domingo, 25 de setembro de 2011

Nova velha.

Devem ter sido as más companhia que me deixaram assim, cansada, envelhecida.
Devem ter sido as pessoas tóxicas que me fizeram envenenar até a quase morte com sentimentos mesquinhos, ciúmes, julgamentos injustos, aflições.
Devo ter mesmo escolhido bem mal esses ditos amigos que eu contava pra cá e pra lá a vida e o modo como ela funcionava pra mim.
Deve ter sido o tempo em parte que me deu esse semblante de quem já franziu demais a testa, já chorou sem motivo concreto, por todos os motivos, pela vontade de se aposentar da vida e ao mesmo tempo saber que isso nem melhor seria.
Deve ser a falta que uma casa de campo me faz, com riachinho passando, cheirinho de pinheiros, gatinhos correndo, morangos silvestres, corujas piando, chaleira apitando no fogão, fumaça de bolo assando saindo da chaminé, deve ser a falta desse cenário que me apodreceu por dentro, me deixou assim descrente, fingindo amores e alegrias, escrevendo cartões e fazendo desenhos pra ninguém.

Engraçado mesmo é que nesses dias que estou assim, nessa mutação bizarra que me faz parecer a mulher que eu ainda não sou, meu irmão menor, deu de me apertar as bochechas falando comigo no tom de voz que eu falaria com ele, me chamando de neném, bebê esquilo, de fofinha da vida dele, de minha pequenininha mais fofa, tudo isso com essa cateterística voz que só usamos com bebês e animais muito fofinhos.
É estranho que a vida faça dessas com a gente e que nem revidar sequer a gente possa. 

3 comentários:

HugoCrema disse...

tu sempre será um bebê alien no meu coração. boa noite.

Gallos disse...

Vc fala das companhias q n t fazem tao bem mas ninguem eh pareo para seu irmao,como vc me faz crer,e pode contar c ele(e conte c vc mesma)sempre. Vc disse sobre mudanças,isso faz parte e todos nos passamos pelas mesmas coisas apenas c intensidades diferentes. Apenas prossiga e logo logo percebera q vc eh na vdd uma velha nova. =)

Andressa C. disse...

melancolia parece um sentimento açucarado com café forte o suficiente pra nos impedir de sentir o doce, né?