Olhei pro relógio eram 10:09.
Olhei pro relógio eram 10:09 e eu disse "se da próxima vez que eu olhar for 10:10 ele não me ama".
Olhei pro relógio eram 10:10.
Eram 10:10 e eu resolvi que não acreditava nessa besteira, porque eu tenho a honestidade de deixar as coisas funcionarem só quando é pro bem. lml

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A lua ficou o dia inteiro.

Quarta-feira: acordou em lugar estranho e mesmo assim tomou leite com Sucrilhos.
- Hoje a lua ficou no céu o dia inteiro e isso precisa significar alguma coisa muito boa.
Sábado:
- O que você está fazendo?
- Sofrendo.
- Sofre comigo?
E entre provar pra si e pro resto do mundo, andou de cabeça baixa, tentou olhar ao redor, torceu o pé e entrou no carro.
Dirigia olhando pro lado, olhar correspondido e meio surpreso de quem espera ser tocado e sabe que olhar é toque.
Segunda e eu sei que você está ai.
Terça e onde ele está?
Quarta e espero que volte logo ou não volte nunca.
Quinta e eu espero o mês inteiro por uma bola, dois controles e esse cachorro babão e cheio de camomila que pula em mim e me faz sentir amada. Amarga.
Bem sabia o que queria mais a culpa era forte demais.
Porque ela sentia que tinha uma obrigação, ela não ia gostar se tivessem feito isso com ela.
E não conseguia deixar de sentir, nesse coração tão pálido, um rosto tão bonito e um olhar tão sincero e simpático e tão distante daquele que minava suas energias.
E a culpa da confusão é claro que era do rosto tão branco, tão calmo e macio, a culpa era da pequenez e do sorriso tranquilo que exibia como se tudo estivesse certo e não houvesse medo de se machucar, porque embora nada estivesse de fato acontecendo, a vida passa no cérebro de quem tem.
Passou no meu.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Dobby.

Era um gato e uma moça, a moça amava o gato o gato amava a moça.
O gato pensava que era um cachorro ou a moça pensava que ele pensava porque era assim, ela aparecia na rua e ele corria pra ela abanando o rabinho e ela jurava que ele perguntava como tinha sido seu dia com aqueles olhinhos (enormes) e verdes. A carinha que fazia, o jeito como balançava a cabecinha, tudo eram perguntas e por isso ela respondia, no que ele pedia colo. Sim, um gato que pedia colo! Ganhava colo e quando ela estava só deitada no jardim lendo alguma coisa ou se esquentando no sol ele vinha do lado dela e fazia carinho em sua mão com a cabeça. Até ela perceber a magricela presença e chamá-lo pra deitar na barriga dela, no que ele sempre ia.
O gato também fazia poses, fazia poses porque a moça pedia, tirava a câmera da bolsa e mirava pra ele no que além de poses ele fazia gracinhas e percebia a diferença entre foto e vídeo, era o gato mais inteligente do mundo.
O nome do gato era totalmente legal, a priori ela achou que também poderia ser outro, menos legal mas mais fácil de uma menininha de 7 anos dar para o seu gato, mas no final das contas era o mais legal mesmo, mais legal do mundo porque até nisso ele queria ser o melhor gato.
E não era só a moça que amava o gato, a vizinhança inteira amava, o gato era tão legal que nem necessidades ele fazia no jardim das pessoas, era um gato quase mágico, o mais carinhoso e amado dos gatos.
Não tinha uma pessoa que não gostasse daquele gato. Mas a menina gostava mais, a menina amava o gato, amava de verdade.
A menina se adoentou e ficou dias sem ver seu não-gato, não estranhou, ela não estava lá.
A menina melhorou e ficou dias sem ver o gato, ele não estava lá e cadê ele?
Não apareceu por alguns dias, andando por aí cria ela, passeando e divertindo outras pessoas, cria ela.
Um dia ele apareceu, apareceu e ficou no telhado, ela não conseguia tocá-lo de onde ele estava, ele estava com um olhar triste e distante, ela achou que ele estava doente ou bravo, ele podia estar bravo já que fazia semanas que os dois não se falavam.
E a moça não conseguiu terminar porque se tentasse choraria e ela não quer lembrar do seu não-gato desse jeito.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Lua que era da Terra.

Ela olhou pro céu e viu a vida do tamanho do mundo, vida que era lua, que correu São Jorge e toda a gentileza do saber seu nome.
Às vezes a menina precisa só sorrir, sorrir de nada, sorrir de tudo porque no final das contas está sempre tudo tão bem.
As coisas correm bem para os cabelos dourados, como golden tickets.
Willy Wonka, walking down the street, Willy Wonka the kind I like to meet, Willy Wonka.. ♪
Ela viu que faltava alguém, Apolo não abraça mais, libertas, não tinha Zeus e não tinha nenhum dos Deuses do Olimpo, nº um.
Um número e um porém palpável Pinóquio que nem mais a palavra sei eu escrever e está tudo ok comigo.
Tem o moço que é bom com as palavras, ele me dá colo e não deixa ninguém me bater. Tem um Deus no Olimpo, um só, um Deus que é lua e olha por mim. E só tem olhos pra mim.
Ἀπόλλων

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Eu ficava "cru cru cru" e as corujinhas "we we we".

Acontece que geralmente eu não me obrigo a fazer sentido porque é chato, eu me entendo no final, mas não necessariamente de maneira concisa. O pensamento se estende até o infinito pra voltar e fazer qualquer espécie de sentido, porque eu sou livre de mente, eu tento ser livre na mente, pelo menos lá porque de resto não acredito em liberdade.
E não acredito também em conversões, porque tudo tem seu tempo e não dá pra convencer ninguém de que o bom é ser bom até porque o que é certo pra você não necessariamente é pro resto do mundo. Por isso hoje eu respondi sem remorsos pra uma beata que tentava me converter que "não, eu não amo jesus", no que ela me respondeu "ain, ele te ama" e eu disse "que bom, é sempre bom amar". Não acredito em conversões e nem que ninguém tenha o direito de tentar te converter, é imbecil pretensioso e ofensivo. Não, não vou virar carnívora, vegetariana, boa ou má, não vou ser ruiva ou loira ou pesar 40kg ou 120kg, não vou ser o que você acha que é melhor porque já é tão difícil se desprender do mundo pra achar nossas próprias opiniões que me pergunto como pode alguém achar que me trás elas prontas e me faz bem com isso. Não.
E também acho muito imbecil que as pessoas não assumam suas diferenças mesmo depois de velhas, a gente espera que elas amadureçam não por nada, mas faz parte do processo, mais se vê mais se aprende, não sempre. E aí alguém, burro e tacanho vem me dizer que eu tento ser diferente que eu sou muito esquisita, negANDO a própria observação. Mas deixa que fiquem obsoletos pra sempre, tentando pertencer e achando que pertencem, deixa que morram.
Que morram pequenos;

quinta-feira, 28 de julho de 2011

2.500 fotos.

Eu me acho linda sem nem ser. Acontece que o fato de descobrir mais de 2.500 fotografias minhas (só minhas, só eu, sem amigos e tal, minhas mesmo) me deixou pensativa sobre que tipo de imbecil eu sou.
Algum tipo a gente sempre sabe que é, mas e o meu?
Eu não tirei 2.500 fotos em, não sei, uns 5 anos, só por me amar e me achar linda, é que eu tenho um terrível medo de envelhecer, não é uma questão de amadurecer, eu adoro saber que hoje eu sei muito mais do que há 5 anos, mas eu tenho medo de como eu vou me parecer daqui 30 anos.
Acontece que eu não tenho nenhum problema com feiúra, em nenhuma idade, acho natural e até desejável, acho que a beleza é a melhor coisa do mundo quando bem usada, mas normalmente as pessoas não sabem usá-la o que me leva a desprezá-la um pouco, enfim, enfim, a grande questão e o ponto que venho querendo chegar é que eu não espero que ninguém seja bonito além de mim e não é pra ninguém que eu quero ser bonita, só pra mim, de verdade. Por isso eu registro o que dizem ser a melhor fase de qualquer ser humano, por volta dos vinte;
Eu queria poder conservar esse mesmo rosto, esse mesmo sorriso pra sempre, mas como não é possível conservo em imagens, o que chega a ser até triste. Mas é a Ferdi, sou eu. Eu e minha beleza líquida, que nem é tão grande assim, mas é minha, é o rosto que eu aprendi a ter e amar e apresentar por aí, o rosto com as carinhas que só combinam comigo porque eu sou eu, como se eu tivesse treinado a vida inteira pra ser assim e depois disso vou me parecer cada vez menos com meu ideal de mim;
Mas sempre terei minhas fotografias.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Não é legal ser uma pessoa totalmente correta.

Deixando claro que eu disse TOTALMENTE.
Porque no meu código de conduta existe o certo e o ideal de certice, o certo é fácil de fazer, só não mentir pra si mesmo e não fazer nada que possa magoar alguém que você ama e que confia em você.
O ideal é nem pensar em tais possibilidades e se as possibilidades vierem até você vetá-las totalmente e deixar claro porque você vetou, sabe?
Ah, não quero terminar esse texto.
Porque eu sempre sou totalmente correta e é difícil saber se são totalmente corretos comigo.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

And you know it's a Lion's heart.

Eu tinha esquecido da beleza que pode ser compartilhar numa amizade. E a graça é que eu lembrei disso graças a um daqueles amigos que nunca se sabe se são amigos. Aquelas pessoas que você tem extrema admiração e bem querer mas não sabem quase nada sobre você e vice-versa. Mas tem aquilo que se sabe e se admira. Seja um gosto em comum por bandas, ou conversas esporádicas que fazem bem, seja acompanhar vídeos na internet, saber que a pessoa está sempre por ali, mas talvez mesmo pela admiração (admiração trás receio de não ser bem aceito) ou por achar que não se terá o que dizer sem parecer deslumbrada o tempo todo a gente deixa a amizade pro tal futuro abstrato.
Eu tenho um problema grave a respeito em ser linear e seguir pensamentos, é que eu sempre penso que estou perdendo algo de outra coisa. Sabem?
Um dos meus maiores medos é não ter assunto, então minha vida é basicamente uma tentativa de recolher fragmentos que possam tornar uma conversa interessante ou divertida. Não que eu seja lá muito bem sucedida na coisa, mas eu tento, estou sempre tentando.
Tem coisas que eu não quero nunca contar pra ninguém, eu deveria nunca contar nada, mas isso faria de mim uma pessoa pouco interessante. Tenho encontrado mais coisas externas pra entreter, não acho mais legal usar minhas angústias pra fazer as pessoas morrerem de rir ou se sentirem bem com elas mesmas, não é como se fosse uma profissão ou uma obrigação.
Eu tenho o direito de ser desinteressante;

Não é que eu queira de volta, eu só sinto saudade do que sequer aconteceu, eu só acho que em outro momento teria deixado tantas boas lembranças, tantos sorrisos e carinho de verdade. Acho que em outro momento daria pra ser tão feliz sem nenhuma culpa. Eu acho estranha a maneira como a vida correu. Mas que bom. Gosto do jeito que ela está.
Se a gente fala muito sobre algo a tal coisa vai gastanto, por isso eu não vou falar mais, sobre nada, nada que eu ame de verdade.
Então é isso, beijos, tchau.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Trasgos, Pedras e Maricas.

Bang! Bang!
Chuva ácida que era só orvalho.
Bang! Bang!
E um massacre que era batata-quente.
Um telefone anunciando a morte. Da rosa que você ganhou ontem.
Essa sensação de que a vida perdeu o sentido. Por alguns minutos.
E sempre voltar ao
Bang! Bang!
Que não acerta ninguém.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Me diz.

O que você acha da literatura contemporânea brasileira?
Você tem filhos?
Você gosta de comer?
Com quantos anos você emagreceu?
Quer chá?
Sabe no que eu estava pensando?
Você acha que eu posso escrever poesia?
Você acredita em anjos, santos e essas coisas?
Você podia parar de balançar a perna, ?
Com quantos paus se faz uma canoa?
Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?
Um cachorro?
Você gosta de Clarice Lispector?
Por que tem gente que ainda fala de Clarice Lispetor?
Você tem descoberto bandas novas?
Você tá feliz?
Você tá namorando?
Casou mesmo?
Você acha que seu namorado te ama?
Voltou pra São Paulo?
Não deu certo lá?
Como foi?
Vai sossegar por aqui agora?
O que você tá fazendo com a sua vida?
Mas você tá bem, digo, de saúde? Sério?
Qual foi o última vez que você deu um sorriso verdadeiro?
Você acha que a vida é toda cor-de-rosa, ?
Por que você é toda felizinha assim?
Você se acha feia?
Meias listradas ou de bolinha?
Qual o nome do seu irmãozinho mesmo?
Sabia que seu irmão é um gênio?
Posso roubar ele pra mim?
Você acha que é engraçado, ?
Por que você não morre?
Que você acha d'eu mudar pra Curitiba?
E se eu voltar a dançar?
Será que eu sou muito gorda?
Batatinha quando nasce, espalha rama pelo chão?
É adimira ou admira?
Não te parece óbvio?
Você estava contando com essas moedas?
Por que seu irmão me bloqueou?
Por que você não atualiza mais tanto?
Você tem raiva dele porque ele é famoso e você não?
Você gostou deles, prima?
Eles são legais, ?
Por que eu não vou pra Alencar de Araripe?

E se você for embora sem rumo e sem celular, pra sempre?
Você acha que é o tipo de coisa que eu faria?
Pra que tantas perguntas?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Repolho feio e roxo.

Era uma vez um repolho roxo que não sabia sequer que era repolho ou tinha cor, ele só estava lá, parado, crespo e infeliz.
O repolho roxo conhecia um bocado de hortaliças maravilhosas e gentis (gentis com outras hortaliças, porque ninguém nem sabia que ele estava ali).
O repolho roxo assistia muitos filmes e novelas americanas, com hortaliças que pareciam ser super felizes e animadas e parecia mesmo que elas faziam algo que significava algo, que faria do repolho roxo um repolho feliz.
Mas o repolho roxo era essa coisinha gorducha, meio feia, que não tinha muito talento nem força de vontade, então pra ele só restava se lamentar de ser assim, tão incrivelmente perdedor e só saber reclamar de que a vida fosse assim, sozinho sempre, amando muito alguém, querendo muito poder contar com outras pessoas, mas sempre sozinho e infeliz e morto porque vão fazer CHARUTOS NUMA CASA DE COMIDA ÁRABE :((((((((((

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sobre botas e cílios grandes.

Banho de chuva com os primos rindo de algo que nem aconteceu.
Eu tenho esse primo que desde criança eu só sei achar tudo que ele faz muito belo e sensato e engraçadíssimo, acho que ele é a pessoa que eu mais gosto de estar por perto. Mas acho que existem muitas outras pessoas que são as que eu mais gosto de ter por perto, por exemplo meu irmão, o Dimi, o Luks, o Natão..
Porque sempre existem esses caras fantásticos pra me fazer lembrar que nem todo mundo abandona e não se importa. 
Eu sempre tive essa facilidade em amar, mas mais que isso, sempre tive essa facilidade em dar o meu melhor pra esses amores, que não é muito nem é perfeito, mas eu sempre tento fazer que meus sorrisos aconteçam para eles também.
Pra elas e pra todo mundo que consegue me fazer sentir amada e segura, todos os abraços e cartas, poemas e risadas.
O Natão está longe, todo mundo está, não tem ninguém aqui (exceto esse irmão que dorme comigo toda noite), mas eles estão sempre por perto, sempre na minha cabeça e sempre me fazendo lembrar de tudo que é lindo, e deixar meu coração quente de novo, tem uma lareira com cobertores, chocolates quentes e eles numa sala, todo mundo jogando Imagem e Ação, tipo minha ideia do que seria o Paraíso.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Tudo que é mau acaba em sorrisos.

Tem coisas e gentes que me inspiram.
Tipo esse rapaz.
Esse rapaz apareceu no cinema, porque tudo de realmente especial na minha vida, sempre terá algo de cinematográfico.
Pra mim ele era o "moço das botas" e pra ele eu era a "menina da calça rosa".
E eu sempre prestava atenção no moço de botas porque ele me parecia tão tímido, inteligente e encantador, sabem?
Sabem aquelas pessoas que tem um sorriso de dentes pequenos e te lembram seu irmão mais novo? Bem, ele era assim, o moço mais encantador da Terra naquela época.
E então eu, que achava que ele estaria ali aquecendo meu coração só até o curso acabar, ganhei esse melhor presente do mundo, que foi justamente fazer parte das pessoas que fazem parte da vida dele.
Conversávamos por horas e horas e nada era mais feliz para mim do que chegar em casa e ver se ele havia mandado e-mail novo. E sempre havia.
E eu que andava tão tristonha, tão gelada e tão morta por dentro, passei a sentir tudo de novo, mas de uma maneira calma e sem expectativas, ele sempre seria das pessoas mais importantes e isso sempre seria o suficiente para mim. E sempre é.
Falar com ele por dois minutos faz meu coração mais quentinho que berço de bebê, faz meu sorriso brilhante e eu esqueço todos meus medos, sinto sempre como se ele pudesse me salvar, mas não como se eu precisasse disso.
Merci, Luks :)

domingo, 29 de maio de 2011

Do que nem lembrava que era dor.

Eu te odeio e você é tudo que eu nunca quis ser, você é meu melhor exemplo inverso e tudo que eu queria é que você fosse atencioso como o meu avô é, que você cuidasse de mim, se importasse comigo por alguns momentos talvez, queria que você fosse capaz de olhar, nem que fosse por um segundo, pra alguma coisa diferente de você. Eu te odeio tanto e tão do fundo do meu coração.
(...)
Te odeio muito, profundamente, mas você não precisa mais ficar aqui e me magoar, você pode ir embora e morrer porque eu realmente te odeio e quero que você finalmente vá embora, porque eu te amei tanto, e você me abandonou de maneira tão injusta, eu te odeio.
Ódio represado malemá por 2 anos. Ódio que ninguém nem sabia.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Eu sou uma pessoa tão feliz que chega dar pra desconfiar. De fato. Na verdade eu sou só essa pessoa rancorosa e assustada que sempre acha que todo mundo vai fazer o favor de me abandonar e me deixar sangrando pra morte, eu sou sempre essa pessoa dramática e triste que tem tantas tristezas que não consegue admitir e nos últimos tempos, por conta disso, por conta de nunca se sentir realmente segura, ganhei uma gastrite nervosa. Uma gastrite nervosa por ter ódio de pessoas que não necessariamente fizeram algo contra mim ou sabem que eu existo, esse ódio constante e esse medo de perder, essa raiva que me faz alucinar de dor, de medo, de raiva mesmo, sabe ódio do músuclo tremer, de querer matar e gritar com a pessoa e bater nela? Eu mais do que qualquer ódio, odeio odiar, porque ódio é o sentimento mais burro do universo, ódio só afeta quem sente, o ser odioso e odiado nem sequer sabe que é objeto de tamanho repúdio, o ser odiado é abstrato muitas vezes e o ser, os seres odiados vão me matando dia após dia, devagarzinho, lentamente e com sorrisos espalhados pelo mundo.
Ultimamente eu procuro não pensar sobre nada, que é pra não doer, não odiar, não sofrer mais e mais. Esse medo constante, essa dor em lugares que eu sequer sabia que poderiam doer, essa ânsia de alguma coisa que acabe com esse medo, mortes, sabe? Mortes que não acontecem e nem acontecerão nos próximos sei lá quantos mil anos e a questão não é essa, o medo só existe porque existe em mim, porque de alguma forma que eu gostaria de saber controlar, eu deixo ele existir, se apossar, me tirar o sono e a vontade de viver. E por causa de todo o ódio e todo o medo que eu tenho chorado tanto, mas explicar isso me humilha e me dói mais. Me faz menor.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Moço.

Ele entrou e eu pensando "é maluco" e se confirmou.
O moço que me lembrou o passado duplamente, me pegou pela mão e me chamou pra dançar, ele sabia meu nome mesmo sem ter como e tinha um sorriso calmo.
O moço não sabe que eu sou menina pequena e insiste em pegar na minha mão.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Dia bom.

Às vezes eu me esqueço de como é fácil ter um dia bom e fico no comodismo dos dias ruins e do ter do que reclamar.
Mas então eu me enfezo e tenho o melhor dia, assim, sozinha, sem precisar de ninguém.
A graça é que sempre que eu resolvo ter um dia MEU que será bom, acabo contando com surpresas ótimas. Como amigos encontrados no meio da rua, gatos pulando amistosos e coisas simpáticas de toda a sorte.
Acontece que ontem meu dia bom não foi só bom, foi decisivo. O dia gritou pra mim que eu tinha que voltar a fazer o que eu amo fazer e se alguém adivinhar o que é não ganha um doce, porque acho que até o padeiro aqui da esquina que nunca falou comigo pralém de "quantos pãezinhos?" sabe. E eu não tenho muitas balas e sempre cumpro minhas promessas, então, né. Pois é.
E já que eu me vicio em coisas boas hoje também está sendo um dia bom, um dos bem ótimos com mudanças e tudo, filmes e corridinhas e até fotos em cabines fotográficas, porque eu sou muito genial (como todo mundo é) pra ficar em casa me lamentando, ao invés de viver.
O livro que me gritou a vida, foi Franny & Zooey, então deixo minha dica a respeito. Leiam!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

53 dias e um gato.

Acordar em cama estranha e trocar, do lado mais conhecido.
Cama gelada, coração quente.
Rolar por mais 5, mais 10, mais 12, mais 2 horinhas.. acordar contente.
Fazia um sol tímido e gelado, fazia um céu azul e alegre, o verde estava mais verde e meu coração estava tranqüilo.
Tomei um gole de nada e fui ansiar aquela coisa que anseio desde sempre e que parece que chegou mas não está mais aqui.
 Passei o dia sorrindo, vendo o pôr-do-sol, minha árvore e um gato.
 É que me apareceu esse gato que mais parece um cachorro, é um gato carinhoso que deita com a barriga pra cima pra gente fazer carinho, é o gato mais bonito da Terra.
Ele vem quando a gente chama, ele pede carinho, ele faz cócegas na gente.
Me apareceu esse gato.
E como se não bastasse o gato nós - nós de sempre, que eu amo um tanto, eu minha tia e meu irmão - nós compramos um monte de chás e guloseimas e viemos aqui pro apartamento mais legal do mundo pra conversar e ficar mais feliz, mesmo meu irmão estando com besteira.
Minha tia disse: "você tem que estar com alguém que ache que estar com você é a melhor coisa do mundo".
Minha tia faz piadas parecerem ter graça e eu não estou achando graça de passar 53 dias longe dela. O consolo é que terão perfumes, chocolates, chás e fotografias na volta.
Mas eu ainda acho 53 dias um exagero.

sábado, 30 de abril de 2011

Não pensar sempre ajuda.
Seja lá do estejamos falando, é provado que se você não pensar na tal coisa, as probabilidades delas darem mais certo são bem maiores, pelo simples fato de que a cada vez que você pensa em algo cria-se uma nova expectativa difícil de ser alcançada. Então ela vinha trabalhando nisso de não pensar. Mas não pensar em nada, por exemplo: Se ela estava na frente do computador checando seus e-mails seus cérebro deveria estar totalmente compenetrado nisso, podando todos os devaneios. É difícil não devanear, muito mais difícil que deixar seu cérebro a vontade.
Dentro do trólebus um monte de pássaros começam a se aproximar e quando a porta abre quem entram são eles: gritando, gritando, gritando e vindo em sua direção. Acordou.
Tentou comer um pedaço daquele bolinho que ela gostava e conseguiu, porque afinal de contas o bolinho é muito bom.
Saiu às 13h pra só voltar no outro dia, seja como fosse, porque hoje era um bom dia para se divertir com pessoas que ela gostava. Sempre é um bom dia, mas hoje estava nublado e frio.
Não tinha nada que a atormentasse lá. Latinha de cerveja - não gosta. Gosta.
Vodka - não gosta. Uma, duas, três. Tá tudo bem, mas meio girando.
Eu sempre gostei dessas luzes e a cor do cabelo dela é mesmo bonito. "Seu cabelo é mesmo bonito".
De repente está acontecendo uma cena de cinema muito bonita que depois foi narrada com mais beleza ainda. Eu fico muito feliz que isso tenha acontecido, está tudo bem agora. Pra eles. Está tudo bem pra mim, também.
Tomei café da manhã em uma das minhas padarias mais querida e eu estava pensando, Bairros nobres pra serem mesmo nobres tem que sempre ter uma super panificadora bonita, ?

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Estava aqui.

Eu estava imaginando que morava numa casinha no meio do campo, então tinha um lago se eu caminhasse por alguns minutos, um lago com uma pedra que eu gostava de deitar e dormir, a água ia passando e eu ficava lá, sozinha, tranqüila, sabendo que estava tudo bem, sabendo que quando eu voltasse pra minha casinha minhas tias estariam lá com alguma coisa legal pra me falar, com florais e cartas, com sorrisos, terapias alternativas e chás.
Chegando lá eu ia até meu quarto toda geladinha, deitar nessa cama maisconfortável do mundo, toda aconchegada e tiraria uma soneca.
Eu estava imaginando que depois disso eu poderia assistir filmes engraçados com todo mundo e de noite ler um livro sobre pro Biel, tomando um chá de (como ele diria) Ibispo e comendo aquelas tortas que a tia Vera faz.
Eu estava pensando que eu poderia ter uma balança pendurada numa árvore, eu ia me empurar até sentir que eu e o céu éramos um só.
Eu estava pensando na minha vida e em como ela fica tão mais colorida se eu paro pra contemplar tudo de lindo que eu tenho nela.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Eu sei, eu sei, eu sei.

Eu que se às vezes a gente tem que ser corajoso pra burro mesmo sendo alguém tão pequeno e carente de cuidados.
Sei que alguns sorrisos sempre estarão lá, mesmo que em outros rostos, pra fazer a gente sorrir junto, com lágrimas de saudade e gritos lembrados de uma noite de Imagem & Ação.
Eu sei que menininhos de 6 pra 7 anos podem ser a melhor companhia pra dias de sol e pouco calor em parques de grama verdinha.
Eu sei que eu sinto falta daquele magricelo alto e tão doce mais tão doce que afirmava ser amargo que era pra ver se alguém acreditava. E eu soube que ele imitava o Gato Felix.
Enquanto eu cantava pra ele "Always look at the bright side" num erro de puro charme. Eu sei que eu sinto a falta de um amigo que veio ao mundo pra ser mesmo meu amigo.
As coisas estão bem por aqui, estão bonitas. Hoje eu conversei e até ri, me ofereceram ajuda e até riram para mim, hoje eu me senti em casa pela primeira vez em meses. Eu não estou em casa.
Hoje eu sei que tem uma menininha de sorriso de arto-íris lá longe que pensa em mim com saudade e carinho. Eu penso nela também, eu amo ela também. Eu vou ficar com ela pra sempre, também.
Eu sei que às vezes despejar todos esses sentimentos aproxima vocês de mim, eu sei.
Eu sei que sentirei falta da ruivinha que era minha comadre na loja, que eu xingava por puro bem querer, que eu xingava que era pra ter ela mais perto, me contando tudo, pedindo conselho disfarçado e rindo. Eu gosto quando ela sorri.
Eu sei que eu gosto de abraço, de carinho e de amor, eu sei que eu consigo isso de muito mais gente do que o normal. Eu sei que minha vida é totalmente ótima e eu sei que ela só vai melhorar.
Eu sei.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Filho pródigo.

Cretino, nojento, maldito, imbecil, covarde, mesquinho, detestável, egoísta, pequeno, pérfido, execrável, arrogante, miserável, burro, falso, você faz minha vida parecer um naufrágio na merda.
Você me faz sentir tão menor do que eu sou, você tenta sempre me diminuir, valoriza o que é o mais repulsivo lixo, você pede meu ódio e eu consigo ainda te amar.
Que amargo é perceber que de certa forma eu dependo de alguém assim, tão incrivelmente deplorável, tão imbecil e ingênuo na sua bestialidade.
E você precisa de mim até pra respirar, precisa de mim pra escovar os dentes e se virar na cama, você necessita que eu te afague, que eu te ouça, te leia, te embale, te dê de comer.
Você é tão coitado que não sabe que depende tanto assim, que se eu te deixasse aqui agora, tacasse fogo nas suas roupas - tão pequenas - e levasse embora sua comida, ainda assim, ainda assim você acharia - com toda sua arrogância, toda sua pretensão - que poderia ainda viver e até ser feliz.
Você não sabe o que é ser feliz, eu te ensino em doses homeopáticas que é pro gosto ser sempre grandioso, não me desgasto com você, quero te ensinar a ser homem mas é tão difícil tendo em mãos um rato assustado, repugnante e ferido.
Ferido que faz questão de chafurdar nas próprias feridas, faz questão de se alimentar da própria carne em chama, carne viva.
Você é um rato burro, que precisa de mim e por precisar tanto eu faço esse favor, sempre enojada, sempre irritada, sempre tendo que tomar cuidado com os punhais que constantemente você enfia nas minhas costas para enquanto eu estiver me recuperando do golpe você conseguir comer mais da sua carne podre, carne exposta em chagas.
Eu odeio você agora e sempre.
E o que inunda os meus olhos ao pensar em te abandonar não é o medo de ficar sem você, não há nada que eu possa sentir saudade, o que me perturba é pensar que assim cairei no tédio e até você eu prefiro suportar a ter que me tornar tédio.