Quarta-feira: acordou em lugar estranho e mesmo assim tomou leite com Sucrilhos.
- Hoje a lua ficou no céu o dia inteiro e isso precisa significar alguma coisa muito boa.
Sábado:
- O que você está fazendo?
- Sofrendo.
- Sofre comigo?
E entre provar pra si e pro resto do mundo, andou de cabeça baixa, tentou olhar ao redor, torceu o pé e entrou no carro.
Dirigia olhando pro lado, olhar correspondido e meio surpreso de quem espera ser tocado e sabe que olhar é toque.
Segunda e eu sei que você está ai.
Terça e onde ele está?
Quarta e espero que volte logo ou não volte nunca.
Quinta e eu espero o mês inteiro por uma bola, dois controles e esse cachorro babão e cheio de camomila que pula em mim e me faz sentir amada. Amarga.
Sabia o que não queria e queria o que sempre quis, mas não conseguia deixar de iludir um coração tão pálido, não conseguia deixar de iludir um rosto tão bonito e tinha vontade de dizer que a culpa de tudo que eles passariam mais uma vez e mais quantas mil vezes deixassem era do rosto, um rosto tão branco, tão calmo e macio, a culpa era da pequenez e do sorriso tranquilo que exibia como se tudo estivesse certo e não houvesse medo de se machucar, porque embora nada estivesse de fato acontecendo, a vida passa no cérebro de quem tem.
E tinha de um lado, tinha do outro e tinha um coração.









3 comentários:
Você sempre sabe o que escrever e da melhor maneira.
Expor a si mesma sem mostrar nada..., talvez seja o que vejo. Gostoso tentar descifrar entrelinhas das tuas palavras, Ferdi.
beijos. deu vontade de te ler novamente.
Eu queria provar algo novo, às vezes a ausência é a essência do que precisa ser provado.
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